Toha, de oito anos, trabalha como empregada doméstica infantil para uma família rica do Cairo e cria um vínculo especial com a filha de seu patrão, Nelly. Sem nunca ter comemorado seu próprio aniversário, Toha se determina a garantir que Nelly tenha uma festa perfeita, na esperança secreta de experimentar a alegria que nunca conheceu.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
Quando a abertura de Feliz Aniversário mostra duas crianças fofíssimas brincando e festejando inadvertidamente em relação ao mundo ao redor delas, o espectador cínico logo pensa que é questão de tempo até que algo de ruim aconteça às garotas: uma bomba, a separação das amigas, a morte de um parente próximo e o apoio incondicional da inocência infantil uma com a outra, etc. O que ocorre, no entanto, é algo banal no cotidiano não só da cidade de Cairo, mas em todo o mundo: enquanto a criança Nelly (Khadija Ahmed) volta a dormir no quarto confortável, Toha (Doha Ramadan) põe a bandana e vai ajudar a família de Nelly nas tarefas domésticas.
O filme todo se desenrola no dia do aniversário de Nelly, a criança com posses, mas que não pode ter uma festa por conta da mudança de casa que sua mãe e avó estão organizando. Os objetos já encaixotados impedem que a família receba convidados no casarão em que vivem. No entanto, a história não será focada no drama da pobre-menina-rica e suas frustrações. O filme é sobre Toha, a empregada-mirim da casa, e sobre relações de classe.
A diretora Sarah Goher consegue extrair encanto do elenco infantil: há um charme gaiato nas meninas “acordando” pela segunda vez, assim como acreditamos na birra de uma ou outra criança ao não querer dividir um objeto.
Crítica completa em: tardesdecinema. com. br/post/feliz-anivers%C3%A1rio-cr%C3%ADtica