Compasso de Espera

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Compasso de Espera (1969)
Compasso de Espera
Média do filme: 4.3 de 5 — baseado em 175 votos
MÉDIAFILMOW
4.3
175 Avaliações
Minha avaliação:
Salvando
Dirigido por Antunes Filho
País de origem Brasil 🇧🇷
Duração 98 min (1h38)
Status Streaming

Dirigido por

Duração

98 minutos
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Sinopse

O poeta e publicitário Jorge de Oliveira é apadrinhado por Dr. Macedo Alves, ex-patrão de sua mãe, tem uma vida confortável, bem diferente da maioria dos negros. O protagonista vivencia inúmeras situações de preconceito, inclusive por parte dos amigos. Vive completamente afastado da família de origem humilde, da qual parece ter vergonha. O filme é inovador porque, embora seja uma ficção, traz à cena questões profundas relacionadas ao preconceito contra os negros no Brasil, discute a temática que era pungente na década de 1970 e continua atual até nossos dias.

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VisionQuest

Comentários 0
amigos querem ver
edpersona
Ed Persona
6 meses atrás

Ótimo filme e ótima ferramenta argumentativa contra os que dizem que não existe racismo estrutural!
Zózimo Bulbul era um grande ator!

infeto
InFeto
10 meses atrás

O filme é bom pra caralho., e eu poderia passar o resto da minha vida apreciando a beleza da Renée de Vielmond

eliezerluga
Eliezer
½
10 meses atrás

Se por um lado o discurso antirracista segue atual também é possível notar que o mesmo discurso já está sendo repetido há mais de 50 anos e pelo andar da carruagem seguirá por mais 50. Me estranhou um pouco que começa-se discutindo a existência de um racismo velado ao qual eu concordo e culmina em um racismo brutal (este eu nunca presenciei) , alias em uma cena muito chocante e bem realizada na praia. O panfletarismo militante me cansa mas a cinematografia com aquela aura sessentista brasileira é linda.

jhowsaint
Jônathas Sant'Ana
1 ano atrás

Esse filme me fez refletir sobre um discurso que temos na escola de roteiro: a máxima "mostre, não conte". Aqueles de nós que procuramos esses filmes fora do circuito famoso pra ver, os tais "cinéfilos" e, no meu caso, profissionais e estudiosos do audiovisual, estamos acostumados com essa retórica. Inclusive, quando um filme trata de questões sociais, especialmente males estruturais com séculos ou milênios de idade, incrustrados no nosso DNA cultural, costuma-se dizer que "quanto menos panfletário, melhor".

"Compasso de Espera" foge desses padrões de uma forma desconcertante. O filme está carregadíssimo de falas, frases e monólogos extremamente diretos sobre a questão racial, e pode ser fácil julgá-lo (como fiz nos primeiros minutos de filme) como "panfletário" e "expositivo demais". Mas há alguns pontos a se considerar:

1 - o "mostre, não conte" nem sempre faz parte das regras do cinema brasileiro (especialmente o politizado) e isso não é necessariamente ruim. É como aceitar que no cinema oriental, como no cinema de ação de Tollywood, Bollywood ou Hong Kong, a ação não precisa (e nem deve) tentar obedecer as regras de física do mundo natural, como na ação de Hollywood. Aqui nós explicamos. E, para além desse jeito falador brasileiro de fazer filme, também existe outra camada;

2 - há assuntos que precisam ser explicados para uma audiência que não é bem educada nele. O maior soco no estômago que esse filme me deu foi o quão atual ele é. Em diversas discussões. E me deu um mal estar de pensar que tão pouco melhorou desde então. Tão pouco, inclusive, que até hoje é uma raridade filmes brasileiros que tratam dessa temática com tanta clareza. E se hoje, muitas questões explicitadas no diálogo do filme, ainda não foram absorvidas por uma grande parte da população — para nosso infortúnio —, imagine em 1969, que foi quando o filme foi rodado?

