Dirigido por
Duração
Os irmãos Enrico (Marcello Mastroianni) e Lorenzo (Jacques Perrin) foram separados ainda na infância. Desde então os dois não tiveram nenhum contato afetivo, mas com um encontro repentino e a solidão de ambos, eles terão que deixar as diferenças e buscar uma relação afetuosa mesmo que dolorosa.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
A solidão toma conta de tudo.Zurlini realizou poucos filmes na carreira e esse com certeza é um dos mais importantes.A tragédia do cinema italiano na sua melhor forma.A cena final ficará eternizada.
>Assistido em 29 de Dezembro de 2022
Solidão a dois numa Itália arruinada.
E o elo de sangue que transcende a vida e a morte.
Drama familiar intenso. Pesado e sem concessões, com uma fotografia soturna e interpretações magníficas.
“Se um dia quisesse uma folha de grama, certeza que não cresceria nenhuma no campo”. Lorenzo.
O coitado tinha uma sina: tudo que queria, se afastava. Se desejasse a morte, teria tido vida... Um ser carente abandonado pelos pais biológicos e adotivos, avó, esposa e às vezes pelo irmão.
A trilha sonora atrapalhou muitas vezes. De Qlqr maneira, um bom filme.
Pra começar a escolha do título em português, Dois destinos, é a meu ver ruim, diferente do título original que é Cronaca Familiare, algo como Crônica de família ou Diário de família.
O mote do filme é interessantíssimo, trata-se da relação entre dois irmãos que foram criados separados, pois a mãe morreu no parto do mais novo e o pai estava na Primeira Guerra.
O mais novo foi criado por um mordomo, na primeira metade da vida teve acesso a uma vida rica e farta na casa dos chefes de seu pai adotivo.
O mais velho é criado pela avó materna, tanto amável quanto pobre.
Eles se vêem pouco na infância e se reencontram na vida adulta, quando passam o conviver e a visitar a vó muito idosa que vive em um abrigo.
O primeiro momento de reencontro é interessantíssimo, como o choque de estilos de vida e personalidade e o interesse mútuo entre os dois irmãos.
Eles se separam por um tempo e o segundo reencontro, agora mais velhos e com outros problemas, me pareceu apressado demais, não dando tempo de nos importarmos tanto com seus novos dramas e conflitos.
O terceiro ato, em que há um drama maior, pra mim foi o melhor, e recupera parte do interesse que tínhamos adiquirido do primeiro encontro dos irmãos já adultos.
O filme todo trabalha num tom de drama muito grande, pela direção fluida, mas cheia de close ups, pela trilha sonora pesada e enérgica, pela atuação, principalmente do irmão mais novo...
Bem, tudo isso dá muito certo no ato final, nos primeiros nem tanto, inclusive nos tirando um pouco da importância que poderíamos dar pra trama.
Eu pelo menos fiquei com a sensação até o ato final de que era uma trama muito interessante, mas bem menos pesada do que o filme queria passar.
Mas o final é muito interessante, principalmente com as reflexões do irmão mais velho e narrador da história, que enfatiza sempre a inocência e vontade de viver do irmão, que também é retratada no filme todo, seja pela suas roupas claras e alegres no meio de um ambiente muito sóbrio, pela sua vontade de viver, pela sua incompreensão e inabilidade diante da dureza da vida.
É como se o filme todo falasse: esses tempos que estamos retratando não são tempos de inocência e pureza, esse personagem está deslocado.
O terceiro ato, aí sim com o drama no tom correto, confirma isso.