Últimas opiniões enviadas
Um filme que aborda a dificuldade ou impossibilidade do homem "macho hétero" de elaborar (mo sentudo psicanalítico mesmo, que se dá, primordialmente, por meio da palavra), seus sentimentos, especialmente suas frustrações, depecpções e angústicas. Incapacidade que deságua tanto numa incomunicabilidade (consigo, com suas parceiras, com outros homens), que impede - ou impõem obstáculos - a construção de vínculos genuínos (novamennte: consigo, com suas parceiras, com outros homens); e deságua também em violências, que são válvula de escape para esses sentimentos recalcados e não-elaborados.
Incomunicabilidade que fica expressa na dificuldade desses homens de manter um diálogo fluido e mais profundo, ficando sempre apenas na superfície, por meio de frases feitas e monossilábicos. Violências que se manifestam na suas relações com outros homens, especialmente aqueles que são vistos como concorrentes no campo afetivo-sexual (isto é, os outros parceiros das parceiras mulheres que eles não conseguiram manter e cujos términos eles não conseguem aceitar). Essas, explicitadas a todo tempo nas cenas de ação do filme, revelam a mentalidade de homens que concebem a mulher apenas como objeto de posse instransferível, deprovida de querer e de autonomia. Quando perguntados do motivo de não procurarem outra mulher, eles respondem que é muito difícil, afinal, a conqusita exige uma certa cpacidade de estabalecer vinculos e conexões com o outro- algo que eles tem dificuldade de performar.
Mas também violências com eles mesmos, pois o que se vê são homens que o machismo e o patricarcado tornaram tão incapazes de viver sozinhos, de serem autônomos, tão incapazes de viver sem a dependencia de uma mulher para cozinhar, lavar, arrrumar a casa, que praticamente retrocendem a um estado de semi-civilidade ou pré-civilização (haja visto as suas casas, sujas, precárias, onde se come na panela na qual se cozinhou e não se usa prato).
Violência também com suas parceiras - mas esta o filme deixa apenas subentendida - que abandonam esses homens que não são capazes de ama-las de verdade ou se se conectar intimamente para além do sexo, pois apenas as vêem como uma utilidade ou necessidade: "vou na cidade procurar uma mulherzinha para me fazer companhia".
Em suma: o machismo e o patriarcado são danosos para homens e mulheres e precisam ser indubitavelmente combatidos, destruídos, extintos, erradicados.
Como já foi apontando abaixo por outro comentarista, para mim, o único problema do filme reside na escolha ou na preparação de uma parte do elenco (Ângelo Antônio, Antonio Pitanga, Babu Santana, Daniel Porpino), cujo falar destoa muito dos outros personagens e do que seria o falar comum daquela região onde o filme se passa. Por outro lado, Rodger Rogério entrega um atuação magistral e verossímil, na qual ele consegue emergir tão intensamente no seu personagem, que fica dificil não crer que ele não seja ele de fato.
Últimos recados
Dica de serie de TV que é Fantástico: HOMELAND (2011-2020). Assista que você vai viciar.
O Guia Pervertido da Ideologia
http://canalcurta.tv.br/series/serie.aspx?serieId=556
O Guia Pervertido do Cinema
http://vimeo.com/34768645
http://vimeo.com/35104283
http://vimeo.com/35100202
Alguns PDFs sobre IDEOLOGIA pra vocês começarem a entender o assunto:
https://www.scielo.br/pdf/ea/v26n75/25.pdf
https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/388158/mod_resource/content/1/Texto%2014%20-%20O%20que%20%C3%A9%20ideologia%20-%20M.%20Chau%C3%AD.pdf
/media/accounts/photos/2016/01/1576f7a1-f8e2-43cd-a834-dc42e04e3f1e.jpg)
De muitas coisas muito legais que esse filme tem, a que mais merece destaque é o fato de que, lá em 1929, ele já estava muito à frente do cinema norte-americano, na forma como retrata a mulher. Aqui, em O Velho e o Novo, temos uma protagonista feminina, Mafra, cuja história não gira em torno de um interesse romântico, como é tão comum no cinema de influencia hollywoodiana até hoje. Pelo contrário! Ela é uma mulher do campo sofrida, que um dia, cansada da exploração e da desigualdade, decidir mudar o rumo de sua vida e, por consequência, o de sua comunidade. Não sem antes enfrentar - e vencer - a resistência patriarcal. A cena em que ela tenta convencer os membros da cooperativa de leite a não repartirem entre si o dinheiro, que seria gasto pelos homens com bebida, é exemplar nesse sentido. Apesar de velho (pois foi lançado há exatos 97 anos), ele ainda é novo, atual e pertinente nessa escolha ousada de construção de sua protagonista. Alias, essa característica era uma constante na produção cultural e artística soviética do período, não apenas no cinema, mas também na publicidade, e pela internet é fácil encontrar compilações que comparam o modo com a mulher era retratda em peças publicitárias nos EUA e na URSS. A diferença é gritante!