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O filme é composto de duas partes distintas, uma mitológica e outra moderna, as duas sem relação aparente entre si. Do lado "nube": seis diálogos entre os 27 "Diálogos com Leucò", escritos por Cesare Pavese em 1947. Do lado da resistência: trechos de outro livro de Pavese, "A lua e as fogueiras", publicado em 1950. Este último lado não surpreenderá: cada Straubfilme é um relatório - arqueológico, geológico, etnográfico, militar também - de uma situação na qual os homens resistiram.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Confesso que cheguei a esse filme através do livro de Rancière. Os diálogos são muito intensos e rápidos, muitas vezes contrariando a própria cena. Essa "ruptura" torna a obra mais interessante. Os momentos de silêncio, ou que o foco passa às coisas, intensifica o contrassenso, como se elas também tivessem direito a "falar", só que falam na medida em que se mostram, seja pela fogueira crepitando ou a vasilha com água (?) que o rapaz no capítulo 6 coloca no chão, ou mesmo o som dos ventos nas folhas.
Parece-me que vivo fora do tempo que sempre vivi, e não creio mais nos dias.
Da Nuvem à Resistência funciona como uma grande e digníssima homenagem ao escritor italiano Cesare Pavese, uma vez que une em um único longa, a transposição fílmica de duas obras do autor que não possuem qualquer tipo de ligação.
Por mais que o tom contestador e mais narrativo de "A Lua e as Fogueiras" seja cativante, nada supera a primeira parte do longa, que traz uma versão reduzida de "Diálogos com Leucó", magnus opus de Pavese. Cada diálogo é não somente um deleite para o espectador aberto às suas reflexões filosóficas, como também um atestado da genialidade deste intelectual italiano pouco conhecido no Brasil.