Os métodos progressistas de Fanon no hospital de Blida geram críticas. Seu atendimento humano aos pacientes irrita a equipe. Ramdane, da FLN, o recruta. Ele e sua esposa Josie se juntam à luta pela independência da Argélia.
"Durante os longos 140 minutos, testemunhamos o nascimento de uma revolução, que começa do micro para o macro quando Fanon assume esta chefia, demonstrando, por entre os corredores das enfermarias, como o racismo estrutural, o presídio mental e literal e a violência colonial francesa adoeciam tanto os colonizados quanto os colonizadores. [...] Esteticamente, o filme opta por uma crueza necessária. As cenas de violência colonial, implícitas ou explicitas, estão na contramão do que estamos acostumados quando pensamos em filmes hollywoodianos, por exemplo. A fotografia claustrofóbica do hospital ajuda a criar a atmosfera de urgência que impulsionou a escrita de obras fundamentais como Os Condenados da Terra, obra lançada semanas antes de sua morte em decorrência de complicações de leucemia em dezembro de 1961."
Bem fraquinho. Fiquei com a impressão de que todos os personagens só existiam para agir de uma maneira, todos sem ambiguidade. Fanon não ri, não erra, não vive conflito, fica só testemunhando absurdos e falando frases impactantes retiradas de seus livros o filme inteiro. A lentidão também incomoda, assim como as cenas gravadas de maneira amadora, como a cena do pequeno surto dos loucos, em que todos parecem estar atuando para construir aquilo. Não achei que nada funcionou, embora as frases de Fanon ditas em voz alta com um plano de fundo torne minimamente interessante por si só.
Muito se aguardou por uma cinebiografia de Franz Fanon (1925-1961), psiquiatra martinicano que se tornou um pensador crítico do colonialismo - e transcorridos 55 anos de sua morte, continua uma das vozes mais estudadas sobre a decolonialidade (eu, por exemplo, o estudei no meu Mestrado na PUC, especialmente seus dois livros-chave, “Os condenados da Terra” e “Pele negra, máscaras brancas”). O filme não é uma biografia completa de Fanon (da infância à morte), e sim de parte de sua trajetória, com foco no período que viveu e trabalhou na Argélia colonial, entre 1953 e 1956, e lá sua prática médica se entrelaçou com a luta política e o engajamento revolucionário. O longa apresenta Fanon (interpretado brilhantemente por Alexandre Bouyer, em seu terceiro longa e o primeiro como protagonista) em sua chegada ao hospital psiquiátrico de Blida, na Argélia sob domínio da França. Ali, seus métodos humanistas e inovadores entram em choque com a rigidez institucional, revelando tanto sua visão avançada sobre a saúde mental quanto a postura ética diante da opressão colonial. À medida que a Guerra da Argélia se intensifica, Fanon se aproxima da Frente de Libertação Nacional (FLN), movimento nacionalista de libertação do país. Fanon torna-se um militante ativo contra o domínio francês, e seu posicionamento influenciaria em seguida outros movimentos de libertação, como o dos povos sufocados na África e os da América Latina sob regime de ditaduras. O filme mostra como a vida pessoal de Fanon, ao lado da esposa Josie (papel de Déborah François, de “A datilógrafa”), foi atravessada por dilemas e violências que o tragaram para dentro do centro da resistência na FLN. Fanon defendia que a descolonização não era somente um processo político, mas cultural e subjetivo, que ampliava a libertação também dos corpos e das consciências – por isso sua voz ecoa nos tempos de hoje. Coprodução França, Luxemburgo, Canadá e Bélgica rodada na Tunísia e Martinica, tem uma direção interessada de Jean-Claude Flamand-Barny (que assina como Jean-Claude Barny), que dá um tratamento digno para o personagem em seu roteiro ao lado de Philippe Bernard. Como espectadores, vemos o percurso de um intelectual que rompeu fronteiras entre medicina, filosofia e política, tornando-se referência mundial no pensamento decolonial. O filme foi realizado em celebração ao centenário de nascimento de Fanon, em 2025, e infelizmente não teve o devido reconhecimento em festivais tampouco em premiações (só exibido em festivais menores). Está nos principais cinemas brasileiros, com distribuição da Fênix Filmes. POR FELIPE BRIDA - Blog Cinema-naweb blogspotcom
"Durante os longos 140 minutos, testemunhamos o nascimento de uma revolução, que começa do micro para o macro quando Fanon assume esta chefia, demonstrando, por entre os corredores das enfermarias, como o racismo estrutural, o presídio mental e literal e a violência colonial francesa adoeciam tanto os colonizados quanto os colonizadores.
