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Documentário sobre o artista plástico F͟a͟r͟n͟e͟s͟e de Andrade, que constrói objetos 'assemblages' a partir da reunião de diversas matérias-primas: peças de antiquário, caixas, oratórios, fragmentos, imagens, bonecos, etc. A câmera o acompanha em sua tarefa de recolher esses elementos, depois na fabricação de um objeto, observa-o dentro de sua casa e finalmente, contempla o resultado da criação. Na trilha, em off, um depoimento com as confidências do artista.
Farnese é o primeiro filme sobre arte de Olívio Tavares de Araújo e seu segundo filme profissional, realizado no Rio em 1970. Em 1971 obteve o Candango de Melhor Curta-Metragem do Festival de Brasília, e em 1972 foi o único filme latinoamericano aceito oficialmente no Festival de Cannes. Na época do lançamento, a crítica assegurou que o trabalho “credencia Olívio Tavares de Araújo junto à crítica mais exigente e constitui uma magistral experiência” (José Carlos Monteiro, revista Filme Cultura, 1971). Visita Farnese de Andrade (1926-1996), um dos pioneiros da utilização do assemblage no Brasil como linguagem artística maior. O assemblage é uma espécie de colagem tridimensional, que recorre aos mais diversos objetos encontrados para com eles construir esculturas e objetos. A obra de Farnese é muito original, sob alguns aspectos, até única, na arte brasileira. Com sua variada matéria-prima, que vai de detritos lançados nas praias pelas águas a preciosas peças compradas em antiquários, Farnese dá vazão a uma visão peculiar, densa e pessimista da vida. Trata do risco da catástrofe atômica, da solidão e incomunicabilidade humanas e da morte. Pertence ao universo do belo terrível.
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farnese é um poeta das sucatas! artista dos troços e destroços! suas obras são pedaços de um poema fatal sobre o descartável e sobre os restos medíocres que se transfiguram através das forças recicladoras do inutilizável! fazer arte a partir dos entulhos do ex-mundo. escandalizar a morbidez da matéria... um barato total essas colagens que erguem, ao final, um monumento aos escombros e ao lixo... metáfora ao caos pós-guerra inflada de pessimismo, desilusão e amargura. um carinha bastante idiossincrático, já está entre meus favoritos
"Gosto mais dos meus gatos do que crianças" hahahaha
O problema do documentário é que é curto demais, haveria muito mais pra se explorar do Farnese, mas nesse pouco já basta para se ter uma ideia básica sobre sua concepção de arte. Focada na corruptibilidade da vida humana, com uma dose bem alta de um pessimismo que por vezes ao menos para mim soou um pouco contraditório. Como quando Farnese é taxativo em dizer que a morte é a única certeza e mesmo assim ainda consegue crer em vida após a morte (como quando recebe uma entidade).
Mas sua arte é deslumbrante, por utilizar do lixo, da morte, dos restos como inspiração. Mais irônico é que grande parte dela é composto por bonecas que foram de alguma forma de alguma criança, e o artista também diz que crianças são insuportáveis, e que é uma tragédia colocar uma criança no mundo, que nunca teria uma criança. Eis que nestas contradições que sua arte se alicerça, num tom bizarro, poético, macabro, sinistro, chocante, mas que não deixa nunca de ser belo e muito diferente do que podemos já te visto.
Farnese não só está entre os meus artistas plásticos favoritos nacionais, mas como em nível mundial. E o doc só confirma isso: evidencia seus pessimismos, rejeições, indigentes fixações e misticismos próprios. Ícone caliginoso.
que artista! que documentário!