Abandonei essa bosta com 37 minutos de tela e olha que raramente tomo uma atitudade como essa. Adoro filmes deste gênero, mas esse aqui não cativa em nada. O filme deixa claro o seu baixíssimo orçamento em absolutamente tudo: direção, cores, cenários, efeitos práticos, atuações, ritmo, argumento. Uma grande bobagem sem nenhum ponto positivo. Se esse filme fosse uma pessoa, seria aquela australiana dançando break.
E o cara tem uma resistência infinita digna de um X-Men. Pelo tom construído já era esperado que tudo o que o protagonista passou seria por nada, ainda mais quando o resgate vem por um mexicano mal encarado, um final feliz seria mais surpreendente e satisfatório do que a opção da produção.
Aliás, toda a história deveria se resolver assim que ele mata o primeiro careca, ele não precisava sair a pé vários KMs, quando eles foram levados de carro e a chave estava com o defunto.
Produção completamente angustiante, brutal e implacável. Cheguei a ficar com dó, pois o que que o protagonista sofre é desproporcional ao que ele fez de inconsequente na trama. É tão agoniante que você realmente torce para ele morrer, só para o sofrimento dele acabar.
Beaten to Death é um filme sobre tomar decisões ruins, parar no lugar errado, com as pessoas erradas e dar com a cara no incrível acaso da vida.
Logo nos minutos iniciais acompanhamos o desespero de um homem banhado em suor, lama e sangue. A introdução é muito honesta com o que nos aguarda ao longo de toda a narrativa. Além da violência visual, também seremos premiados com agonizantes minutos de gritos de dor e sofrimento.
Não demora muito para a gente conhecer um pouco mais do protagonista: na próxima cena, ele está sendo espancado por um homem gigantesco e com cara de poucos amigos. O sujeito não se contenta em agredir, já que faz um monólogo frio e desprovido de qualquer senso de humanidade.
Considerando a sua proposta de ser um longa-metragem indicado para um seleto grupo de fãs de horror hardcore, Beaten to Death consegue ser inventivo o suficiente para se destacar além da violência. A sua narrativa fragmentada e não-linear, vai e volta o tempo todo, apresentando novos detalhes aos poucos e alimentando o “acaso” citado na abertura da crítica.
O desenvolvimento dos personagens acaba não sendo o grande objetivo da obra, e tudo bem. Mas existe um cuidado especial para contar o mínimo sobre o protagonista e a sua esposa, desde os seus encontros até a decisão que levaria os dois para horas infernais no deserto australiano. O distanciamento proposital da esposa gera um efeito poderoso na cena em que ela finalmente aparece viva. Fica um sentimento angustiante de saber o seu destino desde os minutos iniciais, e ainda assim, ficamos apreensivos por sua vida.
O roteiro pode ser um pouco previsível, dependendo da sua bagagem cinematográfica. Porém, o desenvolvimento da obra é tão envolvente, que a gente até ignora essas conveniências. Até porque, como já repeti, o acaso é o grande inimigo do nosso protagonista. Durante a sua fuga, Jack conhece um homem grosseiro. Inevitável pensar que aquela grosseria esconde também um instinto assassino, que logo se comprova.
Mas a grande surpresa está guardada para o final. Um encerramento pesado e cruel, daqueles que não se preocupa em agradar ou garantir um final feliz. Muito pelo contrário: o roteiro chega a zombar das expectativas dos espectadores em ver o protagonista são e salvo de tudo que viveu, livre para sobreviver e recomeçar. Quando a câmera flutua mostrando a estrada e o que está na parte de trás do carro que dá carona para o “herói”, confesso que achei graça. Não por ser engraçado ou tosco, mas por entender que não existe chance de ser feliz em Beaten to Death.
Altamente contra-indicado para quem tem estômago fraco, Beaten to Death se garante como um dos melhores trabalhos australianos dos últimos anos.
