Um dia surrealista na vida de Dante (Brian O’Halloran), um balconista de loja de conveniência que vive às voltas com duas namoradas, um colega cínico e uma série de excêntricos clientes.
Uma obra bem despretensiosa que aos poucos vai te cativando, fazia tempo que eu não dava tanto risos em um filme. Uma comédia em preto e branco com um humor genuinamente engraçado, tem textos e diálogos inteligentes, no filme acompanhamos o dia de um balconista que não devia estar ali mas devido aos fatores externos teve que trabalhar em seu dia de folga, o filme brinca com situações que acontecem no dia dia que parando pra pensar beira o ridículo entretanto visto como uma pequena "crítica" torna o momento cômico e inusitado, as características dos personagens e suas percepções faz a diferença, por mais que o filme seja engraçado o final beira a "melancolia" é um pouco triste, a frase "nem era pra mim estar aqui hoje" me deixou reflexivo.
Esse foi bom, com piadas e diálogos divertidos, e como as histórias e acontecimentos se entrelaçam para mim é a cereja do bolo nesse filme. Clerks apresenta esse humor cotidiano que Kevin Smith conduz tão bem, criando situações absurdas dentro de uma rotina que deveria ser completamente ordinária. E é justamente nesse cenário que a dinâmica entre Randall (Jeff Anderson) e Dante (Brian O’Halloran) se destaca: Randall e Dante formam uma boa dupla que se completa, explorando o contraste entre o funcionário que simplesmente não liga para nada e o outro que tenta, desesperadamente, manter algum senso de normalidade.
Ao longo do filme, esse contraste também se reflete no relacionamento, digamos, duplo de Dante com Veronica (Marilyn Ghigliotti) e Caitlin (Lisa Spoonauer), que, aliás, ambas são belíssimas.
Porém, só senti falta de alguma resolução mais definida nesse ponto, já que o roteiro flerta com esses conflitos emocionais e promete algo maior, mas acaba deixando certas tensões pessoais em aberto.
Outro aspecto interessante é a presença de Jay (Jason Mewes) e Silent Bob (Kevin Smith), que quase não aparecem, mas já fazem parte da cultura pop de maneira praticamente indissociável do universo do diretor. E mesmo com pouquíssimo tempo em tela, Silent Bob, apesar de não falar nada ou quase nada o filme inteiro, na hora em que abre a boca dá um conselho muito útil, funcionando quase como um momento de sabedoria inesperada dentro do caos.
Vale mencionar também que o filme só existe em preto e branco — algo que, inicialmente, pode parecer uma escolha estilística, mas que nasceu principalmente das limitações de orçamento de Kevin Smith. Ao procurar versões coloridas, realmente não se encontra, e apesar de eu ter ouvido que existiria alguma conversão, oficialmente o longa permanece apenas em preto e branco. Curiosamente, isso acabou contribuindo para a identidade visual do filme, reforçando seu clima indie dos anos 90 e conferindo um charme próprio que o destaca de outras produções semelhantes.
No fim das contas, foi bom, mas poderia ser melhor por motivos já citados: algumas resoluções narrativas ficam pendentes e certos elementos parecem prometer mais do que entregam. Ainda assim, O Balconista é um filme singular, marcado por diálogos afiados, personagens carismáticos e um espírito independente que se mantém vivo até hoje.
Lisa Spoonauer, que interpreta Caitlin, infelizmente faleceu em 2017, o que dá um toque ainda mais melancólico ao revisitar o filme e lembrar da presença marcante que ela teve, mesmo com uma carreira curta.
Uma obra bem despretensiosa que aos poucos vai te cativando, fazia tempo que eu não dava tanto risos em um filme. Uma comédia em preto e branco com um humor genuinamente engraçado, tem textos e diálogos inteligentes, no filme acompanhamos o dia de um balconista que não devia estar ali mas devido aos fatores externos teve que trabalhar em seu dia de folga, o filme brinca com situações que acontecem no dia dia que parando pra pensar beira o ridículo entretanto visto como uma pequena "crítica" torna o momento cômico e inusitado, as características dos personagens e suas percepções faz a diferença, por mais que o filme seja engraçado o final beira a "melancolia" é um pouco triste, a frase "nem era pra mim estar aqui hoje" me deixou reflexivo.
24/04/26 (inglês)
Esse foi bom, com piadas e diálogos divertidos, e como as histórias e acontecimentos se entrelaçam para mim é a cereja do bolo nesse filme. Clerks apresenta esse humor cotidiano que Kevin Smith conduz tão bem, criando situações absurdas dentro de uma rotina que deveria ser completamente ordinária. E é justamente nesse cenário que a dinâmica entre Randall (Jeff Anderson) e Dante (Brian O’Halloran) se destaca: Randall e Dante formam uma boa dupla que se completa, explorando o contraste entre o funcionário que simplesmente não liga para nada e o outro que tenta, desesperadamente, manter algum senso de normalidade.
Ao longo do filme, esse contraste também se reflete no relacionamento, digamos, duplo de Dante com Veronica (Marilyn Ghigliotti) e Caitlin (Lisa Spoonauer), que, aliás, ambas são belíssimas.
Porém, só senti falta de alguma resolução mais definida nesse ponto, já que o roteiro flerta com esses conflitos emocionais e promete algo maior, mas acaba deixando certas tensões pessoais em aberto.
Outro aspecto interessante é a presença de Jay (Jason Mewes) e Silent Bob (Kevin Smith), que quase não aparecem, mas já fazem parte da cultura pop de maneira praticamente indissociável do universo do diretor. E mesmo com pouquíssimo tempo em tela, Silent Bob, apesar de não falar nada ou quase nada o filme inteiro, na hora em que abre a boca dá um conselho muito útil, funcionando quase como um momento de sabedoria inesperada dentro do caos.
Vale mencionar também que o filme só existe em preto e branco — algo que, inicialmente, pode parecer uma escolha estilística, mas que nasceu principalmente das limitações de orçamento de Kevin Smith. Ao procurar versões coloridas, realmente não se encontra, e apesar de eu ter ouvido que existiria alguma conversão, oficialmente o longa permanece apenas em preto e branco. Curiosamente, isso acabou contribuindo para a identidade visual do filme, reforçando seu clima indie dos anos 90 e conferindo um charme próprio que o destaca de outras produções semelhantes.
No fim das contas, foi bom, mas poderia ser melhor por motivos já citados: algumas resoluções narrativas ficam pendentes e certos elementos parecem prometer mais do que entregam. Ainda assim, O Balconista é um filme singular, marcado por diálogos afiados, personagens carismáticos e um espírito independente que se mantém vivo até hoje.
Lisa Spoonauer, que interpreta Caitlin, infelizmente faleceu em 2017, o que dá um toque ainda mais melancólico ao revisitar o filme e lembrar da presença marcante que ela teve, mesmo com uma carreira curta.
Assistido em 22/11/2025
Divertidíssimo! O cliente nunca tem razão
Pai do the office