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É chegada a hora, como acontece a cada dois anos, dos membros da mais antiga tríade de Hong Kong, a Sociedade Wo Shing, elegerem seu novo presidente. A rivalidade emerge entre os candidatos que disputam o cargo. Lok é o favorito para ganhar, mas seu rival Big D não medirá esforços para que isso mude, incluindo contrariar anos de tradição e influenciar o voto com dinheiro e violência. Uma luta pelo poder que ameaça dividir a tríade em duas.
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Achei um filme correto, não faz lá muito meu estilo de cinema este jogo de gato e rato de gângster , um mata o outro, outro trai um e por aí vai. Certamente para quem aprecia o gênero é um prato cheio.
Se no primeiro filme To expõe a essência estrutural da organização, em “Election 2” o campo já está todo plantado para adentrar ao mundo de forma mais direta e física. Inegável o quanto um complementa o outro. A sequência faz com que cada um dos filmes se transforme em algo muito maior, imergindo naquele universo de ganância, poder e distorção moral. E apesar de funcionarem de maneira isolada, é quando finalizamos o segundo filme que percebemos a riqueza temática e narrativa que Johnnie To consegue impor ao seu trabalho.
E aqui, ele reitera o que já havíamos notado logo no primeiro filme: não importa quem seja ou de que lado você está, naquele universo todo homem é regido pela ambição. E essa ambição, leva até o mais centrado homem à barbárie e ao desejo de poder a qualquer custo. E no fim das contas, esse estilo cobra seu preço. Se não com a morte, com o próprio conhecimento de que nada fará aquela pessoa, por mais que ela queira, deixar a vida do crime. A servidão é eterna.
Não tem o frescor do longa original mas traz a marca registrada de Johnnie To um exímio diretor do submundo.
"Eleição 2" consegue explorar os mecanismos internos mais obscuros que operam dentro do ser humano: a vingança, a raiva, a inveja. E não há heróis nessa saga perturbadora porque todos os personagens são egoístas, motivados apenas por seus interesses pessoais. Aqui, temos homens que estão dispostos a corromper seus valores, degradando-os totalmente. Diante de todas as coisas que ocorrem, é como se fosse determinada uma sentença de morte para as tradições da sociedade Wo Sing. Eles são, essencialmente, gangsteres que lutam pelo poder e que usam e transgridam algumas regras para obtê-lo de qualquer maneira. O velho tio Teng (o mais tradicional e respeitado dos membros) descreve algumas coisas sobre sua vida como membro da tríade: embora não convencional, sempre foi uma sociedade capaz de governar a si própria, tem muita história, pois é ligada ao heroísmo de seus fundadores. Entretanto, olhando as reuniões dos "irmãos", é visível que a sociedade contemporânea se tornou completamente distante da sua raiz. Aquele mundo não existe mais, é apenas uma memória romântica.
Uma das coisas que mais me agradam nessa saga: ela não permite que você se esqueça de que, não importa o quão simpático, nenhuns desses caras são bons homens. Então, você não deve torcer por nenhum deles. Mas, ainda assim, apesar de serem personagens moralmente desprezíveis, são fascinantes ao mesmo tempo.
Johnnie To faz um trabalho incrível. Ele consegue transmitir toda a sua incrível atmosfera e intensidade, marcado por rivalidades e competitividade. É o que respiramos entre os membros da tríade em suas constantes lutas pelo poder. Ele mostra que não só sabe fazer cenas ótimas de violência e perseguição, como também é capaz de nos mostrar um quadro provocante, inserido num círculo eleitoral de um realismo absurdo. Essa saga exala a essência pura de filmes do gênero. Um clássico do cinema de Hong Kong, ou melhor, um clássico do cinema.
Essa sinopse é a mesma do primeiro, tem que arrumar isso aí.