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Data de lançamento
23 Ago. 1948Duração
Dois amigos caçadores de aventura estrangulam seu colega de classe e organizam uma festa para a família e amigos da vítima, servindo refeições em uma mesa que na verdade é um baú que guarda o cadáver dele. Quando a conversa do jantar gira em torno do assassinato perfeito, o ex-professor fica cada vez mais desconfiado que seus alunos converteram suas teorias intelectuais em uma realidade brutal.
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Marília Mendonça: Sentimento Louco
os diálogos foram ótimos
Que filme idiota, pelo amor. É tudo tão milimetricamente planejado que qualquer possibilidade de autenticidade é completamente ignorada pelo Hitchcock. Todos os diálogos, os maneirismos, os olhares, a composição das cenas, absolutamente tudo remete ao primeiro minuto de filme onde os protagonistas cometem um assassinato.
A sensação é de que "Rope" insiste em si mesmo e se esfrega na nossa cara pois sabe que sua premissa, apesar de interessante, não sustenta a monotonia, a artificialidade e a pretensão de todo o resto. Se Alfred fosse escritor nos dias atuais, com certeza figuraria no top 10 mais vendidos da Amazon.
Muito bom, lembra o livro Crime e Castigo do Dostoieviski assistido dia 18/07/2026
Adorei!
Minha noiva fez um comentário pertinente: “os atores eram tão mais expressivos nessa época”. Pensando aqui, é verdade, a atuação era mais expressiva, mais preto no branco. Tenho que ser vilão, ajo como vilão. Sou covarde, vou ficar agindo como covarde. Hoje em dia, no cinema, parece que se aprecia mais os tons cinzentos. A atuação não pode te entregar de bandeja quem é quem, o sentimento exato do personagem, tudo tem que ser interpretado, zero preto no branco. Bom, apenas expondo uma reflexão, nem sei se tem muita veracidade nisso.
Mas, dito isso, o filme é ousado em sua proposta. Fico refletindo se Hitchcock teria gravado tudo num take só se a tecnologia da época permitisse (o rolo de filme tinha duração limitada), pois esse daqui, mesmo com poucos cortes, já deve ter sido um desafio tremendo. No início a falta de corte talvez cause uma estranheza, ver algo contínuo da uma sensação de que não tem ritmo, mas logo engrena.
Revendo agora uns dez anos depois de ver pela primeira vez, matenho a sensação de que delongou demais no último take. Poderia ter sido de uma tacada só, mas ficou longo. E acho que a proposta de ser mais longo era exatamente tentar criar uma tensão, mas acho que falhou um pouco nisso. Embora, claro, é um Hitchcock e temos uma cena muito boa de tensão (a da governanta tirando a “mesa”), da qual, inclusive, eu não me lembrava.
Outra coisa que eu não me lembrava (ou, talvez, não tenha notado) é o quanto esse filme é mais pegado para uma comédia de humor mórbido. Em vários momentos eles citam o David como forma de piada. Juro, vejo esse filme mais como “dark comedy” do que como suspense. E um humor mórbido de qualidade, diga-se de passagem. Outra coisa que não tinha notado é o ar de casal dos dois protagonistas.
Ainda tem um espaço para discussões políticas e filosóficas, incluindo sobre nazismo (e ficavam falando para Hitchcock fazer um filme político, pois bem, olha ele aqui). Enfim, filme do Hitchcock é sempre uma boa pedida.
Nota: 9.1.