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Data de lançamento
9 Maio 2018Duração
Na região da bacia de Donbass, divisa entre a Ucrânia e a Rússia, ocorrem diversos conflitos civis entre grupos de ambos os lados, além do movimento da Nova Rússia, que pretende anexar regiões ucranianas ao país vizinho. Em meio aos conflitos, surgem situações inesperadas, grotescas, articuladas como uma comédia absurda e violenta dos tempos individualistas em que vivemos.
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Acho que esse filme não é nada confiável.
O filme ganha muito em relevância com a invasão da Ucrânia. Mas não espera nada explicativo ou didático. As histórias são desconexas e irregulares, sendo umas muito melhores que outras. Mas são todas muito bem dirigidas e intensas.
Filmado por vezes de forma semi documental por Loznista, o filme carrega uma carga dramática poderosa não só temática, como também narrativa, ao fazer uso de uma câmera que, a todo momento, balança e nos dá a impressão de estarmos vivenciando aquilo pessoalmente, dando um realismo palpável as cenas que se seguem. Outra coisa a se destacar, é que os episódios retratados, apesar de não terem uma ligação direta na história, se complementam como um estudo geral de um país dividido e negligenciado pelos poderosos. Estes que, diga-se de passagem, deveriam agir em prol da reestruturação de seu país e seu povo.
Situado em uma região de constantes conflitos entre separatistas russos e grupos pró Ucrânia, “Donbass” explicita os problemas sociais ocasionados pela falta de estabilidade governamental, onde a fome, a pobreza e a desumanidade devastam a população civil inocente enquanto a tensão da guerra armada nos apresenta a desumanização e a falência moral das pessoas.
Cena familiar a do glutão falastrão entrando com milícia armada numa maternidade, e então distribuindo mantimentos, comida, remédios (casualmente apontar pacotes de carne armazenados ao lado de caixas de remédios, ilustrando a forma política e rasteira de se apropriar e explorar o sofrimento dos mais necessitados para benefício próprio) lembra muito, dadas as devidas proporções, as entrevistas já emblemáticas do prefeito do Rio aparecendo em hospitais públicos para anunciar compra de medicamentos ou equipamentos logo após denúncias de falta de tais remédios e equipamentos.
É o resultado de uma catastrófica lacuna da presença do Estado legítimo na vida e no meio dos cidadãos da camada mais baixa da nossa sociedade, bairros de subúrbio, favelas, rincões mais distantes dos cartões postais, territórios perdidos para os poderes paralelos da milícia, do tráfico e dos mercadores da fé, perdidos por omissão e conveniência do Estado. Controlam toda e qualquer faceta da vida pública, desde transporte, sistema de saúde, alimentação, abastecimento.
A partir dali torna-se bem fácil acompanhar e entrar na narrativa proposta pelo diretor, um conjunto de histórias curtas, sem ligação, que compõe um todo denunciativo, flerta com o documentário para expor de maneira violenta e ácida os meandros do conflito em ebulição na região, perigo gravíssimo para o estado de democracia e, como sempre, as pessoas comuns que são pegas no meio do fogo cruzado, jogadas de um lado para o outro.
A brilhante cena final é uma culminação da mão do Loznitsa, de todo seu estilo e forma de criar cinema, com uma influência clara de outro mestre europeu, Haneke e Caché.
Quando descobri esse filme contava q era uma comédia, porem não tem nada de comédia. O filme não é nada ruim é ate bem produzido e bem filmado, mas tem algumas histórias que a pessoa fica completamente viajando, pois, não tem pé nem cabeça, oque percebi que as histórias são feitas para mostrar a inconsistência e incongruências da república de Donets, isso fica evidente na última história.