O filme faz parte das nove obras que o diretor batizou de Histórias do Cinema, realizadas entre 1996 e 1998. São quatro filmes em um, unidos sem nenhuma indicação de separação. O tema principal envolve um diretor que planejou um filme, mas teve problemas com o elenco. Sendo assim, ele vai ajudar um primo a encenar uma peça de Musset, em Sarajevo.
Ele foge quando os atores começam a se envolver com a guerra. O diretor tenta então finalizar o filme no qual estava trabalhando anteriormente, mas não consegue. Entre as histórias surgem reflexões, pensamentos e idéias sobre arte, política e cinema.
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Achei dos menos herméticos do diretor, o que não significa que seja fácil.
"É o que eu gosto no cinema: uma saturação de signos magníficos banhados na luz de sua ausência de explicação."
"A vida moderna é acelerada demais. Não permite um sentimento tão ardente, tão terno. Que nos importa este casto noivado com o futuro? Não há tempo para esperar, nem para amar.
Os pobres esperam o mundo moderno, como os santos que expiam e amam por nós. Por toda nossa Europa os pobres perpetuam a tradição pela esperança modesta. Como velhas operarias detêm os segredos de certas rendas, impossíveis á máquina. Você dirá que esses pobres coitados têm tanto mérito em esperar quanto em viver."
"Em 'eu penso, logo eu existo' o 'eu' do 'eu penso' não é o mesmo 'eu' do 'eu existo'. Por quê? Falta provar que há uma relação entre corpo e espírito. Entre pensamento e existência.
O sentimento que tenho na existência ainda não é um "eu". É um sentimento irrefletido. Nasce em mim, mas sem mim."
É um filme com estrutura enredística muito difícil, mas, desde o começo, o autor escancara a sua proposta, quando nos apresenta a uma trintena de personagens "em busca de uma narrativa". Apesar das cenas de impacto passadas em Sarajevo, as seqüências iniciais são difíceis de serem apreendidas cognoscitivamente, não obstante serem belas, magnificamente iluminadas e soberbamente musicadas, como de praxe. Porém, é o terço final do filme que demonstra por que Godard é o "gênio dos gênios"! A explicação tardia para o título do filme e a ode suprema à sobrevivência do cinema entre aqueles que o amam, a partir da filmagem e exibição frustrada do metafilme "O Bolero Fatal", são atividades supremas, dignas das obras-primas godardianas. Um filmaço apaixonado, afinal de contas! (WPC>)