Gespenster (Fantasmas, em português), do diretor Christian Petzold. Resumidamente um filme que trata da sensação de solidão e inexistência sobre a alma. A dúvida e as poucas relações entre as pessoas é que demonstra a realidade da película. Inicialmente, a história trata de Nina e Toni, duas garotas sós, as quais se tornam próximas justamente por se sentirem sozinhas em um mundo que não as conhece. Além disso existe uma história que envolve as duas em uma atmosfera de tristeza e desespero, a qual o diretor explora de forma fenomenal.
O filme, de poucos diálogos, transmite a intensão através das situações e expressões de todas personagens, cujo sentimento de solidão é comum a todas.
O mais gritante no resultado de tudo é como se percebe a frieza e fraqueza nas relações entre algumas pessoas, as quais podem facilmente ser descartadas. As pessoas o fazem, porém sentem forte o resultado através da intensificação da frieza no espírito. Alguns momentos do filme te trazem questões fortes e de extrema tristeza.
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Acabo de assistir "Ghosts", mais um filme do Christian Petzold. Estranhamente, não gostei tanto deste quanto dos outros que já vi dele. Talvez pelo excesso de lacunas, pela narrativa fragmentada ou pela sensação de que algo essencial me escapou. Mas, curiosamente, percebo que o que me atrai nos filmes dele não é exatamente a história, e sim o contexto, o clima.
Existe algo profundamente envolvente nos universos que Petzold constrói. São atmosferas densas e melancólicas, personagens introspectivos marcados por passados traumáticos que nunca são completamente revelados, mas que pairam sobre cada gesto, cada silêncio. Me sinto imersa nesses espaços suspensos, onde o tempo parece dilatado e os afetos, contidos.
Mesmo que por vezes não seja fácil alcançar a ideia que ele quer transmitir, ou quando a trama deixa mais perguntas que respostas, há uma beleza sóbria que me encanta. É como acompanhar almas que vagam tentando se reconectar com algo perdido: com alguém, com um país, com uma memória.
"Ghosts" talvez seja o mais etéreo deles e, por isso, o mais difícil de decifrar até agora. Mas ainda assim, me tocou. Porque no cinema de Petzold, o que importa não é tanto o que acontece, mas o que permanece nos olhos dos personagens, nas ausências, nas entrelinhas.
A solidão humana retratada de forma natural e comovente. Senti na Nina uma tristeza e ao mesmo tempo vontade de abraçá-la, dar um conforto.
Um filme triste, caustico e sombrio.
Quantas Ninas existem no mundo?
Relações afetivas frias, efêmeras, lacônicas, pontuais. Fantasmas vagando no mundo material.
E, há 10 anos atrás, o diretor não precisou falar de Internet ou de redes sociais para esboçar um retrato contemporâneo da solidão humana e da dificuldade em (querer) se encontrar no outro.
Destaque para a atuação de Julia Hummer.
Site onde eu possa ver ou baixar? '-'