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Um grupo de pessoas se reúne em um bar de Ipanema que está prestes a fechar a fim de dar lugar à construção de um edifício. Intelectuais, artistas e gente da noite juntam forças para impedir sua demolição. Entre os muitos fregueses do bar estão a atriz Ana, seu marido Zeca e um casal que está sempre brigando.
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Há filmes que funcionam como documentos de uma época e há filmes que funcionam como espelhos — Bar Esperança tem a rara e insolente capacidade de ser os dois ao mesmo tempo. Situado num bar de Ipanema à beira do fechamento, o filme de Hugo Carvana constrói uma celebração ruidosa, embriagada e surpreendentemente lúcida do Brasil que ensaiava sair da ditadura sem saber muito bem para onde ia. O bar não é apenas um cenário: é uma metáfora viva do próprio cinema nacional, ameaçado de demolição para dar lugar a algo mais lucrativo e mais vazio — uma shopping center de almas. Carvana opera com símbolos com a elegância de quem pede mais uma rodada sem fazer alarde, e o resultado é uma obra que ri de si mesma enquanto chora por dentro, como toda boa alma brasileira que se preze.
Marília Pêra entrega uma das performances mais deslumbrantes da história do cinema nacional. Ana é uma atriz aprisionada pela fama de vilã de novela, odiada nas ruas e adorada nas audiências, e Pêra navega essa contradição com uma generosidade cômica e uma profundidade emocional que o roteiro não precisaria ter pedido, mas ela entregou assim mesmo. O problema — e aqui a sarcasmo é necessário — é que o filme é o retrato fiel de uma boemia intelectualizada, predominantemente branca e de classe média alta de Ipanema. A resistência que ele celebra é real, mas é uma resistência que ocorre entre chopps e citações culturais, enquanto o Brasil negro e periférico simplesmente não existe naquelas mesas. Não é um pecado exclusivo de Carvana: é o pecado estrutural de toda uma geração de cineastas que confundiu “Rio de Janeiro” com “Zona Sul”.
chaaaato
Efervescência oitentista, adorei!
Que filme delicioso. A Marilia e o Carvana estão tão bem e tao lindos. Todo o elenco de apoio vai se tornando em maravilhosas surpresas. A Marília faz muita falta. São difíceis fazer filmes como esses hoje em dia. Captar essa essência
Bar esperança é um filmaço!!
E que elenco, hein ?