Chungking Express é um romance disruptivo e um tanto melancólico, que nos tira dos moldes ocidentalizados que sequer percebemos carregar e expande a nossa percepção de como contar histórias.
Um ensaio hoje nostálgico sobre a solidão metropolitana de três décadas atrás, com o encanto de um mundo analógico pré-internet em plena globalização. Enquanto tudo acelera e há novas possibilidades por todos os cantos, os encontros parecem cada vez mais passageiros, com pessoas comuns tentando criar relações por suas próprias visões tortas sobre afeto, perda e desejo. Enquanto isso, o sonho americano aparece constantemente — seja num gole de Coca-Cola ou em California Dreamin’ no rádio — como válvula de escape para esse mundo em transformação.
Com uma estética atraente, caótica e íntima, o filme guarda cenas e frames visualmente memoráveis, especialmente envolvendo Faye Wong, em quem descobri uma presença cinematográfica tão magnética quanto a musical (sou fã). E talvez faça ainda mais sentido que tudo pareça tão espontâneo ao descobrir que o filme nasceu sem um roteiro fechado, sendo escrito e transformado durante as próprias filmagens.
A trilha sonora repetitiva e seu leve tom confuso podem incomodar, mas também carregam o charme de um mistério que faz a obra continuar na sua mente sem você saber exatamente o porquê e que te convida a revisitá-la futuramente.
Assistido de ontem pra hoje. É um filme meio complexo. Começa chato, mas melhora bastante quando Faye Wong e Tony Leung entram de vez na história. Leung como sempre excelente, e Wong aqui entrou pra aquela seleta lista de "atrizes mais lindas em um filme"! Primeiro dela que assisto. Mais uma beleza asiática que descubro.
Sobre o diretor Wong Kar Wai, segundo filme dele que vejo e fico com essa sensação de leve insatisfação diante do hype que me fez assistir. Mas uma coisa não posso negar: os filmes dele tem muitos momentos agradáveis de ver.
California Dreamin é uma música maravilhosa, e acho que agora vou passar alguns dias ouvindo ela sem parar. Além dela, descobrir Dreamlover, da própria Faye, também foi ótimo e é outra que já está na playlist. As cenas na lanchonete são ótimas, muito por conta do carisma dos dois protagonistas.
Só tem uma coisa que o filme me incomodou: a romantização da rejeição.
Ver o personagem do Tony Leung sorrindo pra mulher que fez ele sofrer e ainda pagar a conta dela foi bem irreal pra mim.
Sempre foi necessário muita disposição para se relacionar, mas neste século, essa necessidade multiplicou de tal modo que parece impossível tê-la. Saudade daquele mundo que o filme retrata e vive. Relacionamentos terminavam, mas logo tinhamos a esperança de novos "vôos". Já hoje...
Sabe aquela sensação de quando a gente come algo que gosta muito ou mesmo descobre um novo sabor? Esse filme traz uma sensação assim, de realização, se bem que eu gostaria de um nome específico para isso! Gostei das duas histórias, sentindo apenas, à primeira vista, que falta algo na primeira história, sendo a segunda, impecável.
Sintetiza bem o sentimento de solidão. Um homem que não supera o término do namoro e que no dia do seu aniversário sabe que não receberá a ligação de ninguém. Uma mulher que escuta música alta por não querer lidar com seus pensamentos... São apenas algumas nuances do roteiro dinâmico e natural que passeia por personagens desconexos da chamada "vida perfeita".
Além disso, o questionamento sobre tudo nesse mundo ter vencimento, ser líquido e naturalmente descartado com o passar do tempo.
Lindo, e com uma trilha sonora que fica na cabeça!
“Há alguma coisa nesse mundo que não expire?”
Chungking Express é um romance disruptivo e um tanto melancólico, que nos tira dos moldes ocidentalizados que sequer percebemos carregar e expande a nossa percepção de como contar histórias.
Um ensaio hoje nostálgico sobre a solidão metropolitana de três décadas atrás, com o encanto de um mundo analógico pré-internet em plena globalização. Enquanto tudo acelera e há novas possibilidades por todos os cantos, os encontros parecem cada vez mais passageiros, com pessoas comuns tentando criar relações por suas próprias visões tortas sobre afeto, perda e desejo. Enquanto isso, o sonho americano aparece constantemente — seja num gole de Coca-Cola ou em California Dreamin’ no rádio — como válvula de escape para esse mundo em transformação.
Com uma estética atraente, caótica e íntima, o filme guarda cenas e frames visualmente memoráveis, especialmente envolvendo Faye Wong, em quem descobri uma presença cinematográfica tão magnética quanto a musical (sou fã). E talvez faça ainda mais sentido que tudo pareça tão espontâneo ao descobrir que o filme nasceu sem um roteiro fechado, sendo escrito e transformado durante as próprias filmagens.
A trilha sonora repetitiva e seu leve tom confuso podem incomodar, mas também carregam o charme de um mistério que faz a obra continuar na sua mente sem você saber exatamente o porquê e que te convida a revisitá-la futuramente.
Assistido pela primeira vez em 10/09/2026
Assistido de ontem pra hoje. É um filme meio complexo. Começa chato, mas melhora bastante quando Faye Wong e Tony Leung entram de vez na história. Leung como sempre excelente, e Wong aqui entrou pra aquela seleta lista de "atrizes mais lindas em um filme"! Primeiro dela que assisto. Mais uma beleza asiática que descubro.
Sobre o diretor Wong Kar Wai, segundo filme dele que vejo e fico com essa sensação de leve insatisfação diante do hype que me fez assistir. Mas uma coisa não posso negar: os filmes dele tem muitos momentos agradáveis de ver.
California Dreamin é uma música maravilhosa, e acho que agora vou passar alguns dias ouvindo ela sem parar. Além dela, descobrir Dreamlover, da própria Faye, também foi ótimo e é outra que já está na playlist. As cenas na lanchonete são ótimas, muito por conta do carisma dos dois protagonistas.
Só tem uma coisa que o filme me incomodou: a romantização da rejeição.
Ver o personagem do Tony Leung sorrindo pra mulher que fez ele sofrer e ainda pagar a conta dela foi bem irreal pra mim.
Sempre foi necessário muita disposição para se relacionar, mas neste século, essa necessidade multiplicou de tal modo que parece impossível tê-la. Saudade daquele mundo que o filme retrata e vive. Relacionamentos terminavam, mas logo tinhamos a esperança de novos "vôos". Já hoje...
27.7.26
Sabe aquela sensação de quando a gente come algo que gosta muito ou mesmo descobre um novo sabor? Esse filme traz uma sensação assim, de realização, se bem que eu gostaria de um nome específico para isso! Gostei das duas histórias, sentindo apenas, à primeira vista, que falta algo na primeira história, sendo a segunda, impecável.
Pura melancolia.
Sintetiza bem o sentimento de solidão. Um homem que não supera o término do namoro e que no dia do seu aniversário sabe que não receberá a ligação de ninguém. Uma mulher que escuta música alta por não querer lidar com seus pensamentos... São apenas algumas nuances do roteiro dinâmico e natural que passeia por personagens desconexos da chamada "vida perfeita".
Além disso, o questionamento sobre tudo nesse mundo ter vencimento, ser líquido e naturalmente descartado com o passar do tempo.
Lindo, e com uma trilha sonora que fica na cabeça!
A cena do café em slow é Absolute Cinema