Fumiko está estagnada num relacionamento de quatro anos com Ryotaro. Eles são incapazes de concordar com alguma coisa ao fazer os planos. Até que Fumiko resolve experimentar outras coisas na vida.
"Chuva Repentina" já está na 'fase de ouro' do Mikio Naruse, marcada pelos filmes pós-"O Som da Montanha". Aqui, a direção de Naruse já se mostra madura e sofisticada o suficiente para contornar a estrutura tipicamente teatral do roteiro, e dar um ar cinematográfico a história da crise do casal composto por Setsuko Hara e Shuji Sano. Mais uma vez, Naruse trabalha o tema da insatisfação no casamento, se permitindo abordar esta através de óticas distintas (como a da sobrinha frustrada que acaba por ganhar um ponto de comparação ao observar o relacionamento desgastado da tia e do tio, ou a curiosa dinâmica que se estabelece entre os dois casais de vizinhos, cada um invejando o que o outro tem). Setsuko Hara, como sempre, é quem se destaca com sua capacidade expressiva tocante de sorrir com os lábios ao mesmo tempo que parece pedir socorro com os olhos, suas atuações sempre são de dilacerar o coração. No entanto, apesar disso há um certo lirismo e até mesmo um humor juvenil em "Chuva Repentina" que não é tão comum de se encontrar em outras obras do Naruse. Fazendo desta uma joia que se destaca na filmografia do cineasta por emitir um singelo brilho de esperança.
Mais um filme muito bom e tendo como pano de fundo o tema da maioria dos que consegui ver do Naruse, a inevitabilidade da opressão crescente - e o clima angustiante que somos testemunhas da rotina conjugal - devido ao papel desigual destinados a homens e mulheres no Japão pós-guerra. Longe de ser maniqueísta, definitivamente não é uma caracteristíca do Naruse, mas deixando claro a violenta situação que a mulher é relegada nas relações com o gênero oposto, mesmo quando vez por outras há boa intenção, vide "Nuvens Flutuantes". Um desfecho poético surpreendente, e até mesmo conciliador, mas não anuente como em alguns filmes, o que já cabe reavaliação pelos últimos que vi, confesso. Tudo que envolve o cachorro é muito bom, desde o deslocamento da potência de Fumiko a ele, quanto o efeito que descortina a relação de comunidade do local, aquilo poderia bem ser uma reunião de condomínio na sua pretensa padronização de hábitos e associações. Quase otimista se você acreditar no final, e se esquecer de tudo que passou antes, o que é bem difícil.
Chuva Repentina é um filme muito bom do Mikio Naruse, sustentado em especial pela atuação da excepcional atriz Setsuko Hara.
Como de costume, centrado na mulher, Chuva Repentina retrata a estagnação de um casal, recorrendo a algo interessante para explorar situações: o homem se sente atraído pela vizinha, e a mulher nutre simpatia pelo vizinho, e o casal vizinho também vive seus atritos.
Assim como a sobrinha da protagonista também vive um casamento infeliz, enfim, parece ser um questionamento ao casamento em geral, sob uma visão bastante pessimista do diretor, a despeito da catarse final.
Mais uma agradável descoberta que devo ao MIS (Museu da Imagem e do Som). Em "Chuva Repentina", Naruse demonstra uma clara influência de Ozu: uso da câmera baixa em diversas cenas, linguagem coloquial, etc. E, assim como em "A Rotina Tem Seu Encanto" de Ozu, apresenta um perfeito panorama acerca de como era viver no Japão dos anos 50. Porém, o que diferencia o trabalho de Naruse do seu conterrâneo, é a presença de um humor, quase que involuntário, dando leveza à trama; além de um ritmo mais ágil do que estamos habituados a ver no cinema japonês de caráter autoral. Em resumo, um ótimo filme!
Nesse o tema é a rotina do casamento...mantém o bom padrão.
"Chuva Repentina" já está na 'fase de ouro' do Mikio Naruse, marcada pelos filmes pós-"O Som da Montanha". Aqui, a direção de Naruse já se mostra madura e sofisticada o suficiente para contornar a estrutura tipicamente teatral do roteiro, e dar um ar cinematográfico a história da crise do casal composto por Setsuko Hara e Shuji Sano. Mais uma vez, Naruse trabalha o tema da insatisfação no casamento, se permitindo abordar esta através de óticas distintas (como a da sobrinha frustrada que acaba por ganhar um ponto de comparação ao observar o relacionamento desgastado da tia e do tio, ou a curiosa dinâmica que se estabelece entre os dois casais de vizinhos, cada um invejando o que o outro tem). Setsuko Hara, como sempre, é quem se destaca com sua capacidade expressiva tocante de sorrir com os lábios ao mesmo tempo que parece pedir socorro com os olhos, suas atuações sempre são de dilacerar o coração. No entanto, apesar disso há um certo lirismo e até mesmo um humor juvenil em "Chuva Repentina" que não é tão comum de se encontrar em outras obras do Naruse. Fazendo desta uma joia que se destaca na filmografia do cineasta por emitir um singelo brilho de esperança.
Mais um filme muito bom e tendo como pano de fundo o tema da maioria dos que consegui ver do Naruse, a inevitabilidade da opressão crescente - e o clima angustiante que somos testemunhas da rotina conjugal - devido ao papel desigual destinados a homens e mulheres no Japão pós-guerra. Longe de ser maniqueísta, definitivamente não é uma caracteristíca do Naruse, mas deixando claro a violenta situação que a mulher é relegada nas relações com o gênero oposto, mesmo quando vez por outras há boa intenção, vide "Nuvens Flutuantes". Um desfecho poético surpreendente, e até mesmo conciliador, mas não anuente como em alguns filmes, o que já cabe reavaliação pelos últimos que vi, confesso. Tudo que envolve o cachorro é muito bom, desde o deslocamento da potência de Fumiko a ele, quanto o efeito que descortina a relação de comunidade do local, aquilo poderia bem ser uma reunião de condomínio na sua pretensa padronização de hábitos e associações. Quase otimista se você acreditar no final, e se esquecer de tudo que passou antes, o que é bem difícil.
Chuva Repentina é um filme muito bom do Mikio Naruse, sustentado em especial pela atuação da excepcional atriz Setsuko Hara.
Como de costume, centrado na mulher, Chuva Repentina retrata a estagnação de um casal, recorrendo a algo interessante para explorar situações: o homem se sente atraído pela vizinha, e a mulher nutre simpatia pelo vizinho, e o casal vizinho também vive seus atritos.
Assim como a sobrinha da protagonista também vive um casamento infeliz, enfim, parece ser um questionamento ao casamento em geral, sob uma visão bastante pessimista do diretor, a despeito da catarse final.
Mais uma agradável descoberta que devo ao MIS (Museu da Imagem e do Som). Em "Chuva Repentina", Naruse demonstra uma clara influência de Ozu: uso da câmera baixa em diversas cenas, linguagem coloquial, etc. E, assim como em "A Rotina Tem Seu Encanto" de Ozu, apresenta um perfeito panorama acerca de como era viver no Japão dos anos 50. Porém, o que diferencia o trabalho de Naruse do seu conterrâneo, é a presença de um humor, quase que involuntário, dando leveza à trama; além de um ritmo mais ágil do que estamos habituados a ver no cinema japonês de caráter autoral. Em resumo, um ótimo filme!