Jovem que vive em uma pequena aldeia, no norte da Espanha, rememora, na sua maturidade, a infância, o relacionamento com o pai, os avós e a Guerra Civil Espanhola.
Indicado a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Terceiro filme que assisto do diretor, este assisti na sequência do O Espírito da Colméia, e a qualidade se mantém intacta. Um filme com muito mais coisas nas entrelinhas, sobre cicatrizes que a vida não cura e ficam não resolvidas até o fim da vida. Se você não tem algo do tipo pode se considerar uma pessoa de sorte... ou talvez não. A complexidade da vida tratada com maestria por um dos melhores diretores que descobri nos últimos anos. O filme era para ter o dobro de tempo, mas foi encerrado por falta de orçamento para finalizá-lo pela produção. Erice conseguiu nos entregar um desfecho válido, mas fica aquela vontade de ver o que o diretor planejava para o restante da película, o que o sul traria para o filme. Um diretor que consegue transpor para a tela a vida da forma mais crua de uma maneira poética.
- a tentativa de entender a vida adulta pelo olhar de uma criança - filme melancólico e bastante sensível. personagens memoráveis, muito bem escritos - conseguimos logo nos identificar com a protagonista, sua busca para conseguir alcançar seu pai e seus sentimentos - fotografia linda somada a uma ótima edição
“A mi silencio, él respondía con el suyo. Fue así como, de pronto, comprendí que él seguía mi juego, aceptando mi reto para demostrarme que su dolor era mucho más grande que el mío.”
O Sul é um drama muito elegante, sutil e tocante dirigido da forma mais sublime possível pelo grande Victor Erice. É o segundo filme do diretor que assisto (o outro foi a obra-prima suprema O Espírito da Colmeia) e seguramente ambos são filmes que merecem nota máxima. Com certeza me aprofundarei na filmografia deste grande diretor. Antes de tudo, O Sul é um filme sobre uma relação entre pai e filha e a tal relação (com os seus altos e baixos) é complexa e repleta de nuances. Estrella (uma criança curiosa e inteligente que vive em seu pequeno universo familiar e que desconhece o mundo exterior) nutre uma admiração e um fascínio repleto de curiosidade sobre a figura misteriosa de seu pai, Agustín. Porém, em certos momentos os bons sentimentos são estremecidos por certas atitudes questionáveis por parte de Agustín. Com o tempo, Estrella (que por mais que tenha maturidade, é apenas uma criança) cresce e passa a compreender melhor a personalidade do pai como um todo, com direito a qualidades, defeitos, desejos, frustrações, etc. Como eu disse acima, O Sul é extremamente sublime. Suas imagens deslumbrantes são pura poesia e a atmosfera melancólica é reforçada por uma trilha sonora belíssima e moderada, mas que sempre aparece nos momentos cruciais. Nada é exagerado, tudo é natural. Victor Erice com certeza teve muita influência de diretores como Satyajit Ray e Kenji Mizoguchi. Dá gosto ver uma obra tão bela em todos os sentidos. Favoritado.
Filme que Victor Erice referenciou no espetacular "Close Your Eyes", gosto da abordagem desse diretor que me leva cada vez mais a simpatizar o cinema espanhol
Indicado a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Terceiro filme que assisto do diretor, este assisti na sequência do O Espírito da Colméia, e a qualidade se mantém intacta. Um filme com muito mais coisas nas entrelinhas, sobre cicatrizes que a vida não cura e ficam não resolvidas até o fim da vida. Se você não tem algo do tipo pode se considerar uma pessoa de sorte... ou talvez não. A complexidade da vida tratada com maestria por um dos melhores diretores que descobri nos últimos anos. O filme era para ter o dobro de tempo, mas foi encerrado por falta de orçamento para finalizá-lo pela produção. Erice conseguiu nos entregar um desfecho válido, mas fica aquela vontade de ver o que o diretor planejava para o restante da película, o que o sul traria para o filme. Um diretor que consegue transpor para a tela a vida da forma mais crua de uma maneira poética.
BLOG: FILMESTRANGEIROS
INSTAGRAM: @filmestrangeiros
- a tentativa de entender a vida adulta pelo olhar de uma criança
- filme melancólico e bastante sensível. personagens memoráveis, muito bem escritos
- conseguimos logo nos identificar com a protagonista, sua busca para conseguir alcançar seu pai e seus sentimentos
- fotografia linda somada a uma ótima edição
“A mi silencio, él respondía con el suyo. Fue así como, de pronto, comprendí que él seguía mi juego, aceptando mi reto para demostrarme que su dolor era mucho más grande que el mío.”
Doloroso, profundo. Sem palavras.
O Sul é um drama muito elegante, sutil e tocante dirigido da forma mais sublime possível pelo grande Victor Erice. É o segundo filme do diretor que assisto (o outro foi a obra-prima suprema O Espírito da Colmeia) e seguramente ambos são filmes que merecem nota máxima. Com certeza me aprofundarei na filmografia deste grande diretor. Antes de tudo, O Sul é um filme sobre uma relação entre pai e filha e a tal relação (com os seus altos e baixos) é complexa e repleta de nuances. Estrella (uma criança curiosa e inteligente que vive em seu pequeno universo familiar e que desconhece o mundo exterior) nutre uma admiração e um fascínio repleto de curiosidade sobre a figura misteriosa de seu pai, Agustín. Porém, em certos momentos os bons sentimentos são estremecidos por certas atitudes questionáveis por parte de Agustín. Com o tempo, Estrella (que por mais que tenha maturidade, é apenas uma criança) cresce e passa a compreender melhor a personalidade do pai como um todo, com direito a qualidades, defeitos, desejos, frustrações, etc. Como eu disse acima, O Sul é extremamente sublime. Suas imagens deslumbrantes são pura poesia e a atmosfera melancólica é reforçada por uma trilha sonora belíssima e moderada, mas que sempre aparece nos momentos cruciais. Nada é exagerado, tudo é natural. Victor Erice com certeza teve muita influência de diretores como Satyajit Ray e Kenji Mizoguchi. Dá gosto ver uma obra tão bela em todos os sentidos. Favoritado.
Filme que Victor Erice referenciou no espetacular "Close Your Eyes", gosto da abordagem desse diretor que me leva cada vez mais a simpatizar o cinema espanhol