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Data de lançamento
18 Out. 2025Duração
São Paulo, 1919. Desafiando todas as regras, uma jovem operária e dramaturga conquista uma cobiçada bolsa para estudar teatro em Paris, mas logo descobre que o maior obstáculo para realizar seu sonho, é ter nascido em um mundo onde as mulheres sequer são donas do próprio corpo.
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Jogos Vorazes: Amanhecer na Colheita
26/06/2026
Diretora e roteirista de ‘Deslembro’ (2018), Flávia Castro lançou nesse ano dois longas, ‘As vitrines’, que está percorrendo festivais e ainda não estreou nas salas, e ‘Cyclone’, que acaba de chegar aos cinemas brasileiros. Inspirado em história verídica, o filme é uma reimaginação em torno de uma mulher à frente de seu tempo que esteve ligada ao movimento modernista do Brasil da virada da década de 10 para a 20. O contexto é uma São Paulo no auge da industrialização, e a tal personagem é uma jovem operária e escritora nata que tenta galgar no universo das artes. Ela é Dayse Castro, a Cyclone, que ganha uma bolsa para estudar teatro em Paris, a cidade que emergia no cenário cultural da época, porém que encontrará uma série de obstáculos pessoais e profissionais para entrar no disputado mundo da literatura e das artes cênicas, dominado pelos homens. A atriz Luiza Mariani, que interpretou Cyclone no teatro e aqui assina como uma das produtoras e auxiliou no roteiro, até que se esforça e entrega um papel decente, só que para um filme que infelizmente não causa emoção e fica estacionado. Um roteiro que falta clímax e ânimo. A escolha da composição das cores do filme é outro erro, com uma palheta desbotada, luzes estouradas e que de repente assume um ar punk e contemporâneo demais. Há uma mistura de linguagens que me incomoda, com teatro filmado, declamações, cinema, um tempo histórico que vai para a década de 10 e ao mesmo tempo vira algo moderno, ou seja, uma anarquia cinematográfica ruim. A obra é inspirada em Maria de Lourdes Castro Pontes (1900-1919), chamada de Miss Cyclone pelos pensadores modernistas paulistas, uma mulher operária que escrevia postais poéticos e cartas e que subitamente faleceu aos 19 anos, sem deixar obras publicadas nem reconhecimento – o nome dela seria estudado décadas após sua morte. Exibido no Festival do Rio e na Mostra de Cinema de SP, tem no elenco Eduardo Moscovis, Karine Teles, Luciana Paes, Magali Biff e Ricardo Teodoro. Produção da Mar Filmes e Muiraquitã Filmes, em coprodução com a VideoFilmes e com a Claro, conta com a distribuição da Bretz Films. Esforcei-me para ter gostado, mas o filme não decolou para mim. POR FELIPE BRIDA - Blog Cinema-naweb blogspotcom
Não conhecia a personagem real, o que só confirma a validade do filme, ao biografá-la. Gostei que a adaptação seja bastante livre (a personagem, aqui é bem mais velha que ela), o que nos obriga a querer saber mais: a entrega de Luíza Mariani à sua caracterização é ótima, mas Karine Teles, Luciana Paes e sobretudo Magali Biff brilham ainda mais, quando estão em cena. É triste que, mesmo abordando situações ocorridas há mais de cem anos, alguns temas ainda perdurem, no que tange às injustiças destinadas às mulheres - que o diga o tabu ainda renitente quanto às abordagens sobre aborto. Gosto da musicalidade e da teatralidade do filme (que me fez pensar em ESTHER KAHN, por vezes) e achei legal que ele tenha se encerrado de maneira abrupta. Minha mãe ficou revoltada, em alguns instantes, pelo modo como a protagonista é tratada. A diretora é muito boa, ao lidar com a temática da memória: que ela siga produzindo e fazendo a diferença neste mundo! (WPC>)