Vencedor de Melhor Curta Metragem na Competição Internacional no Festival de Locarno e de vários outros prêmios, tendo saído com cinco premiações no Festival de Gramado. O curta metragem é muito bom, tem uma visão mais apurada e diria até mais focada na experiência de entregadores de aplicativo em uma época de pandemia. Eu já tive essa experiência de ficar dois meses fazendo entrega de aplicativo com uma bicicleta, é um trabalho extremamente pesado, e o que mais me assustava (apesar de ter gostado bastante de alguns pontos) era o fato de não ter nenhuma garantia de direitos trabalhistas em caso de um acidente. A mistura de todo esse cenário com uma narrativa em parte musical casou muito bem. Achei toda a ideia bem ousada do diretor e vale muito a pena a assistida. Aquele papo de "bater a meta do dia" é muito real.
Um curta musical sobre a precarização do trabalho, a exploração cotidiana, é fácil cair no discurso de que seria lacraçáo, como se só dramas burgueses pudessem ser tema de musicais.
Sou apaixonado por esse diretor (em todos os sentidos): jovem 'sex symbol' e muitíssimo inteligente, fiquei muito feliz quando soube de sua premiação em Locarno - e sabia que gostaria bastante deste filme. Ao saber que tratava-se de um musical acerca da precarização dos trabalhos durante a pandemia, temi que a tendência à espetacularização pudesse afetar o seu discurso político. Deparei-me com o inverso: é um roteiro muito hábil nas fronteiras entre o otimismo e a força de vontade. Um filme que prefere o espetáculo cotidiana da resistência, enquanto algo tão possível quanto devível. As coreografias são fascinantes e o protagonista é excelente, fazendo um par cândido com o Silvero Pereira, num palco. Os depoimentos dos demais entregadores são ótimos, compartilhando com o público situações de exploração muito comuns, nesta profissão improvisada e tão necessária. Fotografia esplêndida, música no tom certo. Talvez a montagem mui acelerada (condizente com o que encontramos no trabalho anterior do realizador) perturbe-nos um pouco, pois queremos saber mais sobre aquelas pessoas, desejamos estar mais ao lado deles... "Mas não dá tempo, temos metas a cumprir". Na derradeira canção, o nome do país é interrompido, ao ser pronunciado. A crítica é evidente. Trabalho de gênio! (WPC>)
O projeto “Fantasma Neon”, de Leonardo Martinelli, venceu o Leopardo de Ouro de melhor curta-metragem internacional na 74ª edição do Festival de Locarno, realizado na Suíça.
Vencedor de Melhor Curta Metragem na Competição Internacional no Festival de Locarno e de vários outros prêmios, tendo saído com cinco premiações no Festival de Gramado. O curta metragem é muito bom, tem uma visão mais apurada e diria até mais focada na experiência de entregadores de aplicativo em uma época de pandemia. Eu já tive essa experiência de ficar dois meses fazendo entrega de aplicativo com uma bicicleta, é um trabalho extremamente pesado, e o que mais me assustava (apesar de ter gostado bastante de alguns pontos) era o fato de não ter nenhuma garantia de direitos trabalhistas em caso de um acidente. A mistura de todo esse cenário com uma narrativa em parte musical casou muito bem. Achei toda a ideia bem ousada do diretor e vale muito a pena a assistida. Aquele papo de "bater a meta do dia" é muito real.
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"O que eu sei é que nem de neon eles enxergam a gente."
Fantasma Neon (Brasil,2021)
Direção: Leonardo Martinelli.
Com: Dennis Pinheiro, Silverio Pereira.
Você enxerga as pessoas ao seu redor? Sabe quem são, ou pelo menos se interessa por elas?
Esse musical poético vai na ferida aberta dos invisíveis da sociedade.
E através da sua beleza o filme consegue dialogar com nossos sentimentos em relação à isso.
É imperdível!
Em cartaz nos cinemas junto com o também incrível Fogo-Fátuo.
Um curta musical sobre a precarização do trabalho, a exploração cotidiana, é fácil cair no discurso de que seria lacraçáo, como se só dramas burgueses pudessem ser tema de musicais.
Sou apaixonado por esse diretor (em todos os sentidos): jovem 'sex symbol' e muitíssimo inteligente, fiquei muito feliz quando soube de sua premiação em Locarno - e sabia que gostaria bastante deste filme. Ao saber que tratava-se de um musical acerca da precarização dos trabalhos durante a pandemia, temi que a tendência à espetacularização pudesse afetar o seu discurso político. Deparei-me com o inverso: é um roteiro muito hábil nas fronteiras entre o otimismo e a força de vontade. Um filme que prefere o espetáculo cotidiana da resistência, enquanto algo tão possível quanto devível. As coreografias são fascinantes e o protagonista é excelente, fazendo um par cândido com o Silvero Pereira, num palco. Os depoimentos dos demais entregadores são ótimos, compartilhando com o público situações de exploração muito comuns, nesta profissão improvisada e tão necessária. Fotografia esplêndida, música no tom certo. Talvez a montagem mui acelerada (condizente com o que encontramos no trabalho anterior do realizador) perturbe-nos um pouco, pois queremos saber mais sobre aquelas pessoas, desejamos estar mais ao lado deles... "Mas não dá tempo, temos metas a cumprir". Na derradeira canção, o nome do país é interrompido, ao ser pronunciado. A crítica é evidente. Trabalho de gênio! (WPC>)
O projeto “Fantasma Neon”, de Leonardo Martinelli, venceu o Leopardo de Ouro de melhor curta-metragem internacional na 74ª edição do Festival de Locarno, realizado na Suíça.