Antes que uma jovem DJ possa emigrar da Bielorrússia pós União Soviética com documentos forjados, ela deve passar uma semana de permanência em uma vila distópica e em desintegração.
conflito geracional e territorial amplificado por uma tentativa de fuga fadada ao fracasso. curto bastante a relação corpo-espaço nos enquadramentos. me incomoda a superficialidade nas ações que são força motriz para que a jovem DJ siga acreditando no seu sonho americano. a relação maternal é frustrante. se torna a principal ameaça à liberdade falsificada que a atriz principal tanto quer. o que dizer da família que simboliza a moralidade cristã falida? são tantas emoções. tenho receio com o caricato mas o filme tem seus bons momentos. as atuações estão no ponto. trabalho lindo desse figurino. personagens valiosas mas que são ofuscadas pelas ações ingênuas e inconsequentes no arco da protagonista.
Crystal Swan (2018, Darya Zhuk) – Crítica – Clube de Cinema Outubro Em Crystal Swan Velya, Alina Nasibullina, sonha em viajar para Chicago e fazer sucesso como uma DJ de House, um estilo de música eletrônica. Ela espera encontrar um lugar onde possa ser ela mesma, sem julgamentos. Algo difícil em seu país, a ex-república soviética da Bielorrússia. No filme, o país parece uma sociedade sem perspectiva. A Mãe de Velya trabalha em um museu e se agarra ao passado, como uma forma de superar a miséria do presente. Para ela, que é responsável por contar toda a história da superação do país na 2º guerra, nada justifica emigrar. Deixar o país é uma traição.
Antes de emigrar, a jovem DJ precisa ter seus documentos aprovados na embaixada americana. Para acelerar o processo, a garota resolveu forjar os papéis, mas colocou um telefone aleatório de uma casa no interior do país. Isso a leva até um vilarejo, onde ela se sentirá ainda mais estranha e deslocada. Se a roupa colorida e a peruca azul causavam olhares, se capital Minsk, imaginem em um vilarejo do interior. Mesmo assim, ela não desiste e está disposta a passar por tudo para conseguir chegar a Chicago.
No vilarejo, Velya conhece o jovem Stepan, Ivan Mulin. Ele acha Valya metida, orgulhosa por querer ir embora, mas a acha bonita e tem por ela um desejo ressentido. Ele a deseja por sua liberdade, por escolher fugir, encontrar um lugar diferente e recomeçar. Algo totalmente impensável para ele, pois irá casar em breve. Na Capital, como no interior, a jovem lembra a todos como estão nus em sua cegueira. Diante dela, eles enxergam o mundo e veem o quanto miseráveis e medíocres estão.
Tanto para a mãe de Velya, como para o jovem Stepan, não existe saída. Eles a invejam e a temem. Os dois não aceitam o fim do estado soviético, mas pensam diferente sobre como agir e viver. A responsável pelo museu deseja recuperar os valores, acredita ser necessário lutar para recuperar os louros do passado, não ir embora. A memória é uma forma de buscar perspectivas para o futuro, lembra a todo momento da guerra a faz ter força para enfrentar as batalhas do futuro, mesmo ele parecendo impossível.
Enquanto para Stepan, defender os valores da antiga sociedade e amar a pátria é uma forma de consolo. Com o destino traçado, fugir para outro lugar significa negar a identidade dele e de sua família. O casamento e a vida qual todos preparam para ele, envolve laços e raízes difíceis de serem cortados. O jovem irá cumprir seu destino, mesmo sendo infeliz.
É no meio dessa asfixia cultural, na ignorância e na defesa cega da pátria que Velya encontra um novo sentido. O jeito como ela se veste, assim como a música são uma forma de fugir da depressão. Enquanto outros aceitam ou ignoram, ela resolve ir além. Esse desejo produz a hostilidade da sociedade, pois mostra o quanto eles podem não estar certos, nem serem perfeitos. Esse conflito nos é mostrado na fotografia do filme. Dias sempre nublados, tons frios e uma arquitetura que faz tudo parecer velho e chato se opõe as cores quentes e vivas das roupas da garota. Ela está viva em um lugar onde tudo parece estar morto.
O desejo de ir questiona a perfeição da sociedade, como rompe o ciclo qual nossa família e a sociedade nos exigem cumprir. No Vilarejo, os trabalhadores vivem, como trabalham, uma rotina. Todo dia batem o cartão, executam tarefas repetitivas e assim vivem. O mesmo fazem com suas vida, crescem, casam e se reproduzem, sem questionar. O casamento de Stepan, não é apenas um evento casual do filme, mas uma repetição da rotina da fábrica e da vida no vilarejo.
Ao fim, o fato da trama ocorrer em uma ex-república soviética só torna a obra mais exótica. Não podemos pensar no filme como uma obra apenas Bielorrussa, mas sim uma obra humana. As ideias reproduzidas por Velya, como as ideias de sua mãe e do Stepan poderiam ser em qualquer parte do mundo. Como música, as roupas, os sentimentos também podem ser globalizados. O fim para a viagem da personagem pode ser incerto, mas não há dúvida sobre sua busca ou seu sentimento.
