Dirigido por
Data de lançamento
14 Maio 2026Duração
Eu Não Te Ouço narra a realidade vivida por uma sociedade que está completamente devastada pela impossibilidade de se ouvirem. Aos poucos, após um encontro improvável, surge um road movie inusitado. Misturando um humor leve com uma tensão existencial, o tom de poesia dá ainda mais sentido à narrativa.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Eu não te ouço
O novo longa de Caco Ciocler (que há um bom tempo vem se dividindo entre atuação e direção) encerra uma trilogia política que ele construiu sem planejar, que analisa o Brasil contemporâneo e suas tensões no campo da política. A trilogia é formada pelos documentários “Partida” (2019), que traz a atriz Georgette Fadel tentando se candidatar à presidência da República após a eleição de Bolsonaro, e como inspiração viaja de ônibus com um grupo de amigos para visitar o presidente do Uruguai Pepe Mujica, seguida de “O melhor lugar do mundo é agora” (2021), filmado em plena pandemia, que trata de artistas no isolamento social e a invasão das fakes news sobre eles naquele período crítico da política nacional. Agora Ciocler faz uma obra ficcional misturando comédia e drama e, como consta na tagline do pôster, é “baseada em um meme real”: é a história verídica de um caso inusitado que viralizou nas redes e grande mídia no final de 2022, chamado de “O patriota do caminhão”. O apelido foi dado a um indivíduo chamado Marcos Guedes, dito empresário, que virou um dos maiores memes da internet após se agarrar na frente de um caminhão em movimento. O episódio ocorreu em novembro de 2022, na rodovia BR-232, em Caruaru (PE), durante os bloqueios de estradas ilegais realizados por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, que contestavam o resultado das eleições presidenciais (em que Lula ganhou). O tal empresário fez isso para impedir que um caminhão furasse o bloqueio. A partir desse meme de segundos de duração que contaminou as redes, Ciocler faz, em “Eu não te ouço”, um estudo de personagens instigante, com o ator Márcio Vito em papel duplo: o do caminhoneiro e o manifestante agarrado no veículo. O filme parte desse acontecimento para propor uma metáfora sobre a divisão do país, que explodiu em conflitos ideológicos. De um lado, o motorista fechado na cabine, seguindo com seu trabalho, e do outro, o manifestante agarrado na frente do caminhão, gritando palavras que o caminhoneiro não consegue ouvir. Entre eles, o vidro, uma barreira física e simbólica que separa mundos e impede o diálogo. A obra é sobre a impossibilidade de escuta em uma sociedade dividida, onde discursos se chocam e nunca há conciliação. Pode ser visto como um road movie de estilo autoral, com pitadas de sarcasmo e ironias da vida real. O trabalho de Vito foi reconhecido em muitos festivais, como o Festival do Rio, onde ganhou o Troféu Redentor de melhor ator. O roteiro foi escrito em três: por Ciocler, Vito e pela atriz Isabel Teixeira (filha do cantor e compositor Renato Teixeira). Exibido em festivais como a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, a obra está nos cinemas brasileiros, com produção e distribuição da Amaia.
POR FELIPE BRIDA - BLOG CINEMA-NAWEB BLOGSPOTCOM
- quando me contaram sobre o filme e pelo começo do mesmo eu esperava algo diferente, mais documental
- a ideia em si é ótima, mostrar como os dois lados do espectro político não conseguem se comunicar e a analogia escolhida foi muito boa
- só que divaga demais em alguns momentos e acaba perdendo o fio da meada, mas trás pontos importantes
- outro porém é que mostra um lado e um que se diz em cima do muro, que não liga para isso, não os dois lados realmente