Em um belíssimo local, na margem do Don, em uma vila remota, semi-destruída, cercada apenas por estepe de centenas de milhas, um drama real ocorre. Um amor inesperado apaixonado entre um rapaz e uma mulher casada destroem literalmente a vida não só dos personagens principais, mas também das pessoas próximas.
Sem anúncios
Aproveite o melhor do Filmow sem interrupções
Reassisti este filme que me marcou tanto há 7 anos.
E agora escrevo minhas impressões sobre ele.
A primeira cena do filme "Euphoria" (2006) nos dá a ideia exata do que significa essa sensação: uma alegria intensa, quase descolada da realidade, que altera a percepção dos personagens e os empurra para fora de seus eixos. Esse impulso pode ser tão arrebatador quanto perigoso, pois não se sustenta diante da dureza concreta da vida. O contraste entre o instante de plenitude e o peso da existência é o fio que atravessa toda a narrativa.
O espaço onde a história se desenrola é isolado, marcado por estradas de chão batido que se entrelaçam como veias, conectando destinos e rompendo o marasmo. O terreno irregular, cheio de crateras, reforça a sensação de precariedade, enquanto o rio que corta a paisagem surge como contraponto: o fluxo contínuo, o verde e a abundância em meio à aspereza. As casas parecem clausuras, escuras e abafadas, mas a luz do sol presente nas cenas externas parece insistir em oferecer uma promessa de liberdade, ainda que distante.
Nesse cenário, vidas estagnadas se cruzam. Homens endurecidos pela brutalidade e pelo álcool, mulheres resignadas à submissão, todos vivendo com o mínimo, invisíveis ao olhar do Estado. É nesse contexto que os personagens centrais se encontram, primeiro apenas em uma troca de olhares, depois em uma conexão única, que cresce nos silêncios e dispensa promessas ou garantias. Suas mãos entrelaçadas, seus corpos expostos em uma nudez quase bíblica, evocam um instante de paraíso. Mas como toda euforia, essa experiência ignora os limites da realidade e carrega em si a fragilidade de ser breve, como uma flor que brota no deserto.
Gostaria de saber se alguém tem link pra esse filme, eu não encontrei!
Assisti este filme por uma indicação que li na coluna de cinema da Revista Veja, à época. Lá pelos anos de 2006 ou 2007. Acredito que pela fotografia, pela sensação de solidão que o filme traz, pelo enredo... ele ficou guardado na minha memória. Mas o título do filme se apagou da minha lembrança. Foram anos buscando na internet em sites de cinéfilos, mas parecia que ninguém conhecia este filme. Não me lembrava de quase nada também, só de fragmentos da estória. Aí comecei uma pesquisa interminável por todos os exemplares da revista Veja que estavam disponíveis na internet, lendo todas as colunas de cinema e arte. Anos se passaram... até que um dia o encontrei. "Euforia". Foi o que senti. E alívio também... rs... confesso que não sei explicar porque me marcou tanto.
O filme russo, pouco popular, tem a fotografia extraordinariamente mais bonita e melancólica que já vi. Sufocante! Belo!
"Traga vodka e uma faca..."
Fotografia lindíssima!