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Data de lançamento
27 Jan. 1996Duração
Shohei Sugiyama (Kôji Yakusho) é um típico homem de negócios japonês, que durante o trajeto do seu trabalho para casa vê Mai Kishikawa (Tamiyo Kusakari), uma bela jovem mulher, através da janela de uma escola de dança. Atraído por ela, Shohei se matricula na escola e conhece Mai, uma professora de dança. Inicialmente Mai confunde Shohei com um sedutor, mas para surpresa dela ele é um dançarino naturalmente talentoso, que só está interessado em ter uma boa parceira. Assim Mai começa a treiná-lo para uma competição. Paralelamente Shohei se torna amigo dos excêntricos colegas da escola de dança e entre eles está Tôru Miwa (Akira Emoto), que Shohei conhece bem, pois são colegas de trabalho. Como dançar é visto no Japão como uma atividade fútil para um homem de negócios sério, Shohei mantém segredo disto para a esposa. Ela, por sua vez, ao notar a mudança de comportamento dele passa a acreditar que ele está sendo infiel e contrata um detetive particular para segui-lo.
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Quando fala-se de paixões/obsessões em obras, normalmente é seguido um dos quatro caminhos: família, amor romântico, pátria ou trabalho.
Em relação a trabalho, é até curioso, porque muitas vezes o trabalho em questão é arte ou algum esporte, nem por isso as narrativas costumam escapar de direcionar as buscas dos personagens rumo ao prestígio profissional.
Em "Dança Comigo", consegue-se falar muito bem sobre algo novo. Digo, um algo novo específico, uma coisa nova, aprender algo de novo em sua vida.
E não que eu entenda muito de dança, mas este algo novo é muito respeitado e bem representado em tela. Nós entendemos porque o protagonista se apaixona pela dança. Ela é encantadora. Quando ela acontece, as falas param (coisa boa pra quem tem que ler legenda).
As coreografias estão longe da perfeição, o que é ainda mais legal, porque transmite muito bem a ideia de que há um aprendizado em curso. Os planos abertos mostram todo o movimento sem interrupções, fluindo como uma dança deve ser (eu acho), com os personagens voando de um lado para o outro, sem que deixemos de ver seus rostos concentrados e entretidos com tudo aquilo.
Entendendo como a dança pode ser apaixonante, é muito mais fácil que nos envolvamos e nos apaixonemos também pela coisa nova que é aprendida. Tudo é muito apaixonante o tempo inteiro e isso que é o que me parece mais difícil em falar sobre uma obsessão que não seja tão séria assim. Como você vai mostrar que algo é importante a ponto de nos envolvermos tanto com ele sem que ele seja um grande amor, sua família, uma pátria ou seu ganha-pão?
É só dança, não é nada além disso. É só uma coisa que alguém gosta. Não vai mudar a vida dele.
Sugiyama está ali, aliás, por outro motivo: pela professora. Mas há um momento em que ela diz com todas as letras que ele não deveria estar ali se fosse por ela. E só aí ele percebe que na verdade não está. Ele está ali porque ele está se encantando por algo que parece menor, mas se mostra muito maior.
Apesar da dança ser o algo novo na vida de Sugiyama, ele também acaba sendo a pessoa nova para todas as outras da escola. Ele não sabe dançar a princípio, mas a sua presença traz um frescor a todos ali. Os outros se escondiam, se envergonhavam ou até haviam se esquecido porque amavam tanto dançar. Alguém que se entrega lembra os outros da razão de terem também se entregado.
A relação do casal também traz um elemento interessante quando vemos que tentamos compartimentar nossas vidas e excluir nossos parceiros em alguns aspectos para que possamos ser nós mesmos, ainda que nossos parceiros sejam as pessoas com quem nos sintamos mais à vontade. Isso pode ofender o outro, mas analisando mais racionalmente, realmente não há nada de errado.
Por falar em nada de errado, não sei o quanto é verdade do que falam da cultura japonesa e da dança, mas é outro aspecto interessante abordado: algo que é visto com certo julgamento e culpa, mas que, quando nos aproximamos, vemos que está tudo bem, não há nada demais.
Uma grande ode a começar algo no que não se é bom e às paixões que não são as mesmas de sempre.
Pra quem gostou, recomendo O Mundo Por Um Fio, do Fassbinder. Fala sobre uma obsessão pela vida.
Não tem sensação melhor que um filme pode dar do que vontade de viver.
O que acaba conquistando a simpatia do espectador é a simplicidade do roteiro aliado aos personagens carismáticos.
Curioso o fato da dança de salão ser visto com um certo olhar de inferioridade na cultura oriental, e numa história onde um trabalhador de escritório, com toda a sua formalidade e seriedade, se dá a oportunidade de aprender a dançar e assim se desprender um pouco dessa imagem sisuda que a vida foi lhe colocando deixa uma agradável impressão logo nos primeiros minutos de produção, e é claro que isso contribui muito mais para imersão do público nos sentimentos do seu protagonista com essa situação do que se for numa sociedade onde isso não parece ser algo tão desconcertante e intimidador para uma pessoa do tipo, no caso na cultura ocidental onde o remake americano de 2004 se encontra, que apesar de ter a sua qualidade, não tem a mesma percepção por conta da aceitação maior dos ocidentais.
Como boa parte da obra se concentra nas aulas de dança de Shohei, são os personagens que fazem parte desse ambiente que acabam ganhando mais espaço na trama, eles vão trazendo diferenciadas emoções ao longo do filme, indo do humor ao drama, porém, os outros personagens que não fazem parte desse círculo acabam tendo pouquíssimos momentos no enredo, o que, se pudessem ter tido mais desenvolvimento no roteiro de modo equilibrado, poderiam render ainda mais nos entrechos, mas isso não chega a ser um desmérito, a história ainda é bastante compensadora do seu jeito como está.
E quem rouba a cena quando aparece na história é o "Macho", como um dançarino no estilo "amante latino" mais afetado que o Sidney Magal, garantindo sequências hilárias com sua dança performática kkkkkkkkk
Agradável produção!
Esse filme é muito legal!
A maneira como mostra os tabus e restrições que a sociedade impõe nas pessoas (neste caso, a sociedade japonesa) é bem leve e bacana.
Infelizmente é menos conhecido do que sua versão hollywoodiana (com nome semelhante e estrelada pelo Richard Gere) mas acho que é mais legal.
Vale a pena conferir (se encontrar).
Recomendo!
A amizade é o centro principal do filme.Temos bons momentos de romance que envolve a música e alguns flashbacks emocionantes.
É uma história tocante e bem simples.
>Assistido em 31 de Julho de 2019