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Jovens nigerienses deixam sua terra natal para procurar trabalho na Costa do Marfim. Desenraizados em meio à civilização moderna, acabam chegando a Treichville, bairro operário de Abdijam. O herói, que conta sua própria história, se auto-denomina Edward G. Robinson, em honra ao ator americano. Da mesma forma, seus amigos escolhem pseudônimos destinados à lhes forjar, simbolicamente, uma personalidade ideal.
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Muito interessante a proposta de os personagens se dublarem como desejassem.
Acho que o sentimento que tenho com os filmes do Jean Rouch são em geral parecidas. Gosto de suas propostas , vejo valor nelas mas invariavelmente sai de suas sessões bastante entediado mesmo em filmes bastante curtos, como é o caso de Eu, um negro. Tem algo aqui também que me incomodou quando os diálogos são refeitos, me parece que para o efeito de retrato da realidade acaba gerando uma sensação de falsidade que ao meu ver não deveria caber ao filme documenta.
Excelente documento histórico, que buscou retratar a realidade de uma grande cidade do império colonial francês na África, já em seus últimos anos de dominação direta.
Melhor dizendo, traz um recorte dessa realidade, mostrando a cidade e seu cotidiano através dos olhos do protagonista. Assim, vemos em plena década de 1950, na África, uma cidade já bastante moderna e ocidentalizada, embora a cultura e tradições do povo local estejam ali inseridas, seja se sincretizando com a cultura do dominador ou lutando para resistir em meio a tantas influências externas.
Cowboys americanos e Marlon Brando como ídolos de jovens negros que tem os direitos mais básicos negados, uma juventude que luta pra se adaptar e sobreviver em meio a uma cidade moderna que não foi feita pra eles, embora pelas mãos deles.
Passados mais de 60 anos, a realidade que se apresenta nas periferias do capitalismo se mostram muito diferentes da Abidjan dos anos 50?
Obra-prima mor do genial Jean Rouch, este filme, em minha opinião, é uma verdadeira aula de como se deve conduzir atores quando se tem dificuldades interpretativas inelutáveis a se gerir: através do aproveitamento das circunstâncias e contingências, valorizando-se as benesses do dia-a-dia. Filme revolucionário que estraçalha qualquer delimitação longeva entre documentário e ficção, obra de arte suprema sobre como enfrentar as agruras do cotidiano. Um berço africano do que seria a Nouvelle Vague, como notaram alguns amigos. E, de fato, a problematização feminista abaixo comentada faz muuuuuuuito sentido! (WPC>)
eu, problematiziane melo, fico muito incomodada com a forma com que a mulher negra é retratada nesse documentário..