No início da década de 1940, a história começa no inverno. Um trem com uma família de judeus passava próximo à uma floresta, quando a eles resolvem deixá-lo. Perdendo-se na floresta, a família separa-se, e a mãe e esposa Rosa consegue abrigo com Leon, fazendeiro rígido dos arredores. Os dois fazem um trato de ajuda mútua para encontrar a família perdida.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Como pode um filme tão triste ser tão bom. Incrível como é retratada a dualidade dos sentimentos de Leon. Enfim, um filme para ver e se emocionar. Nota 8,0.
A cineasta polonesa Agnieszka Holland ficou conhecida internacionalmente por este filme duro e sombrio passado durante a Segunda Guerra Mundial, indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Este Colheita Amarga (Bittere Ernte, 1985) aborda a questão do anti-semitismo, da perseguição e do extermínio de judeus pelos nazistas nos territórios controlados por eles na Europa, temas recorrentes em sua filmografia, especialmente nos filmes Filhos da Guerra (Europa, Europa, 1990), indicado ao Oscar de Melhor Roteiro, e o meu preferido Na Escuridão (W ciemności, 2011), também indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.
O filme, estrelado pelo grande Armin Mueller-Stahl (Coronel Redl, Muito mais que um Crime, Shine) acompanha a crise moral e de identidade pela qual o polones Leon Wolny, que abandonou o sonho de ser padre para cuidar da granja da família após a morte do pai, passa ao tentar esconder uma mulher judia, Rosa Eckart, que conseguiu fugir de um trem que levava prisioneiros dos guetos de Varsóvia para os campos de concentração.
No entanto, fugindo do lugar comum desse tipo narrativa histórica já tão explorada pelo cinema em filmes de países e diretores tão diversos, Agnieszka vai fundo ao explorar a falta de escrúpulos desse suposto herói, que abusará de forma mesquinha de sua prisioneira. Cabe aqui notar que esta, interpretada por Elisabeth Trissenaar, apesar de resistir no início, aos poucos cederá, o que pode revelar, ao meu ver, uma ''Síndrome de Estocolmo'', na medida em ela se torna vítima desse algoz travestido de herói e mesmo assim se afeiçoa a ele.
O final é impactante e após a última cena, na qual o protagonista recebe uma carta, a indagação que o filme nos deixa é a seguinte: será que todas essas histórias de pessoas que, por alguma razão foram alçadas a figuras heróicas, fazem realmente jus a este título? Será que estes supostos heróis são mesmo exemplos de moralidade e de humanidade? Eis a questão.
eu ri.
Belo filme, mas triste!!
Acho que é o terceiro ou quarto filme que assisto dessa cineasta e embora não esperasse muito desse, surpreendi-me. Há uma filosofia por trás que é de matar. Vai muito além do tema do holocausto, nazismo e etc. O filme toca no ponto da hipocrisia, da aparência. É um tapa na cara de quem se acha bom por ajudar.
Fico imaginando a recepção desse filme na época em que a ferida estava ainda mais aberta na Europa, com muitas pessoas ainda vivendo em apartamentos de judeus mortos. Essa diretora tem coragem, viu. Deve ter sido execrada. Ainda mais que ela também não poupa o lado negro das próprias vítimas.