[...]
Esteticamente, o filme opta por uma crueza necessária. As cenas de violência colonial, implícitas ou explicitas, estão na contramão do que estamos acostumados quando pensamos em filmes hollywoodianos, por exemplo. A fotografia claustrofóbica do hospital ajuda a criar a atmosfera de urgência que impulsionou a escrita de obras fundamentais como Os Condenados da Terra, obra lançada semanas antes de sua morte em decorrência de complicações de leucemia em dezembro de 1961."
Minha crítica completa em: https://cineset.com.br/critica-fanom-2026/
Filme praticamente impecável. Muito bem feito. Vejam. E também leiam Fanon, se possível.
Já li um pouco sobre esse médico Fanon...o filme mostrou um pouco do que ele fez....06/08/26.
Bem fraquinho. Fiquei com a impressão de que todos os personagens só existiam para agir de uma maneira, todos sem ambiguidade. Fanon não ri, não erra, não vive conflito, fica só testemunhando absurdos e falando frases impactantes retiradas de seus livros o filme inteiro. A lentidão também incomoda, assim como as cenas gravadas de maneira amadora, como a cena do pequeno surto dos loucos, em que todos parecem estar atuando para construir aquilo. Não achei que nada funcionou, embora as frases de Fanon ditas em voz alta com um plano de fundo torne minimamente interessante por si só.
Muito se aguardou por uma cinebiografia de Franz Fanon (1925-1961), psiquiatra martinicano que se tornou um pensador crítico do colonialismo - e transcorridos 55 anos de sua morte, continua uma das vozes mais estudadas sobre a decolonialidade (eu, por exemplo, o estudei no meu Mestrado na PUC, especialmente seus dois livros-chave, “Os condenados da Terra” e “Pele negra, máscaras brancas”). O filme não é uma biografia completa de Fanon (da infância à morte), e sim de parte de sua trajetória, com foco no período que viveu e trabalhou na Argélia colonial, entre 1953 e 1956, e lá sua prática médica se entrelaçou com a luta política e o engajamento revolucionário. O longa apresenta Fanon (interpretado brilhantemente por Alexandre Bouyer, em seu terceiro longa e o primeiro como protagonista) em sua chegada ao hospital psiquiátrico de Blida, na Argélia sob domínio da França. Ali, seus métodos humanistas e inovadores entram em choque com a rigidez institucional, revelando tanto sua visão avançada sobre a saúde mental quanto a postura ética diante da opressão colonial. À medida que a Guerra da Argélia se intensifica, Fanon se aproxima da Frente de Libertação Nacional (FLN), movimento nacionalista de libertação do país. Fanon torna-se um militante ativo contra o domínio francês, e seu posicionamento influenciaria em seguida outros movimentos de libertação, como o dos povos sufocados na África e os da América Latina sob regime de ditaduras. O filme mostra como a vida pessoal de Fanon, ao lado da esposa Josie (papel de Déborah François, de “A datilógrafa”), foi atravessada por dilemas e violências que o tragaram para dentro do centro da resistência na FLN. Fanon defendia que a descolonização não era somente um processo político, mas cultural e subjetivo, que ampliava a libertação também dos corpos e das consciências – por isso sua voz ecoa nos tempos de hoje. Coprodução França, Luxemburgo, Canadá e Bélgica rodada na Tunísia e Martinica, tem uma direção interessada de Jean-Claude Flamand-Barny (que assina como Jean-Claude Barny), que dá um tratamento digno para o personagem em seu roteiro ao lado de Philippe Bernard. Como espectadores, vemos o percurso de um intelectual que rompeu fronteiras entre medicina, filosofia e política, tornando-se referência mundial no pensamento decolonial. O filme foi realizado em celebração ao centenário de nascimento de Fanon, em 2025, e infelizmente não teve o devido reconhecimento em festivais tampouco em premiações (só exibido em festivais menores). Está nos principais cinemas brasileiros, com distribuição da Fênix Filmes. POR FELIPE BRIDA - Blog Cinema-naweb blogspotcom