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Não se trata de uma biografia, apesar de algumas datas (nascimento, morte, datas de saídes de alguns livros...) O propósito deste filme é que o espectador descubra a experiência de um pensamento. Através do cruzamento de textos dos seus livros "Histoire de la folie", "Surveiller et punir", "Les Mots et les choses", "Le Soucis de soi" e excertos de entrevistas e seminários, nomeadamente as conferências que tiveram lugar no Collège de France é-nos revelada essa experiência.
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Foucault é um dos pensadores que realmente conseguiram traduzir as verdades do nosso tempo.
"A loucura fascina porque é um saber. É saber,de início porque todas essas figuras absurdas são, na realidade, elementos de um saber difícil, fechado, esotérico. Este saber, tão inacessível e temível, o louco o detém em sua parvoice inocente. Enquanto o homem normal e sábio percebe apenas algumas figuras fragmentárias, e por isso mesmo mais inquietantes, o louco o carrega inteiro em uma esfera intacta: essa bola de cristal que para todos está vazia,a seus olhos está cheia de um saber visível"
Uma das incríveis passagem desse incrível filme/documentário que, segundo Foucault é uma "história das problematizações, de como as coisas e acontecimentos produzem problemas" fantástica para entender o quão importante é a luta anti manicomial (abordada intrinsecamente além de outros diversos assuntos sob sua literatura como identidade, poder etc) e como o ideal iluminista da razão (que coloca em debate a desrazão, onde se enquadra o louco) promove a segregação daquele dado como "são" e o denominado louco e como isso é extremamente prejudicial há qualquer sociedade que possua um mínimo ideal de igualdade universal.
Não concordo sempre com Foucault, aliás nem sempre ele concorda com ele mesmo. Acho bem interessante, quando ele diz: "não me peça para ser sempre o mesmo". É uma prisão exigir que alguém seja sempre idêntico àquilo que foi no passado, achar que isso é um valor, que é ser "autêntico", quando é estar imóvel. Quantos retratos feitos por quantos olhares daquilo que seríamos no passado existem? Imaginem querer satisfazer a todos? Enfim, a questão que mais me interessa em Foucault é A História da Loucura. É impressionante como o poder segue determinando fronteiras, dividindo e excluindo. Definindo os limites entre o louco e o intelectual. E como o poder segue temendo quem atravessa essas fronteiras e fala.
"..mas o que existe no riso do louco é que ele ri antes do riso da morte; e pressagiando o macabro, o insano o desarma."
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