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Data de lançamento
26 Abril 1978O seriado apresenta dramas, conflitos, sonhos e dificuldades de relacionamento vividos por quatro jovens no final da década de 1970.
Quatro jovens dividem um pequeno apartamento no Leblon, na zona sul do Rio de Janeiro. Eles têm personalidades e histórias de vida muito diferentes, mas sonhos e necessidades parecidas. Acabam desenvolvendo uma forte amizade e passam a apoiar uns aos outros. Seus dramas, conflitos, sonhos e dificuldades de relacionamento são a matéria-prima das histórias apresentadas a cada episódio de Ciranda Cirandinha, desenhando um painel do comportamento dos jovens do final da década de 1970, desiludidos e em conflito com as gerações anteriores.
Tatiana (Lucélia Santos) é uma jovem viva e inteligente, que sai de casa em busca de independência e acreditando que a distância ajudaria a melhorar seu relacionamento com os pais, ricos e controladores. Para se sustentar, ela trabalha como garçonete em um restaurante especializado em comida natural. Também dá aulas de balé para crianças, o que pode ajudá-la a realizar o sonho de se tornar coreógrafa profissional. É uma moça sensível e pacífica, que funciona como o cérebro da casa.
Hélio (Fábio Jr.) é paulista, de família pobre, da região do ABC. Deixou a família quando tinha 14 anos e trabalhou como estivador, mecânico e vendedor de livros, até decidir se dedicar à sua maior paixão: a música. Enquanto acompanha cantores famosos em shows noturnos, sonha gravar um disco e iniciar sua carreira como cantor de rock. Apesar do bom caráter, vez ou outra se mete em confusões por ser mulherengo.
Susana (Denise Bandeira) é uma carioca de Madureira, na zona norte do Rio, que trabalha desde cedo para sobreviver. É a melhor aluna da faculdade de Psicologia e, enquanto não se forma, estagia em um hospital psiquiátrico e dá aulas de História para adolescentes. É a mais culta dos quatro amigos e a que tem o temperamento mais instável.
Reinaldo (Jorge Fernando) é um jovem de classe média alta. Sai de casa por não conseguir dialogar com seus pais, por quem é mimado e, ao mesmo tempo, incompreendido. Cursa o último ano de Comunicação Social, mas não consegue estágio na área. Ganha a vida como programador de computadores. É o mais jovem, inexperiente e romântico dos quatro amigos.
A Censura:
Alguns temas abordados em Ciranda Cirandinha – drogas e amor livre, por exemplo – levaram a Censura Federal a exigir o corte de diversas cenas do seriado. A dependência química do personagem Joel (Eduardo Tornaghi) foi tratada de maneira velada por conta da pressão dos censores, que, por pouco, não impediram o episódio O Jardim Suspenso da Babilônia de ir ao ar. Para que o primeiro episódio fosse exibido, Daniel Filho e o escritor Euclydes Marinho – que acabara de entrar para a equipe de roteiristas da TV Globo – foram obrigados a negociar pessoalmente com os censores, em Brasília.
Outro episódio, intitulado O Freje, mostraria os desdobramentos da relação turbulenta entre Tavito (Anselmo Vasconcellos), um rapaz violento e desesperado, com a família e os amigos. O episódio falaria do cotidiano violento do Rio de Janeiro e lembraria, indiretamente, o caso da estudante Cláudia Lessin Rodrigues, ocorrido há pouco mais de um ano. Dessa vez, os censores foram implacáveis, e O Freje acabou não indo ao ar.
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10.05.1985
Aqui sim temos um seriado sobre jovens para jovens e que mesmo sofrendo ações da censura, conseguiu contar uma história de maneira mais crível e se aprofundar no seus temas (ainda que dentro do possível). Melhor que muita temporada boba de Malhação, que mesmo vivendo em tempos de liberdade de expressão, ainda insiste nas tramas infantis de adolescentes irreais e que raramente discute assuntos importantes (quando discute, muitas vezes são de maneira rasa), salvo raras exceções, como a aclamada Viva a Diferença, encabeçada pelo grande Cao Hamburguer.
Facilmente umas das melhores produções já feitas pela Globo. Teledramaturgia de alta qualidade elaborada por cineastas como Domingos de Oliveira e Antônio Carlos da Fontoura. Elenco inspirado, onde se destaca a força de Lucélia Santos - o que faz lamentar a sua ausência tão longa e estranha da televisão. É como uma cápsula do tempo, que registrou as gírias, músicas, o vestuário e o comportamento de uma geração que foi educada sob o regime militar, que herdava um país cada vez mais debilitado economicamente e com grandes dilemas sociais mal resolvidos, embora o foco aqui seja o conflito de gerações e os ecos da revolução sexual. Não me espanta que Ciranda, Cirandinha não tenha alcançado sucesso em 1978, porque além de seus problemas demasiado pequeno burgueses, era uma obra extremamente bairrista, extremamente carioca e audaciosa em seus assuntos.
É o retrato completo da juventude dos anos 70, traz os conflitos de geração criados sob o regime da ditadura militar, os valores da época e seus questionamentos.