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Duração
Gledson é um servidor público solitário que deixou sua cidade natal com o sonho de ser ator no Rio de Janeiro. Atormentado por memórias imprecisas de seu passado, ele vê sua vida mudar quando começa a escrever um livro sobre Teresa, uma prostituta que atravessa a morte esperando um filho e chega a uma ilha fantástica. Quando uma amiga de Gledson resolve transformar seu livro em filme, realidade e ficção se misturam: enquanto Teresa precisa decidir o que fazer com o filho nascido na ilha e o escritor lida com o desafio de se tornar um criador, o filme se transforma quando a diretora se confronta com a experiência de sua própria maternidade.
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A diretora deste filme foi a primeira a sorrir para mim, presencialmente, dentre as pessoas que conheci especificamente em Tiradentes. Ela estava com a sua filhinha, personagem importantíssima do filme, e soube que estava diante de um grande evento, quiçá um favorito de adesão emocional do público. Transversalmente, foi o que vi manifestar-se: há um interessantíssimo experimento de construção mútua de narrações e narrativas na tela, em conjunção à valorização existencial da maternidade (em mais de um sentido). Até brinquei que ela era uma espécie de "Naomi Kawase tropical", pela maneira como o avançar da gravidez se coliga ao avançar do próprio roteiro em constante (re)escritura. O que amplia as possibilidades rizomáticas do que é abordado: como muito da troca de idéias entre a diretora e seu amigo Gledson, bem como das falas e presença brilhante da pequena Liz. Mas algo no trecho que eu mais ansiava (que é a ficção das mulheres na ilha) distanciou-me do que eu sentia, trazendo-me de volta a uma análise "de fora", como se três microfilmes se somassem nalgo ainda em desenvolvimento/(re)construção. O que é inegável: há muita beleza e sensibilidade em cena. Competência técnica também! (WPC>)