Uma adolescente com sobrepeso, é intimidada por um grupo de garotas populares à beira da piscina enquanto está de férias em sua vila. A longa caminhada para casa mudará o resto de sua vida.
A brutalidade do cinema espanhol apresenta uma história de bullying, vingança e um pouco de gore, tudo na medida certa para não parecer gratuito e a resolução ainda que previsível é apropriada.
Eu achei que sabia exatamente para onde Piggy estava indo — e estava errada. Ele se apresenta como um horror rural sobre bullying, mas logo revela que quer brincar com coisas maiores — e mais tortas — do que um simples acerto de contas adolescente. Em vez da vingança previsível, o filme aposta numa relação ainda mais perturbadora: a de uma garota gorda, sempre à beira do colapso social, e um serial killer parrudo que surge como um perverso “anjo da guarda”. A atmosfera funciona, mas quando chega o momento de aprofundar o laço que deveria sustentar tudo… a trama engasga. Falta carne nessa relação — e olha que Piggy não economiza em sangue.
A grande sacada é justamente quebrar a expectativa inicial. Entramos esperando a velha história da “garota oprimida que encontra sua fúria” e recebemos algo muito mais incômodo: uma dinâmica quase silenciosa, quase sexual e completamente disfuncional. A cena da piscina já coloca tudo em outro território — a humilhação extrema, o cadáver submerso, o desespero de Sara — e, quando parece que o filme vai seguir por um caminho de retaliação, ele dobra a esquina e entrega um serial killer como peça central. É ousado, e funciona. O problema é o que o filme faz com isso depois.
Tecnicamente, ele acerta: a cidadezinha parece real, é bem filmado, o sangue tem textura. Sara, por sua vez, é um risco calculado. Uma protagonista que mistura vulnerabilidade extrema com um quê de caricatura — a dificuldade de se comunicar, a vergonha do próprio corpo, os gestos desajeitados, a relação atravessada com a mãe. É compreensível que o bullying tenha destruído qualquer traço de firmeza nela… mas às vezes o filme erra a mão e a transforma em uma personagem tão atrofiada socialmente que roça a paródia.
Onde realmente emperra é na relação entre ela e o assassino. A ideia é ótima: um psicopata que massacra quem faz mal a Sara, como se fosse uma espécie de Cupido com compulsão homicida. Só que o roteiro não sustenta. Eles quase não conversam, quase não se encaram, quase não existem enquanto dupla. Há tensão, há desejo, há medo… mas nada é desenvolvido de verdade. Fica tudo no “quase”: quase tóxico, quase romântico, quase simbiótico.
E aí chegamos ao final, onde Piggy abraça de vez o gore: sequestro, sangue, tiros, uma mão decepada, garotas berrando dentro de um galpão. É tudo bem filmado, intenso. Mas o clímax tropeça porque o que deveria ser o conflito principal — o confronto entre Sara e o assassino — nunca ganhou musculatura suficiente ao longo da trama. O filme tenta resolver isso com um banho de sangue, mas violência não substitui construção emocional. Não importa o quanto a protagonista se cubra de vermelho: o roteiro precisa pintar antes o que ela sente.
No fim, Piggy impressiona mais pela ousadia do desvio do que pela consistência do caminho. Tem coragem, tem textura, tem impacto — mas falta amarração. É como se a diretora quisesse dois filmes ao mesmo tempo: o drama íntimo da garota esmagada pelo mundo e o “quase” romance macabro entre vítima e algoz. O problema é que pega pouco de cada um e não se aprofunda em nenhum. A atmosfera rural e a violência gráfica seguram a experiência, mas a relação que deveria ser o coração da história é construída de maneira surpreendentemente… porca.
Achei um desserviço, uma sucessão de preconceitos sobre pessoas gordas. Claro que Sara era gorda porque não parava de comer - quando, na realidade, existem pessoas gordas que se alimentam saudavelmente, mas por condições genéticas ou até mesmo doença não conseguem emagrecer; assim como tem pessoas magras que se alimentam muito mal. Também achei péssimo ela ser uma pessoa burra mesmo, incapaz de abrir a boca pra se defender e tomar decisões por si própria.
Colocaram uma mulher de 35 anos pra ser uma adolescente, aí é foda, kkkkkkk. Conseguiu superar Smallville. E o filme é ruim, o primeiro ato é opressivo, mas vai ladeira abaixo. Achei que
A brutalidade do cinema espanhol apresenta uma história de bullying, vingança e um pouco de gore, tudo na medida certa para não parecer gratuito e a resolução ainda que previsível é apropriada.
