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Louise Cardoso

Nomes Alternativos: Louise Ferreira Cardoso

74Número de Fãs

Nascimento: 17 de Abril de 1954 (63 years)

Rio de Janeiro, Rio de Janeiro - Brasil

Própria da geração formada pelo O Tablado, Louise Cardoso projeta-se, na cena carioca nos anos 70 e 80, em papéis cômicos e sagazes. Líder do Diz-Ritmia, remanescente dos grupos de criação coletiva dos anos 70.

Estuda letras na Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ, teatro com Maria Clara Machado n'O Tablado, dança com Graciela Figueiroa e canto com Maria Lourdes Cruz Lopes. Como amadora, revela-se n'O Tablado, onde a partir de 1971 faz alguns papéis e brilha interpretando um sedutor gato em O Dragão, de Eugène Schwartz, 1975. Estreia profissionalmente em Quarteto, de Antônio Bivar, 1976, último trabalho de Ziembinski, onde faz o papel de jovem namorada do venerado mestre. Entre seus desempenhos subsequentes destacam-se: Beco de Brecht, coletânea de peças curtas de Bertolt Brecht, 1977; Feira Livre, de Plínio Marcos, 1979; O Beijo da Louca, de Doc Comparato, um exigente e elogiado desempenho como protagonista, e o musical Village, de Ira Covens, 1981; A Mente Capta, de Mauro Rasi, 1982. Em Besame Mucho, de Mario Prata, 1983, obtém grande comunicabilidade em uma composição cômica baseada em sensualidade provocante. Em 1985, atua em Um Bonde Chamado Desejo, de Tennessee Williams, e, no ano seguinte, em A Divina Chanchada, de Vicente Pereira.

Durante alguns anos, Louise Cardoso está à frente de um jovem conjunto de criação coletiva, o grupo Diz-Ritmia, com o qual pesquisa uma linguagem pessoal de espetáculo, substituindo a palavra pela expressão corporal, a mímica, a sonoplastia e o ritmo frenético que conduz a energia dos jovens atores. Para o Diz-Ritmia, ela dirige: Diz-Ritmia e Diz-Ritmia II, 1980; Atrás da Trouxa, 1981; e Oh, Krisis, 1982. Os dois primeiros espetáculos têm como linha temática, estruturada em esquetes, a violência de todas as espécies. No programa, o grupo agradece à Censura Federal e aos terroristas ligados às bombas que, na época, vinham estourando em bancas de jornal em que se vendiam publicações de esquerda, "por terem cedido material tão ridículo e lamentável para trabalharmos". Na linha de teatro de grupo que atravessa os anos 70, o Diz-Ritmia cria e produz seus próprios espetáculos com o mínimo de recursos, apoiando-se principalmente na teatralidade física do ator.

A partir da segunda metade dos anos 80, Louise Cardoso se dedica cada vez mais, e com crescente sucesso, ao cinema; e trabalha com alguma regularidade na TV. No cinema, encarna Leila Diniz no filme Leila e, na televisão, se torna conhecida pelo programa TV Pirata, em que, com um grupo de atores cômicos, tem espaço para criar os quadros em que atua com seu humor particular. Leciona interpretação n'O Tablado e escolas de ensino básico. Em 1994, produz Navalha na Carne, de Plínio Marcos, ao lado de seu parceiro de vários trabalhos, Diogo Vilela, sob a direção de Marcus Alvisi. Para interpretar a prostituta Neusa Sueli, a atriz frequenta a Vila Mimosa e, durante a temporada, faz uma sessão com 50 prostitutas convidadas. No ano 2000, produz e atua em A Rosa Tatuada, de Tennessee Williams. Volta à cena como produtora e protagonista de Sílvia, de A. R. Gurney, 2002, em que interpreta uma cadela. Em 2003, é dirigida por Cibele Forjaz em O Acidente, de Bosco Brasil.

Segundo o crítico e pesquisador Yan Michalski, "Louise Cardoso é uma expoente da geração de atrizes surgida nos anos 70: um virtuosístico domínio corporal é a base do seu código interpretativo, também marcado por um humor agressivo e frequentemente na fronteira do deboche. Uma presença cênica sedutora e uma aguçada intuição que lhe permite evoluir equilibradamente da comédia rasgada, na qual se sente mais à vontade, à pesada dramaticidade de O Beijo da Louca completam o perfil de uma atriz que, aos 36 anos de idade, defende com muita vibração o seu lado adolescente".