Fui completamente seduzido, encantado, inebriado, apaixonado: este filme é quase como uma tábula pornográfica semi-rasa, em que projetamos nossos desejos famélicos mais variados, encontrando no corpo extremamente alvo de Miguel Clark o alvo fetichizado ideal. As distorções sonoras e a panóplia de trechos de canções que ouvimos (de Diana a Katy Perry, passando por The Fevers e muitos outros artistas) são geniais indutores da perturbação sentida pelo protagonista, que também nos contamina. Mais uma vez, a estética do VHS é emulada numa fotografia que serve-se das suas imperfeições para excitar, através da brechas imagéticas com forte viés psicanalítico. O desfecho 'gore' é pura confirmação de tudo isso: o modo solene e muito demorado com que o corpo do protagonista é alisado, antes do 'clímax' sanguinolento, é a deixa que faltava para que aderíssemos à tônica de masturbação sobrevivencial e salvaguardadora que o filme dispara em meio ao desespero apocalíptico. Muito, muito bom. Um exercício de estilo tão imperfeito quanto magistral: tesão e desespero em iguais medidas. Viva os charutos de Samuel Fuller! (WPC>)
Esteticamente ousado.
Fui completamente seduzido, encantado, inebriado, apaixonado: este filme é quase como uma tábula pornográfica semi-rasa, em que projetamos nossos desejos famélicos mais variados, encontrando no corpo extremamente alvo de Miguel Clark o alvo fetichizado ideal. As distorções sonoras e a panóplia de trechos de canções que ouvimos (de Diana a Katy Perry, passando por The Fevers e muitos outros artistas) são geniais indutores da perturbação sentida pelo protagonista, que também nos contamina. Mais uma vez, a estética do VHS é emulada numa fotografia que serve-se das suas imperfeições para excitar, através da brechas imagéticas com forte viés psicanalítico. O desfecho 'gore' é pura confirmação de tudo isso: o modo solene e muito demorado com que o corpo do protagonista é alisado, antes do 'clímax' sanguinolento, é a deixa que faltava para que aderíssemos à tônica de masturbação sobrevivencial e salvaguardadora que o filme dispara em meio ao desespero apocalíptico. Muito, muito bom. Um exercício de estilo tão imperfeito quanto magistral: tesão e desespero em iguais medidas. Viva os charutos de Samuel Fuller! (WPC>)