3 - aqui entra o motivo de eu considerar desconcertante a forma com que "Compasso de Espera" foge dessa "fórmula" de roteiro do "mostre, não conte": ele conta muita coisa enquanto mostra outras e faz isso de uma forma GENIAL. A maioria dos discursos "ditos" do filme estão num espaço básico de discussão racial: existe ou não racismo no Brasil? trazemos ou não a discussão racial dos Estados Unidos para cá? qual abordagem de luta adotaremos: integracionista ou separatista? violenta ou pacífica? individual ou coletiva? Tudo isso é abordado nos diálogos do filme. Mas é no subtexto, no não dito que se encontram as questões mais profundas de todas.

É na cinematografia, na direção de arte, no enquadramento e até no elenco em si, que vemos que, o espaço de privilégio habitado pelo protagonista, Jorge, o diminui o tempo inteiro. Apesar do filme ser em preto e branco, os espaços que Jorge habita são explicitamente brancos — as paredes, as pessoas. Ele geralmente é o contraste nesses lugares. Até as roupas que Jorge veste são claras, exceto em momentos específicos onde esse mundo de cristal quebrável que ele conquistou se racha.

Os envolvimentos amorosos e sexuais de Jorge, incluindo a trama principal de romance — que, espertamente, se utiliza de uma linguagem de filmes de romance extremamene açucarados, é quase ingênua — todos também exploram a solidão da pessoa negra, a hiperssexualização e exploração do corpo negro. E mesmo esse doce romance chega num ápice que nos soca o estômago de uma maneira brutal e pesada que me pegou desprevenido. A maneira com que Jorge se comporta (e também a câmera) quando está com seus amigos negros e sua família e quando está em seu ambiente de privilégio é diferente. Há uma mensagem explícita sobre a forma de uma pessoa negra transitar na sociedade. E não há uma palavra explícita dita sobre esses temas no filme.

"Compasso de Espera" é o nome do livro que Jorge lança logo no início do filme, e do impactante poema homônimo que ele recita na TV. O termo vem do universo da música: é como se chama o período em que um instrumento precisa esperar sua vez para tocar. E a vida do Jorge parece um constante compasso de espera. Esperamos, como ele espera, que em algum momento, todas as suas conquistas vão desaguar em um momento onde ele finalmente estará em pé de igualdade com os brancos pelos quais Jorge tem um respeito quase involuntário — algo que ele mesmo aponta no início do filme ao citar uma frase do Millôr.

Jorge é um homem fragmentado. Uma representação do que Frantz Fanon chamaria experiência corporal em terceira pessoa. Eu poderia passar horas falando de todas as camadas que esse filme apresenta, mas termino com um lamento e uma admiração.

O lamento consiste em saber o quanto esse filme permanece atual, ainda assim permanece esquecido em discussões sobre o cinema nacional — e um lamento adicional pelo fato do quanto as pessoas muitas vezes perdem essas nuances de obras sobre a questão racial ou com protagonismo negro por falta de letramento racial.

A admiração consiste na coragem que é esse filme em tempos de Ditadura Militar no Brasil. Numa era dominada pela pornochanchada, a sexualidade e a nudez (não há muita) nesse filme são instrumentos poderosos de discurso. A própria data de lançamento do filme foi adiada em 4 anos por conta da censura nos cinemas brasileiros. É uma obra ousada em diversos sentidos.

Fica aqui minha contribuição a respeito dessa pérola do nosso cinema.

ummatheus
Matheus De Sena
1 ano atrás

Um filme que, mesmo após mais de 50 anos, continua com uma crítica afiadíssima contra o racismo e a hipocrisia da sociedade brasileira. Jorge é um personagem complexo, com muitas camadas, causa múltiplos sentimentos em quem assiste. Os diálogos são muito bem escritos e a fotografia é uma beleza à parte.

Uma verdadeira obra-prima do nosso cinema nacional.

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Elenco de Compasso de Espera

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(Astis)
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(Dr.Macedo)
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(Bonalei)
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