Durante o Carnaval do Rio, um gari luta contra a perda da irmã e suas obrigações profissionais. Em meio às comemorações, ele encontra uma criança perdida e decide ajudá-la.
Não entendi o porquê dos comentários negativos - típicos do Twitter - que li sobre este filme, quiçá derivados de suspeitas relacionadas à "apropriação cultural", visto que os personagens e o elenco são predominantemente negros, enquanto o diretor é branco. A despeito de eu acompanhar com muito entusiasmo a carreira deste curta-metragista, desde que COPACABANA MADUREIRA foi ampla e entusiasticamente recomendado por vários amigos, estava com expectativas mistas em relação ao seu novo trabalho, pois PÁSSARO MEMÓRIA não funcionou muito comigo. Tive o privilégio de conhecê-lo pessoalmente, em Tiradentes, e, ao ter acesso ao filme, depois de seu sucesso no Festival de Gramado, fui arrebatado: ele volta à musicalidade de FANTASMA NEON, acrescentando o mesmo apelo de apoio proletário que, ali, provocou-me uma adesão imediata. Foi o caso, novamente: apaixonado pelas diligências dos garis (mas nem tanto pelo Carnaval), gostei muito da esperteza do ângulo oblíquo inicial, que é modificado a partir de uma ação humana intradiegética. Fiquei encantado pela fotografia do filme, bem como por sua direção de arte. Gostei do modo contido como Alexandre Amador compõe o seu personagem entristecido, mas comprometido com o seu trabalho, de modo que o encontro com o garotinho possui um aspecto simultâneo de memória e de sonho. Por mais piegas que possa ser a mensagem pró-leitura ou a reconciliação com o luto, adorei a seqüência na biblioteca, e achei espetacular o momento em que Miguel Leonardo sai do enquadramento quadricular da tela, ficando à borda do filme. Há jogos de linguagem fascinantes na obra, que culminam numa execução coletiva de uma de minhas canções brasileiras favoritas, dotada de particular significação desde o falecimento recente de Preta Gil. Pessoalmente, gostei muitíssimo: a emoção foi sincera, legítima, direta, cantada, em primeira pessoa, para além das diferenças contextuais/regionais entre o meu cotidiano e o do protagonista. Adorei. Feliz que ele esteja sendo merecidamente laureado em festivais. Já sinto vontade de vê-lo novamente: gostei muitíssimo, é sério! (WPC>)
Assisti no kinoforum tomando um vinho
Curta muito profundo
Não entendi o porquê dos comentários negativos - típicos do Twitter - que li sobre este filme, quiçá derivados de suspeitas relacionadas à "apropriação cultural", visto que os personagens e o elenco são predominantemente negros, enquanto o diretor é branco. A despeito de eu acompanhar com muito entusiasmo a carreira deste curta-metragista, desde que COPACABANA MADUREIRA foi ampla e entusiasticamente recomendado por vários amigos, estava com expectativas mistas em relação ao seu novo trabalho, pois PÁSSARO MEMÓRIA não funcionou muito comigo. Tive o privilégio de conhecê-lo pessoalmente, em Tiradentes, e, ao ter acesso ao filme, depois de seu sucesso no Festival de Gramado, fui arrebatado: ele volta à musicalidade de FANTASMA NEON, acrescentando o mesmo apelo de apoio proletário que, ali, provocou-me uma adesão imediata. Foi o caso, novamente: apaixonado pelas diligências dos garis (mas nem tanto pelo Carnaval), gostei muito da esperteza do ângulo oblíquo inicial, que é modificado a partir de uma ação humana intradiegética. Fiquei encantado pela fotografia do filme, bem como por sua direção de arte. Gostei do modo contido como Alexandre Amador compõe o seu personagem entristecido, mas comprometido com o seu trabalho, de modo que o encontro com o garotinho possui um aspecto simultâneo de memória e de sonho. Por mais piegas que possa ser a mensagem pró-leitura ou a reconciliação com o luto, adorei a seqüência na biblioteca, e achei espetacular o momento em que Miguel Leonardo sai do enquadramento quadricular da tela, ficando à borda do filme. Há jogos de linguagem fascinantes na obra, que culminam numa execução coletiva de uma de minhas canções brasileiras favoritas, dotada de particular significação desde o falecimento recente de Preta Gil. Pessoalmente, gostei muitíssimo: a emoção foi sincera, legítima, direta, cantada, em primeira pessoa, para além das diferenças contextuais/regionais entre o meu cotidiano e o do protagonista. Adorei. Feliz que ele esteja sendo merecidamente laureado em festivais. Já sinto vontade de vê-lo novamente: gostei muitíssimo, é sério! (WPC>)