Running Against the Wind é um drama sólido que se destaca pela autenticidade ao retratar a Etiópia contemporânea com uma sensibilidade ainda pouco explorada pelo cinema. Jan Philipp Weyl constrói uma narrativa bifurcada ao acompanhar dois amigos de infância, Abdi, o corredor, e Solomon, o aspirante a fotógrafo, capturando com precisão as tensões entre o rural e o urbano, a tradição e a modernidade. O filme evita o sentimentalismo fácil e aposta em uma abordagem realista, o que é um mérito, embora essa escolha também faça com que algumas passagens se arrastem mais do que deveriam, prejudicando o ritmo em momentos importantes.
O elenco, formado majoritariamente por atores não profissionais, entrega performances de uma naturalidade impressionante. Ashenafi Nigusu e Mikias Wolde, em particular, carregam o peso emocional da história com uma sinceridade difícil de reproduzir. A fotografia também é um dos grandes trunfos da produção. As paisagens etíopes são registradas com um olhar quase documental, criando um contraste visual marcante entre as planícies do interior e o caos urbano de Addis Abeba. Ainda assim, o roteiro tropeça em alguns momentos por recorrer a caminhos previsíveis. A trajetória do atleta talentoso que enfrenta adversidades em busca de uma vida melhor é um tropo bastante conhecido, e o filme não consegue escapar completamente dessa fórmula.
O que coloca Correndo Contra o Vento acima da média é justamente sua capacidade de olhar para uma realidade raramente representada pelo cinema mainstream sem reduzi-la a um cenário de pobreza e sofrimento. Weyl não está apenas contando uma história de superação pessoal, mas construindo um retrato social da Etiópia que passa por questões de classe, mobilidade, desigualdade e identidade cultural. É um filme que nem sempre encontra a força dramática que procura, mas compensa suas limitações com autenticidade, boas atuações e um olhar sensível para personagens que, antes de serem símbolos de superação, são pessoas tentando encontrar seu próprio caminho.
Em um filme onde a paixão pela fotografia move um dos protagonistas, é ótimo ver que a própria fotografia está à altura, simplesmente incrível. O roteiro e a edição, por sua vez, não conseguem acompanhar a qualidade da fotografia. Tem horas que quase chegam lá, mas em outras tropeçam em coisas simples, deixando a gente confuso e com a sensação de que perdeu algum detalhe no caminho. Isso não apaga os méritos do filme, que traz mensagens sociais fortes. Mas é um entrave que acaba impedindo a história de alcançar voos mais altos. Ainda assim, é um belo presente do cinema etíope.
Running Against the Wind é um drama sólido que se destaca pela autenticidade ao retratar a Etiópia contemporânea com uma sensibilidade ainda pouco explorada pelo cinema. Jan Philipp Weyl constrói uma narrativa bifurcada ao acompanhar dois amigos de infância, Abdi, o corredor, e Solomon, o aspirante a fotógrafo, capturando com precisão as tensões entre o rural e o urbano, a tradição e a modernidade. O filme evita o sentimentalismo fácil e aposta em uma abordagem realista, o que é um mérito, embora essa escolha também faça com que algumas passagens se arrastem mais do que deveriam, prejudicando o ritmo em momentos importantes.
O elenco, formado majoritariamente por atores não profissionais, entrega performances de uma naturalidade impressionante. Ashenafi Nigusu e Mikias Wolde, em particular, carregam o peso emocional da história com uma sinceridade difícil de reproduzir. A fotografia também é um dos grandes trunfos da produção. As paisagens etíopes são registradas com um olhar quase documental, criando um contraste visual marcante entre as planícies do interior e o caos urbano de Addis Abeba. Ainda assim, o roteiro tropeça em alguns momentos por recorrer a caminhos previsíveis. A trajetória do atleta talentoso que enfrenta adversidades em busca de uma vida melhor é um tropo bastante conhecido, e o filme não consegue escapar completamente dessa fórmula.
O que coloca Correndo Contra o Vento acima da média é justamente sua capacidade de olhar para uma realidade raramente representada pelo cinema mainstream sem reduzi-la a um cenário de pobreza e sofrimento. Weyl não está apenas contando uma história de superação pessoal, mas construindo um retrato social da Etiópia que passa por questões de classe, mobilidade, desigualdade e identidade cultural. É um filme que nem sempre encontra a força dramática que procura, mas compensa suas limitações com autenticidade, boas atuações e um olhar sensível para personagens que, antes de serem símbolos de superação, são pessoas tentando encontrar seu próprio caminho.
Em um filme onde a paixão pela fotografia move um dos protagonistas, é ótimo ver que a própria fotografia está à altura, simplesmente incrível.
O roteiro e a edição, por sua vez, não conseguem acompanhar a qualidade da fotografia. Tem horas que quase chegam lá, mas em outras tropeçam em coisas simples, deixando a gente confuso e com a sensação de que perdeu algum detalhe no caminho.
Isso não apaga os méritos do filme, que traz mensagens sociais fortes. Mas é um entrave que acaba impedindo a história de alcançar voos mais altos. Ainda assim, é um belo presente do cinema etíope.
Confesso que não pude deixar de ver o Paul como "white savior"
O primeiro filme Etíope que eu vi, apesar da dublagem deixar o filme amador valeu a experiência.
Foi bom. Vi dia 18/12/21.
Filme que poderia ser um pouco mais curto e por vezes chega a ser cansativo além de um
certo amadorismo o que também é o caso da dublagem.