"Criaturas da Mente" traz imagens imersivas, que incluem trechos da própria filmografia de Marcelo, além de depoimentos instigantes, apresenta um universo em que ciência e espiritualidade se complementam, desafiando visões reducionistas e convidando o espectador a repensar sua relação com o inconsciente. O documentário chega para provocar reflexões profundas sobre o papel dos sonhos na construção de novas formas de existência e no resgate de tradições há muito negligenciadas.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Sou fã do Sidarta!
O Marcelo Gomes não decepciona, melhor diretor de cinema de Pernambuco!
- incrível como esse documentário conseguiu me absorver e me levar bastante intrigado por quase 90 min para temática que nunca tinha dado importância
- parabéns ao marcelo por ter feito esse ótimo trabalho, que veio a mente por ter ficado sem sonhar
- relembrando de filmes e livros sobre indígenas, eles realmente sempre falam sobre os sonhos, mas foi aqui que realizei a importância deles para esses povos
- uma maneira de viver e ver a vida vemos nos povos originais e nas religiões de matriz africanas, mas que a sociedade de hoje suprime, só vemos os sonhos como os objetivos a alcançar
Há uma profusão de elementos e essa colcha de retalhos consegue ganhar vida própria nas mãos do habilidoso cineasta, e é dele o mote para a construção do enredo do filme: Marcelo Gomes, na pandemia, percebe a dificuldade de sonhar.
Indo ao encontro com o Sidarta Ribeiro, pesquisador e especialista em sonhos, o filme abraça o campo científico mas também abraça explicações religiosas, especialmente da cultura afro, até culminar com o diretor provando a Ayahuasca (lanta alucinógena), de modo a despertar conexões da mente.
O filme consegue misturar a psicologia com a cultura afro, conhecimento científico e popular, fala do carnaval, das representações, das tradições, visita laboratórios, há diversos pontos de vista, muito embora faltou um contraponto (o único personagem que parece não acreditar em incorporações, por exemplo, é bem amigável, é chamado de "cético", e na verdade ele é bem condescendente).
Deste modo, o documentário é bem vindo ao trazer elementos reflexivos de forma não elitista, mas ao mesmo tempo limitado nas visões de mundo. Tirando a falta de equlíbrio, o esforço do cineasta em traduzir os sonhos em imagens é muito bem vindo, não subiu o tom e é capaz de nos brindar com imagens muito bonitas, desde animações a cores exuberantes. E como é linda a cena inicial, aqui reprisada, de "Cinema, aspirinas e urubus" (filme do mesmo diretor). Ennfim, uma experiência onírica bem satisfatória.
Surreal! Adoro a habilidade de Marcelo Gomes em transformar seus interesses objetivos em um vídeo poético e experimental, desdobrando imagens surpreendentes em uma narração curiosa. O autor de "Viajo porque preciso..." ousa compartilhar sua falta de experiência com sonhos aqui. O resultado é um filme onírico, que acaba tão rápido e deixa o desejo de quero mais, exatamente como um sonho. Marcelo se junta ao grande Sidarta na articulação entre ciência e saber popular, se abrindo à transcendência e ao autoconhecimento próprios da experiência com esse tema. É uma viagem de aprendizados e inspiração. E a cereja do bolo é Marcelo perceber que sonha sim, como quando faz ficção. Afinal, as imagens cinematográficas também são imagens do inconsciente.