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Duração
Febre do rato é uma expressão popular típica da cidade de Recife (localizada na Região Nordeste do Brasil), que designa alguém que está fora de controle, alguém que está danado. E é assim que Zizo, um poeta inconformado e de atititude anarquista, chama um pequeno tablóide que publica às próprias custas.
O personagem está sempre às voltas com o universo que criou ao seu redor. Um mundo todo particular, onde saciar os desafortunados é uma mistura de benefício com altas doses de maldade.
Um dia todas as convicções de Zizo parecem ruir ao se deparar com Eneida, a consciência contemporânea e completamente periférica. As relações de Zizo entram em conflito e todos que fazem parte do jogo festivo do anarquista se manifestam de forma egoísta. O conflito entre o indivíduo e a coletividade se instaura.
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Recife como personagem é dura, desigual, exigente e é embala seus convivas num ritmo implacável de boemia e luxúria. O resto é só poesia e putaria disfarçado de anarquia
Gostaria de pedir a atenção de todos para um poema o qual escrevi chamado "Afago de Aço".
A ardor da paixão move-se nas veias pulsantes
A cidade respira
Grita!
Falta-lhe ardor, falta-lhe amor
Dor?
Do quente seio de puídos corpos acolhe o desejo da carne
Dissolve-se nas águas turvas a paixão que acolhe
Olhe!
Os corpos desnudos acolhem o vazio do espírito
Escolhem!
Sob o véu da juventude esconde-se as chamas da trama e da guerra
Dos afagos do vento em seus seios desperta-se o amor
Do silêncio do vento renega-lhe o afago
Desnorteado!
No quente dourado reflete-se o desejo
O medo de perder-te consome-se por meio de fumaça, fedor e ébria confusão
Não sei mais o que quero
Aço!
Revela-se a paixão, ergue-se diante do peso das armas
As águas doces alcançam-lhe e perfuram o peito
A morte desnuda o coração
Ainda vivemos com medo
O corpo ausente revela a alma
Amo-te por mais de uma hora
Feria-te mulher
Agora sabes que era tudo amor
Falou, falou, e no final não disse nada.