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Data de lançamento
8 Abril 2023Duração
Aoy tem vinte e poucos anos quando herda o restaurante rat na de sua família no bairro antigo de Bangkok. Em seguida, ela é contratada pela equipe 'Hunger', a principal equipe de mesa de chefs de luxo do país. Em seu novo ambiente, Aoy conhece o lado obscuro do genial chef Paul e da indústria alimentícia de alto padrão.
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Muito bom
Estou muito impressionado. Hunger é um daqueles suspenses psicológicos incômodos que usam a beleza plástica da alta gastronomia para cutucar uma ferida social exposta e purulenta. Longe de ser apenas mais um filme sobre culinária, o filme é um banquete alegórico incômodo sobre o capitalismo, a desigualdade de classes e o custo desumano da nossa obsessão por validação.
A começar pelo título, a genialidade da obra mora na ambiguidade da palavra "Hunger". O filme nos joga na cara que existem dois tipos de fome. A primeira é a física, a da sobrevivência, que move Aoy e sua família no calor infernal de uma cozinha de rua na periferia de Bangcoc. A segunda é a fome metafórica: um apetite insaciável, doentio e paranoico por status, poder e exclusividade.
O grande motor dessa engrenagem sombria é o Chef Paul. Que personagem fascinante e repulsivo. Ele é um tratado vivo de narcisismo clínico e niilismo, forjado pelo puro ressentimento de classe. Filho de empregada doméstica, Paul não quer se misturar à elite; ele quer dominá-la pelo estômago. Ele pune os ricos servindo-lhes conceitos bizarros como um molho cinza com textura de cimento ou jantares viscerais e sangrentos, sabendo que aquela burguesia superficial vai aplaudir e devorar qualquer coisa grotesca, contanto que seja cara e inacessível para o resto do mundo. Ele lidera sua equipe pelo terror psicológico porque acredita que o talento só nasce do sofrimento absoluto.
O filme brilha ao contrastar a crueza das ruas com a artificialidade dos banquetes de luxo. Enquanto os pobres enxergam a comida como afeto e sustento, os ricos a tratam como um espetáculo de ostentação. A cena
em que uma carcaça de boi desce do teto por correntes industriais e os convidados engravatados atacam a carne com as mãos,
A jornada de Aoy serve para nos perguntar: até onde você iria para ser "especial"? Ao aceitar
o convite de um investidor para chefiar o restaurante Flame, ela entra no mesmo ciclo paranoico de Paul, experimentando a ansiedade sufocante de quem está no topo e teme a queda a cada segundo.
O clímax do filme desenha perfeitamente a podridão desse sistema quando
o Chef Paul é preso no meio de uma festa de gala após ser flagrado cozinhando um calau, uma ave rara protegida e ameaçada de extinção, provando que para os ricos a impunidade é o tempero definitivo.
No fim das contas, a grande tese de Fome de Sucesso é de que o topo da pirâmide é um lugar isolado, frio e vazio.
Ao ver a podridão daquele mundo, Aoy toma a decisão mais corajosa do filme: ela abandona o glamour do Flame e retorna ao restaurante simples de seu pai.
Eu tenho uma raiva
desses personagens que conseguem sair da pobreza mas depois voltam pro mesmo lugar porque não conseguem sustentar o preço do sucesso
O antes e depois da carreira de uma jovem cozinheira ao fazer o arroz frito decisivo.
Filme com proposta interessante a princípio, mas que se perde após os primeiros 30 minutos, não recomendo.