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Data de lançamento
14 Set. 2021Duração
É 1948 e os ingleses estão saindo do poder na Palestina. Farha, uma menina de 14 anos, sonha em ir à escola na cidade com sua amiga Farida, mas ela sabe que, como filha de um mukhtar, o chefe da vila, é esperado que ela se case, mas quer ir contra essas leis. Entretanto, com os ingleses saindo do país, bombas israelenses chegam a sua vila e seu pai a tranca no porão da casa, prometendo voltar assim que puder. Enquanto Farha olha pelas rachaduras e espera pelo pai, ela vê sua vila, que tanto queria sair, ser destruída, ameaçando os planos que tinha para o futuro.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Filme brutal que retrata, na visão de uma jovem garota palestina - que apenas queria ir à escola -, o Al-Nakba: a destruição e deslocamento forçado daquele povo no início da formação do (ilegítimo) Estado de Israel.
A coragem da diretora Sallam em realizar esse filme é de impressionar. O mais interessante em acompanhar seu filme é presenciar apenas fatos que parecem reais demais sem apelar para o sensacionalismo que geralmente esse tipo de filme cria e não exagerar em cenas pesadas,violentas em excesso pra tentar puxar o espectador para seu lado. O que temos são momentos dolorosos,mas antes de tudo isso acontecer,temos momentos de esperança de um povo que tenta sair de onde estão e principalmente,esperança por parte da jovem Farha,vivida grandiosamente por Karam Taher. Na época a atriz tinha apenas 17 anos e vivia Farha com 14. E só pra não esquecer,é somente seu primeiro trabalho para o cinema.
O filme é repleto de momentos escondidos em que os mínimos detalhes importam bastante,um deles é bem no início,onde a jovem Farha olha do seu quarto a janela aberta e ver o mundo e todas as possibilidades que ele pode oferecer ,na cena seguinte,já temos ela trancafiada observando pela fresta de uma porta sem liberdade. E a partir desse momento que ela é refém dela mesma é que o filme começa a apertar e causar desconforto. A ótica da protagonista muda e o filme muda junto,já não temos mais um filme colorido,e sim,algo turvo,frio,sem vida,simbolizando a morte da esperança de Farha e de quem assiste. A partir daquela prisão a jovem começa a viver situações nunca vividas e nunca vistas:Morte na frente de seus olhos,desespero,abandono,fome,sede,até mesmo sua primeira menstruação e ali não sabe como lidar com a situação. E dali,se torna testemunha de várias atrocidades.
Por lá,o nome Farha significa "alegria",e é justamente tal palavra e sentimento que o filme não oferece.
>Assistido em 15 de Agosto de 2026
O filme tem sua importância para entender a tragédia que foi o estabelecimento da entidade sionista.
'Farha' é daquelas obras que geram incômodo, mas sem apelar para o sensacionalismo. O espectador quer que chegue ao fim, porque a tirania de uma colonização é brutal. O Sionismo é um tipo de fascismo, assim como o nazismo. Israel assassina crianças, mulheres e civis inocentes há décadas. Lembrando que o filme se passa em 1948, ano da Nakba (catástrofe), ou seja, a expulsão do povo palestino de seu próprio território.
Inicialmente o filme tem um tom trivial, de drama sobre amadurecimento, dentro do contexto regional, o que já tem sua complexidade, tornando o filme interessante, ainda assim na metade , o filme explode e vira um thriller claustrofóbico, sob a ótica da garotinha..... o que deixa a gente completamente incomodado, sobretudo por saber que o filme é baseado em fatos reais, e que o caos é constate naquela região, uma pena que obras como essa não são conhecidas por aqui, mesmo que premiadas ao redor do mundo, talvez elucidaria um pouco mais os nossos achismos sobre as questões de Israel/Palestina . Filme perturbador, filme realista, filme necessário.