Abandonei essa bosta com 37 minutos de tela e olha que raramente tomo uma atitudade como essa. Adoro filmes deste gênero, mas esse aqui não cativa em nada. O filme deixa claro o seu baixíssimo orçamento em absolutamente tudo: direção, cores, cenários, efeitos práticos, atuações, ritmo, argumento. Uma grande bobagem sem nenhum ponto positivo. Se esse filme fosse uma pessoa, seria aquela australiana dançando break.
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Fraco
Final infelizmente clichê.
E o cara tem uma resistência infinita digna de um X-Men. Pelo tom construído já era esperado que tudo o que o protagonista passou seria por nada, ainda mais quando o resgate vem por um mexicano mal encarado, um final feliz seria mais surpreendente e satisfatório do que a opção da produção.
Aliás, toda a história deveria se resolver assim que ele mata o primeiro careca, ele não precisava sair a pé vários KMs, quando eles foram levados de carro e a chave estava com o defunto.
Produção completamente angustiante, brutal e implacável. Cheguei a ficar com dó, pois o que que o protagonista sofre é desproporcional ao que ele fez de inconsequente na trama. É tão agoniante que você realmente torce para ele morrer, só para o sofrimento dele acabar.
Beaten to Death é um filme sobre tomar decisões ruins, parar no lugar errado, com as pessoas erradas e dar com a cara no incrível acaso da vida.
Logo nos minutos iniciais acompanhamos o desespero de um homem banhado em suor, lama e sangue. A introdução é muito honesta com o que nos aguarda ao longo de toda a narrativa. Além da violência visual, também seremos premiados com agonizantes minutos de gritos de dor e sofrimento.
Não demora muito para a gente conhecer um pouco mais do protagonista: na próxima cena, ele está sendo espancado por um homem gigantesco e com cara de poucos amigos. O sujeito não se contenta em agredir, já que faz um monólogo frio e desprovido de qualquer senso de humanidade.
Considerando a sua proposta de ser um longa-metragem indicado para um seleto grupo de fãs de horror hardcore, Beaten to Death consegue ser inventivo o suficiente para se destacar além da violência. A sua narrativa fragmentada e não-linear, vai e volta o tempo todo, apresentando novos detalhes aos poucos e alimentando o “acaso” citado na abertura da crítica.
O desenvolvimento dos personagens acaba não sendo o grande objetivo da obra, e tudo bem. Mas existe um cuidado especial para contar o mínimo sobre o protagonista e a sua esposa, desde os seus encontros até a decisão que levaria os dois para horas infernais no deserto australiano. O distanciamento proposital da esposa gera um efeito poderoso na cena em que ela finalmente aparece viva. Fica um sentimento angustiante de saber o seu destino desde os minutos iniciais, e ainda assim, ficamos apreensivos por sua vida.
O roteiro pode ser um pouco previsível, dependendo da sua bagagem cinematográfica. Porém, o desenvolvimento da obra é tão envolvente, que a gente até ignora essas conveniências. Até porque, como já repeti, o acaso é o grande inimigo do nosso protagonista. Durante a sua fuga, Jack conhece um homem grosseiro. Inevitável pensar que aquela grosseria esconde também um instinto assassino, que logo se comprova.
Mas a grande surpresa está guardada para o final. Um encerramento pesado e cruel, daqueles que não se preocupa em agradar ou garantir um final feliz. Muito pelo contrário: o roteiro chega a zombar das expectativas dos espectadores em ver o protagonista são e salvo de tudo que viveu, livre para sobreviver e recomeçar. Quando a câmera flutua mostrando a estrada e o que está na parte de trás do carro que dá carona para o “herói”, confesso que achei graça. Não por ser engraçado ou tosco, mas por entender que não existe chance de ser feliz em Beaten to Death.
Altamente contra-indicado para quem tem estômago fraco, Beaten to Death se garante como um dos melhores trabalhos australianos dos últimos anos.