Tinha tudo pra ser um filmaço mas escolheram o caminho mais sem graça possível. O final é decepcionante.
Eu achei que sabia exatamente para onde Piggy estava indo — e estava errada. Ele se apresenta como um horror rural sobre bullying, mas logo revela que quer brincar com coisas maiores — e mais tortas — do que um simples acerto de contas adolescente. Em vez da vingança previsível, o filme aposta numa relação ainda mais perturbadora: a de uma garota gorda, sempre à beira do colapso social, e um serial killer parrudo que surge como um perverso “anjo da guarda”. A atmosfera funciona, mas quando chega o momento de aprofundar o laço que deveria sustentar tudo… a trama engasga. Falta carne nessa relação — e olha que Piggy não economiza em sangue.
A grande sacada é justamente quebrar a expectativa inicial. Entramos esperando a velha história da “garota oprimida que encontra sua fúria” e recebemos algo muito mais incômodo: uma dinâmica quase silenciosa, quase sexual e completamente disfuncional. A cena da piscina já coloca tudo em outro território — a humilhação extrema, o cadáver submerso, o desespero de Sara — e, quando parece que o filme vai seguir por um caminho de retaliação, ele dobra a esquina e entrega um serial killer como peça central. É ousado, e funciona. O problema é o que o filme faz com isso depois.
Tecnicamente, ele acerta: a cidadezinha parece real, é bem filmado, o sangue tem textura. Sara, por sua vez, é um risco calculado. Uma protagonista que mistura vulnerabilidade extrema com um quê de caricatura — a dificuldade de se comunicar, a vergonha do próprio corpo, os gestos desajeitados, a relação atravessada com a mãe. É compreensível que o bullying tenha destruído qualquer traço de firmeza nela… mas às vezes o filme erra a mão e a transforma em uma personagem tão atrofiada socialmente que roça a paródia.
Onde realmente emperra é na relação entre ela e o assassino. A ideia é ótima: um psicopata que massacra quem faz mal a Sara, como se fosse uma espécie de Cupido com compulsão homicida. Só que o roteiro não sustenta. Eles quase não conversam, quase não se encaram, quase não existem enquanto dupla. Há tensão, há desejo, há medo… mas nada é desenvolvido de verdade. Fica tudo no “quase”: quase tóxico, quase romântico, quase simbiótico.
E aí chegamos ao final, onde Piggy abraça de vez o gore: sequestro, sangue, tiros, uma mão decepada, garotas berrando dentro de um galpão. É tudo bem filmado, intenso. Mas o clímax tropeça porque o que deveria ser o conflito principal — o confronto entre Sara e o assassino — nunca ganhou musculatura suficiente ao longo da trama. O filme tenta resolver isso com um banho de sangue, mas violência não substitui construção emocional. Não importa o quanto a protagonista se cubra de vermelho: o roteiro precisa pintar antes o que ela sente.
No fim, Piggy impressiona mais pela ousadia do desvio do que pela consistência do caminho. Tem coragem, tem textura, tem impacto — mas falta amarração. É como se a diretora quisesse dois filmes ao mesmo tempo: o drama íntimo da garota esmagada pelo mundo e o “quase” romance macabro entre vítima e algoz. O problema é que pega pouco de cada um e não se aprofunda em nenhum. A atmosfera rural e a violência gráfica seguram a experiência, mas a relação que deveria ser o coração da história é construída de maneira surpreendentemente… porca.
Achei um desserviço, uma sucessão de preconceitos sobre pessoas gordas. Claro que Sara era gorda porque não parava de comer - quando, na realidade, existem pessoas gordas que se alimentam saudavelmente, mas por condições genéticas ou até mesmo doença não conseguem emagrecer; assim como tem pessoas magras que se alimentam muito mal. Também achei péssimo ela ser uma pessoa burra mesmo, incapaz de abrir a boca pra se defender e tomar decisões por si própria.
Colocaram uma mulher de 35 anos pra ser uma adolescente, aí é foda, kkkkkkk. Conseguiu superar Smallville. E o filme é ruim, o primeiro ato é opressivo, mas vai ladeira abaixo. Achei que
a Sara ia sair matando todo mundo, ter outro assassino foi