Produção iraniana sobre um casal idoso que segue sua rotina de limpar o gabbeh, um tapete com um desenho intrincado. Magicamente, uma jovem aparece e passa a ajudar os dois. Ela pertence ao clã cuja história é narrada nas imagens do tapete, especialmente o romance que envolveu a tal jovem e um estranho do clã.
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Um belo e subversivo exemplo do famigerado novo cinema iraniano, o qual abraça o tradicionalismo das clãs nômades daquele país ao mesmo tempo que clama a esperança pela liberdade feminina e amorosa. Talhado no gabbeh, o tradicional tapete produzido pela tribo Gashghai, contém a história da jovem e bela Gabbeh, que aparece como uma mágica diante de um casal apaixonado de idosos e sonha em partir com seu amado cavaleiro errante, sob as aventuras de suas andanças entre cores e dramas. De maneira onírica, romântica e irrealista, o filme, às vezes executado de forma confusa, funciona como uma meditação por meio da poesia visual evocada pela câmera em planos fechados do diretor, além de ser uma declaração de amor às tecelãs do Irã, que, assim como a cinematografia, entrelaçam os diferentes fios resultando em histórias bonitas, inusitadas e instigantes. Uma obra de beleza deslumbrante e encantadora.
Indicado ao prêmio Um Certo Olhar no Festival de Cannes. Tenho esse filme desde 2008 e nunca tinha assistido, mais de uma década depois resolvi assistir voltando de Teerã. Adorei a narrativa, os diálogos entre o casal de idosos e a Gabbeh, mesmo a história principal sendo um pouco simplista demais, são esses elementos que dão o tom que o filme precisa, fazendo ele ser tão bem visto até hoje. É a maneira de se contar a história e aproveitando os recursos lúdicos e fantásticos que somos conquistados pelo que está na tela. Um filme curtíssimo que nos mantém grudados na tela e serve para dialogar sobre tantas coisas: amor, envelhecimento, cultura, juventude... há uma infinidade de coisas. Muito gostoso de assistir.
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Definição de filme poético, recheado de rimas artisticas. Minha parte favorita é a primeira cena da aula com as cores dos elementos. Cores que são, afinal de contas, o carro chefe visual desse impecável exercício de estética. Mas no fim das contas a narrativa é bem confusa, apesar de que a forma que foi contada e os simbolismos são muito interessantes.
amor é cor
EXERCÍCIO DE ESTILO VAZIO
Depois de conhecer Abbas Kiarostami, segui minha travessia pelo cinema iraniano, dessa vez em busca da obra de Mohsen Makhmalbaf. Esse é seu primeiro longa-metragem que vejo, citado no livro dos "1001 filmes para ver antes de morrer". Fui com uma expectativa relativamente neutra, esperando alguma beleza plástica, que era o aspecto mais elogiado do filme.
Sinceramente, não achei nada demais não. "Gabbeh" me lembrou algo como uma mistura do longa avant-garde experimental soviético "A Cor da Romã", acrescido de uma trama vaga que recorda vagamente a pegada narrativa da (ótima) história em quadrinhos "Habibi", por conta da ambição de falar de 'grandes temas' de modo poético na história da relação afetiva entre os personagens. Estes, no caso, são um casal de idosos (o velho, interpretado por Hossein Moharami, é particularmente irritante e tem uma insuportável voz oscilante estilo TÓóÓóÓóP TéÉéÉéÉRM) e uma mulher que surge aparentemente do nada para ajudá-los com os tapetes estampados, os tais 'gabbeh' do título. Ao final, essa relação entre os personagens guardará uma pequena surpresa que, pra mim, não causou patavinas de comoção.
Plasticamente o filme é bonito mesmo. Tem planos com as lãs coloridas, rios e grama ao vento que realmente enchem os olhos. Como no já citado "A Cor da Romã", é o que dá pra salvar num filme com narrativa pouco interessante, que se concentra mais em ser um exercício de estilo de pouco mais de uma hora de duração (pelo menos isso!). Mas não vai além.