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Ray Levoi (Val Kilmer), um agente do FBI de ascendência indígena, é escalado para investigar um assassinato em uma reserva Sioux. As evidências apontam para William Dawes (Fred Dalton Thompson), um ativista radical, mas pouco a pouco Levoi monta as peças de um quebra-cabeças que mostra que o governo pode estar prestes a condenar um homem inocente.
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Val Kilmer entrega uma atuação competente, mas o desenvolvimento de seu personagem (um agente do FBI com ascendência indígena) é previsível e pouco convincente. O arco de transformação espiritual parece forçado, momentos que parecem vestígios de um Jim Morrison do ano anterior no filme "The Doors", e o final “feel-good” não soa verdadeiro, como destacou um usuário do IMDb: “O desfecho exageradamente otimista não convence”. Graham Greene salva bastante também.
Deve ter sido um filme comentado na época de sua estréia, de modo que, o seu protagonista estava no auge da carreira depois que encarou a cinebiografia, The Doors, Oliver Stone. Agente do FBI (Val Kilmer) que tem descendência indígena, foi convocado para investigar um assassinato em uma reserva indígena Sioux cujo
a investigação vai desvendando que os próprios agentes do governo estão envolvidos no caso.
Thunderheart (1992) começa com um chamado: um assassinato em território indígena e um agente do FBI enviado para investigar. Ray Levoi (Val Kilmer) tem pouco vínculo com suas origens sioux, mas elas pesam o suficiente para que o governo o veja como o homem ideal para “dialogar” com a comunidade local. Ao lado de um agente veterano, Frank Coutelle (Sam Shepard), ele aterrissa num cenário de tensão: uma divisão profunda entre indígenas que defendem as tradições com veemência e outros que se alinham aos interesses do governo. À medida que Ray pisa nessa terra, percebe que a missão não é apenas desvendar um crime — é atravessar um terreno onde os rastros da história ainda sangram.
A trama policial é o que move a história, mas não é o que a sustenta. Há uma investigação oficial sobre um assassinato que parece apontar para um grupo indígena militante, acusado de radicalismo. Mas o que o filme revela com sutileza — ou nem tanta — é que o verdadeiro extremismo talvez esteja nos bastidores da ordem oficial. O que mais chama atenção, no entanto, não é o desenrolar do mistério, mas os encontros ao longo do caminho. Há um xamã, Grandpa Reaches, que fala pouco, mas diz tudo, e um policial nativo, Walter Crow Horse, que serve de ponte entre dois mundos — entre o que foi esquecido e o que insiste em sobreviver. As trocas entre esses personagens não são apenas de informação: são de gestos, de respeito, de silêncio, e esses elementos carregam um peso que o roteiro, por sorte, não atropela.
E mesmo que a narrativa escolha caminhos previsíveis — o agente que percebe que há algo errado com a própria instituição, o parceiro que talvez não seja tão confiável, a revelação de interesses ocultos —, há uma solidez no modo como tudo se constrói. O terreno é árido, mas as relações florescem ali com uma força quase teimosa. O filme nunca esconde demais o que vai acontecer — e talvez nem queira. O interesse está menos no “quem fez?” e mais no “quem se transforma?”. E é nessa transformação que Thunderheart acerta. Kilmer, mesmo com sua mestiçagem conveniente de roteiro, funciona porque sabe ouvir em cena — e os personagens que o cercam têm o que dizer. Quando a narrativa se debruça menos no mistério e mais nos vínculos, ela respira melhor. Como se deixasse o deserto falar.
Sim, a trama é evidente — desde cedo, o cheiro de urânio contamina o enredo, os vilões são óbvios e o caminho parece riscado antes mesmo da largada. Mas há algo de vivo que resiste entre uma fala cerimonial e um cachimbo aceso. O que faz Thunderheart funcionar não é o que ele revela no final, mas o que ele planta ao longo do caminho. Nas pequenas trocas, nos rituais, na cumplicidade que se constrói entre Ray e Crow Horse, o filme encontra uma pulsação sincera. Nem sempre é sutil, nem sempre é delicado — mas tem calor. E, às vezes, isso basta: um filme onde o vínculo segura o que a trama larga.
"O que você é, não é uma escolha. O que você faz com o que é, isso é."
Val Kilmer excelente em seus tempos áureos. Aqui seu personagem enfrenta a sua identidade e origem nativa, passa por autoaceitação, e a trama mescla o thriller policial com a tradição indígena (ver o Val nesse meio me remeteu a The Doors). Há um lindo take amplo no final.
Val Kilmer ta bem demais aqui