O já conhecido "American Dream" nascido de outra perspectiva, aqui, de diferentes gerações, numa cultura distante.. A Velya nos faz acreditar no sonho e ansiar por ele, embora tudo pareça remar contra. As imagens da Bielorrússia são incríveis, por isso o filme já valeria a pena, mas vai além.
conflito geracional e territorial amplificado por uma tentativa de fuga fadada ao fracasso. curto bastante a relação corpo-espaço nos enquadramentos. me incomoda a superficialidade nas ações que são força motriz para que a jovem DJ siga acreditando no seu sonho americano. a relação maternal é frustrante. se torna a principal ameaça à liberdade falsificada que a atriz principal tanto quer.
o que dizer da família que simboliza a moralidade cristã falida? são tantas emoções.
tenho receio com o caricato mas o filme tem seus bons momentos.
as atuações estão no ponto. trabalho lindo desse figurino. personagens valiosas mas que são ofuscadas pelas ações ingênuas e inconsequentes no arco da protagonista.
Crystal Swan (2018, Darya Zhuk) – Crítica – Clube de Cinema Outubro
Em Crystal Swan Velya, Alina Nasibullina, sonha em viajar para Chicago e fazer sucesso como uma DJ de House, um estilo de música eletrônica. Ela espera encontrar um lugar onde possa ser ela mesma, sem julgamentos. Algo difícil em seu país, a ex-república soviética da Bielorrússia. No filme, o país parece uma sociedade sem perspectiva. A Mãe de Velya trabalha em um museu e se agarra ao passado, como uma forma de superar a miséria do presente. Para ela, que é responsável por contar toda a história da superação do país na 2º guerra, nada justifica emigrar. Deixar o país é uma traição.
Antes de emigrar, a jovem DJ precisa ter seus documentos aprovados na embaixada americana. Para acelerar o processo, a garota resolveu forjar os papéis, mas colocou um telefone aleatório de uma casa no interior do país. Isso a leva até um vilarejo, onde ela se sentirá ainda mais estranha e deslocada. Se a roupa colorida e a peruca azul causavam olhares, se capital Minsk, imaginem em um vilarejo do interior. Mesmo assim, ela não desiste e está disposta a passar por tudo para conseguir chegar a Chicago.
No vilarejo, Velya conhece o jovem Stepan, Ivan Mulin. Ele acha Valya metida, orgulhosa por querer ir embora, mas a acha bonita e tem por ela um desejo ressentido. Ele a deseja por sua liberdade, por escolher fugir, encontrar um lugar diferente e recomeçar. Algo totalmente impensável para ele, pois irá casar em breve. Na Capital, como no interior, a jovem lembra a todos como estão nus em sua cegueira. Diante dela, eles enxergam o mundo e veem o quanto miseráveis e medíocres estão.
Tanto para a mãe de Velya, como para o jovem Stepan, não existe saída. Eles a invejam e a temem. Os dois não aceitam o fim do estado soviético, mas pensam diferente sobre como agir e viver. A responsável pelo museu deseja recuperar os valores, acredita ser necessário lutar para recuperar os louros do passado, não ir embora. A memória é uma forma de buscar perspectivas para o futuro, lembra a todo momento da guerra a faz ter força para enfrentar as batalhas do futuro, mesmo ele parecendo impossível.
Enquanto para Stepan, defender os valores da antiga sociedade e amar a pátria é uma forma de consolo. Com o destino traçado, fugir para outro lugar significa negar a identidade dele e de sua família. O casamento e a vida qual todos preparam para ele, envolve laços e raízes difíceis de serem cortados. O jovem irá cumprir seu destino, mesmo sendo infeliz.
É no meio dessa asfixia cultural, na ignorância e na defesa cega da pátria que Velya encontra um novo sentido. O jeito como ela se veste, assim como a música são uma forma de fugir da depressão. Enquanto outros aceitam ou ignoram, ela resolve ir além. Esse desejo produz a hostilidade da sociedade, pois mostra o quanto eles podem não estar certos, nem serem perfeitos. Esse conflito nos é mostrado na fotografia do filme. Dias sempre nublados, tons frios e uma arquitetura que faz tudo parecer velho e chato se opõe as cores quentes e vivas das roupas da garota. Ela está viva em um lugar onde tudo parece estar morto.
O desejo de ir questiona a perfeição da sociedade, como rompe o ciclo qual nossa família e a sociedade nos exigem cumprir. No Vilarejo, os trabalhadores vivem, como trabalham, uma rotina. Todo dia batem o cartão, executam tarefas repetitivas e assim vivem. O mesmo fazem com suas vida, crescem, casam e se reproduzem, sem questionar. O casamento de Stepan, não é apenas um evento casual do filme, mas uma repetição da rotina da fábrica e da vida no vilarejo.
Ao fim, o fato da trama ocorrer em uma ex-república soviética só torna a obra mais exótica. Não podemos pensar no filme como uma obra apenas Bielorrussa, mas sim uma obra humana. As ideias reproduzidas por Velya, como as ideias de sua mãe e do Stepan poderiam ser em qualquer parte do mundo. Como música, as roupas, os sentimentos também podem ser globalizados. O fim para a viagem da personagem pode ser incerto, mas não há dúvida sobre sua busca ou seu sentimento.
Alguém achou com legenda em português? :/
O já conhecido "American Dream" nascido de outra perspectiva, aqui, de diferentes gerações, numa cultura distante.. A Velya nos faz acreditar no sonho e ansiar por ele, embora tudo pareça remar contra. As imagens da Bielorrússia são incríveis, por isso o filme já valeria a pena, mas vai além.
belo e cruel