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A estréia na direção da famosa escritora americana, filósofa e ativista político Susan Sontag é um intrigante conto de dois casais envolvidos na academia e na política. Artur é um professor vivendo em exílio na Suécia com a sua enigmática esposa Francesca. Ele contrata o jovem Tomas para ajudar a preparar um compêndio de suas obras, mas Tomas logo desconfia que existe algo por trás da sua nova tarefa.
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Dois casais diferentes, duas visões de mundo que entram em duelo. De um lado, o tradicionalismo marcadamente ocidental apresentado pelo papel de Lars Ekborg e sua namorada, do outro, a alucinada e vertiginosa dupla composta pelo Professor Bauer e por Francesca. Seriam eles a alegoria de duas tendências artísticas que entram em choque? (o psicologismo tradicional frente a vanguarda artística) ou se trata apenas de uma provocação repleta de hermetismo dirigida ao público lobotomizado pelas narrativas comerciais? É difícil dizer qualquer coisa sobre esse filme que, assim como Persona de Bergman, nos coloca em estado de suspensão psicológica. Se o filme é realmente o conto de duas tendências diversas que entram em choque, é claro que a diretora fez a sua opção: o casal subversivo reeduca o tradicional, transformando o modo como eles enxergavam a vida em coisa diversa. O trabalho de direção sóbrio, com poucas locações externas (mas que mesmo nas poucas externas apresenta uma economia brilhante e proporciona cenas antológicas, com a cena do louco no restaurante ou das paredes pichadas na estação) conjugado com um texto intrigante e metáforas visuais poderosas fazem desse filme um produto genuíno de seu tempo: o tempo em que pessoas como Godard e Robbe-Grillet colocam o público para pensar e também para confrontar o próprio pensamento como instituição. A tentação para interpretar esse filme é forte, mas deveríamos deixá-lo em paz. A própria diretora escreveu sobre Persona:"a correct understandingof Persona must go beyond the psychological point of view." - o mesmo vale para o seu filme provocador.