Ao retornar para seu lar, após anos de ausência, a jovem Marta (Ariadna Welter) encontra seu vilarejo dominado pelo medo, a mansão de sua família em ruínas, e sua tia Eloisa (Carmen Montejo) sob a influência de um sinistro Conde Lavud (German Róbles).
Não posso negar que El Vampiro (1957) é um filme que constrói uma atmosfera muito bem desenvolvida desde o início. O clima sombrio e o tom gótico dominam cada cena, imergindo o espectador em um ambiente de mistério e tensão. No entanto, achei que o começo é um pouco arrastado — o ritmo se mantém lento até que os acontecimentos realmente começam a se desenrolar. O personagem principal demora não apenas a aparecer, mas também a se revelar de fato, o que prejudica um pouco o envolvimento inicial. Ainda assim, é inegável que se trata de um bom filme, sustentado por uma atmosfera envolvente, personagens pontuais e interessantes, e uma estética visual que impressiona.
Os cenários são um dos grandes destaques: a casa em ruínas repleta de teias de aranha, as névoas no bosque e a iluminação em penumbra criam um visual que traduz perfeitamente o espírito do terror clássico. A fotografia é condizente com o tema e muito bem elaborada, valorizando os contrastes e sombras que remetem ao melhor do gênero. A atuação de Germán Robles,
o eterno primo de Seu Madruga, (Seu Madroga)
Mesmo com os efeitos especiais datados — como os morcegos claramente pendurados em fios —, o charme do filme permanece intacto. Se Chaves, anos depois, teria seus momentos lúdicos e teatrais, aqui há um espírito semelhante, um toque de ingenuidade que torna tudo mais encantador do que risível.
O final, no entanto, me deixou dividido. A cena em que o personagem de Abel Salazar (Dr. Enrique) se declara à protagonista é interrompida pelo barulho de um trem, e o público não consegue ouvir suas palavras. Entende-se o teor da conversa, mas ainda assim é frustrante não escutá-la. Ela permanece imóvel, sem resposta, e só quando ele esquece as malas e retorna é que ocorre o beijo final. Para mim, esse desfecho soou um tanto anticlimático, como se o clímax emocional tivesse sido cortado antes da hora.
Por outro lado, gostei bastante da mensagem que encerra o filme, enaltecendo o próprio cinema nacional e sua identidade cultural: “Es una película mexicana.” É uma afirmação simples, mas poderosa — um lembrete do orgulho e da força do cinema mexicano em meio a um gênero amplamente dominado por produções estrangeiras. El Vampiro é, sem dúvida, uma joia do horror clássico latino, que merece ser lembrada e celebrada.
Assistido em 27/10/2025
O diretor Fernando Mendez consegue recriar a atmosfera gótica dos filmes clássicos de terror, com casas enevoadas e cheias de teias de aranhas, adicionados à religiosidade dos mexicanos, além de manter um bom ritmo do inicio ao fim. O que não dá pra deixar passar são os ridículos morcegos pendurados em fios. De resto funciona muito bem.
Pena que os brasileiros da época não tenham investido em filmes de gênero como fizeram os mexicanos.
Gostei, é um terror mexicano que não deve em nada a outras produções do gênero feitas nos EUA e Europa na mesma época, o grande destaque é o clima gótico com aqueles cenários cheios de neblina, o mausoléu, e a mansão sinistra, é um bom divertimento.
Achei o filme bem mediano, a história não chega a ser ruim, mas tem um ritmo lento e a ação fica mais pra parte final. Mesmo assim, acredito que vale uma conferida, nem que seja pela curiosidade.
Recomendo como filme histórico para os fãs do terror/vampiro. Não podemos esquecer que o filme é da década de 50, com recursos muito aquém dos atuais. Vale a pena conhecer. 05.03.21