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Nascimento: 18 de Dezembro de 1970 (45 years)

Fortaleza, Ceará

Paulo Rogério da Silva, conhecido como Gero Camilo, nasceu em Fortaleza, CE, em 18 de dezembro de 1970.

É dramaturgo, ator, cantor e compositor.

Um dos autores mais promissores dos primeiros anos de 2000, Gero Camilo escreve para dar vazão a seu trabalho de intérprete. Encontra a base de sua produção teatral no lirismo que procura extrair das lembranças da infância no Nordeste, confrontadas com a dureza da cidade grande.

Nas suas próprias palavras, é nítida a orientação de seu trabalho tanto de dramaturgo como de ator: "Sou desavergonhadamente poeta. Acho que todo intérprete está à mercê da poesia. Minha vontade é sempre trazer a poesia para este tempo. A poesia é a mãe de todas as artes". De fato, as primeiras encenações de suas obras para o teatro revelam um tom marcadamente lírico, cujo resultado positivo ante o público e a crítica se dá rapidamente.

Como militante da Teologia da Libertação, Gero Camilo iniciou-se no Ceará, no teatro amador, com objetivos didáticos.

Aos 19 anos, Gero Camilo cursou no Teatro José de Alencar, em Fortaleza, os princípios básicos de teatro.

Sua trajetória foi bem diferente do caminho traçado pela maioria dos nordestinos que migram para São Paulo em busca de uma vida menos sofrida. Foi o teatro, mais especificamente a Escola de Artes Dramática da USP que trouxe o poeta, dramaturgo, ator e cantor Gero Camilo até São Paulo, em 1994.

Vencido o concorrido vestibular, não houve mais o que o detivesse. Os quatro anos vivendo na residência universitária, as dificuldades naturais e preconceitos pelos quais passam os nordestinos parecem fáceis quando contados com seu jeito doce e simples.

Nesse período, Gero Camilo integrou o elenco de montagens realizadas por alunos, que lhe valeram o contato com diretores como Celso Frateschi, em "Aquele que Diz Sim, Aquele que Diz Não", de Bertolt Brecht; Cristiane Paoli-Quito, na improvisação "Prelúdico para Clowns e Guitarra"; e José Rubens Siqueira, em "Tartufo, ou O Impostor". Gero Camilo formou-se em 1998.

No processo seletivo da EAD, Gero Camilo manifestou vocação dramatúrgica, apresentando sua primeira peça, o monólogo "A Procissão", escrita em julho de 1993 e encenada em 1998, com direção e interpretação do próprio Gero. Trata da luta de romeiros pela sobrevivência no sertão, narrada pela personagem Zé, em meio a um cenário composto por lampiões, cruzes e velas.

Em 2004, encena a peça "Aldeotas", de sua autoria, dirigida por Cristiane Paoli-Quito. O espetáculo confirma a sensibilidade do autor e rende à diretora o Prêmio Shell. Trata-se da história de um poeta, Levi, que envia ao melhor amigo de infância, Elias, na véspera de seu reencontro depois de muitos anos, uma peça de teatro que rememora causos e casos compartilhados por eles.

No mesmo ano, Ivan Andrade e o próprio dramaturgo dirigem "Entreatos", composto inicialmente por duas e depois por três peças que abordam temas cotidianos e que são extraídas de seu livro "A Macaúba da Terra", de 2002, que apresenta também contos, além de peças curtas. Em "Café com Torradas", um homem está com uma senha numa fila de espera e interage com o público; "Quem Dará o Veredicto?" conta a aflição de uma telefonista que não suporta mais sua rotina e decide não sair mais de casa; em "Um Quatro Cinco", há um encontro marcado pelo disque-amizade.

A sua publicação independente, "A Macaúba da Terra", já tinha rendido em 2003 a montagem "As Bastianas" pela Companhia São Jorge de Variedades, com direção de Luís Mármora, baseada nos contos do livro.

"Cleide, Eló e as Pêras", dirigido por Gustavo Machado, em 2006, constitui-se de mais três textos do mesmo "A Macaúba da Terra". Nas duas primeiras partes, as declarações de amor do vigia Ernesto por Cleide e de Isadora por um homem chamado Eló; na última, o encontro de Ernesto e Isadora. Mais uma vez, há o despojamento do cenário e a dramatização centrada nos atores, características que a dramaturgia de Gero Camilo demanda.

Gero Camilo dedica-se também ao cinema. A trajetória no cinema começou ainda na EAD, com participações nos filmes "Cronicamente Inviável" e "Domésticas". Mas foi em "Bicho de Sete Cabeças", a primeira de muitas parcerias com Rodrigo Santoro, que Gero Camilo se tornou conhecido do grande público.

Gero Camilo atuou, também, nos filmes "Abril Despedaçado", "Madame Satã", "Cidade de Deus", "Carandiru", "Narradores de Javé" e "Chamas da Vingança", esse último uma produção americana que conta com Denzel Washington, Mickey Rourke e Christopher Walken no elenco.

Na televisão, Gero Camilo participou da minissérie "Hoje é Dia de Maria", da Rede Globo.

Entre os seus projetos estão a publicação de um livro com contos e poemas ainda inéditos, a gravação de um CD chamado "Canções de Invento" e a filmagem de sua primeira produção em cinema, "Pagarás com Tua Alma", melodrama circense de Gustavo Machado que será co-produzido com o amigo Rodrigo Santoro.

Filho de caminhoneiro e terceiro de cinco irmãos, quando não está trabalhando em nenhum de seus inúmeros projetos, Gero gosta de por o pé na estrada e conhecer o mundo. "Tenho fome de andarilho".

Em 2008, Gero Camilo está no teatro com a peça "Navalha na Carne", de Plínio Marcos, contracenando com Gustavo Machado e Paula Cohen, onde interpreta o homossexual Veludo. Ainda em 2008, Gero Camilo participa do tele-filme, para a TV Cultura, "A Noiva", de Ivam Cabral. No cinema também pode ser visto no filme "Pequenas Histórias".

Gero Camilo, em 2009, integra o elenco da minissérie "Som & Fúria", de Fernando Meirelles, exibida pela Rede Globo. No mesmo ano, está no teatro com a peça "Hamlet Máquina" e nas telas dos cinemas no filme "Hotel Atlântico", de Suzana Amaral.