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Duração
Uma cidadezinha à beira mar. Um grito – de agonia ou paixão? – atravessa uma tarde de sexta-feira. O drama de um casal, resolvido de forma trágica (um assassinato), aproxima outro casal, de opostos: um operário (Belmondo) e uma burguesa (Moureau). Durante uma série de encontros, reconstituem o mistério daquele crime e o repetem, como numa cruel melodia, sem revólver e sem sangue.
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Cinema Arte🖤 Belíssimo.
O filme é gigante em sua simplicidade, Jeanne Moreau maravilhosa.
O começo é de atiçar nossa curiosidade e até dá a impressão de que será uma história bem agitada. Mas eis que o moderato cantabile se faz presente e o filme vai se tornando mais e mais intimista, introspectivo, de um lento amargor. Jeanne Moreau é a esposa de um ricaço antipático, uma mulher mal amada, desesperançada, presa em seu casulo de tédio, que encontra um súbito interesse em um caso de assassinato com ares de passional. E Jean-Paul Belmondo que, inicialmente, parece ser um "conquistador/aproveitador", vai mostrando que sua personalidade é bem mais complexa e encontra reflexos na de Jeanne. Daí temos encontros, desilusões, compartilhamento das "dores existenciais", e algo que parece uma paixão se dissolvendo num mar de melancolia. Algo muito típico ( e às vezes muito bom) de certa vertente do cinema francês. A construção das várias aproximações da dupla é que, no meu entender, poderia ter sido melhor trabalhada (minha impressão é de que foi estranhamente repentina, apesar do passo lento do filme). Há muitas falas ótimas (provavelmente a maioria) porém o tom com que eram proferidas nem sempre me soou convincente. Em compensação, aquele final (para mim inesperado) foi uma das melhores coisas que vi. E o garoto que interpretou o filho de Jeanne foi um grande achado.
Quanto ao trabalho com as imagens, a contraposição entre o frenesi das pessoas e o desencantamento dos protagonistas, é fantástico.
Moderado e Melódico.
Belmondo e Moreau juntos é a coisa mais linda. a trilha sonora e a fotografia são uma coisa á parte.
Na primeira morte há bala e sangue... Na segunda, palavras e lágrimas.