Gloria Mundy está se recuperando de um divórcio e decide dar carona a um atraente homem. Acaba envolvida em uma teia de assassinatos e o detetive Tony Carlson é designado para protegê-la.
Foul Play (1978), lançado no Brasil como Golpe Sujo, foi uma surpresa muito positiva. Apesar de eu achar que o começo foi bem lento para desenvolver a história, com uma introdução que demora para engrenar e apresentar claramente os conflitos centrais, o filme aos poucos vai encontrando seu ritmo.
E no final também, o caminho até o grande evento em que o Papa estava demora bastante, e quando finalmente chega nesse momento-chave, a cena acaba sendo muito arrastada.
Dito isso, é inegável que o filme poderia ter uns 20 minutos a menos fácil, o que deixaria a experiência mais dinâmica e menos cansativa em determinados trechos.
A trama mistura investigação policial com suspense e comédia de forma equilibrada, algo que funciona muito bem. Gostei da mistura de humor sem ser escrachado com o tema policial, já que o filme consegue fazer piadas e situações leves sem quebrar completamente a tensão da história, mantendo um clima constante de mistério e perigo, mas sem nunca se levar excessivamente a sério.
No centro da narrativa está Gloria Mundy, interpretada por (Goldie Hawn), que vai muito bem e está deveras gatíssima no papel. Sua personagem é carismática, ingênua em certos momentos, mas também corajosa quando a situação exige, funcionando bem como figura central do filme e conduzindo a trama com naturalidade. Ao seu lado está o detetive Tony Carlson, vivido por (Chevy Chase), mais novo, que também tá presença e competente no seu papel, bem diferente dos tipos humoristas que sempre faz. Aqui ele assume um personagem mais contido, charmoso e eficiente, equilibrando bem o humor sutil com o arquétipo do policial durão, sem exageros.
Outro grande destaque é Mr. Hennessy, interpretado por (Burgess Meredith). Ele também foi uma bela surpresa, pois no começo achei que ele seria apenas um coadjuvante excêntrico.
Porém, conforme a história avança, o personagem cresce, ganha espaço na trama e vai pra ação também pro final do filme, conseguindo ser muito mais que útil, participando ativamente dos conflitos e se mostrando fundamental para o desfecho.
Um ponto interessante do enredo é o plot do anão. Você fica esperando ele aparecer, já que o mistério em torno dele é construído desde cedo, e ele aparece depois dos 40 minutos de filme mais ou menos, mas não é o que você esperava. “Anão” era o apelido de Rupert Stiltskin, conhecido como “The Dwarf”, interpretado por (Marc Lawrence). Inclusive, você acha que ele vai ter uma importância grande na trama, mas depois nem tem tanto assim, já que ele sai de cena no primeiro confronto, o que pode soar frustrante diante da expectativa criada.
Falando dos vilões de forma geral, o filme apresenta uma conspiração que, se for ver bem, nem eram tão vilões assim.
Pelo que eles queriam, eles só queriam que as igrejas e essas instituições milionárias pagassem imposto também, já que eram protegidas pelo governo. Existe até um certo discurso ideológico por trás das ações, o que torna os antagonistas menos unidimensionais. Eles apenas buscaram isso da maneira errada e, como eles mesmos disseram, tentaram por bem, não quiseram, viram que a única maneira era a velha e boa violência.
Além de Rupert Stiltskin, interpretado por (Marc Lawrence), o grupo de antagonistas conta com Delia Darrow, interpretada por (Rachel Roberts), que assume papel central dentro da conspiração, e com o Padre Thorncrest/Charlie Thorncrest, vivido por (Eugene Roche),
que atua diretamente como executor dentro do plano,
reforçando o caráter violento das ações.
Stanley Tibbets, interpretado por (Dudley Moore), funciona como a figura mais cômica do filme, servindo quase como um alívio constante dentro da narrativa.
Ele está sempre se envolvendo com Gloria em situações nas quais acaba se dando mal, reforçando o humor físico e a ironia presentes no roteiro. Seu arco se fecha de maneira particularmente irônica quando ele surge como maestro na apresentação em que o Papa está presente, momento que resume bem o tom de comédia absurda que o filme adota em meio ao suspense.
No conjunto, Golpe Sujo é um filme que mistura suspense, comédia e crítica social de forma eficiente. Apesar de seus problemas de ritmo e de um final um pouco esticado demais, ele se sustenta pelo carisma do elenco, pelo equilíbrio entre humor e investigação policial e por uma trama que, mesmo simples, consegue entreter e surpreender em vários momentos.
A cena de abertura do fusquinha subindo as montanhas ao som de Ready to Take a Chance Again, do Barry Manlow, é um dos momentos mais comoventes e emocionantes da historia do cinema....para desidratar de tanto chorar.
Foul Play (1978), lançado no Brasil como Golpe Sujo, foi uma surpresa muito positiva. Apesar de eu achar que o começo foi bem lento para desenvolver a história, com uma introdução que demora para engrenar e apresentar claramente os conflitos centrais, o filme aos poucos vai encontrando seu ritmo.
E no final também, o caminho até o grande evento em que o Papa estava demora bastante, e quando finalmente chega nesse momento-chave, a cena acaba sendo muito arrastada.
A trama mistura investigação policial com suspense e comédia de forma equilibrada, algo que funciona muito bem. Gostei da mistura de humor sem ser escrachado com o tema policial, já que o filme consegue fazer piadas e situações leves sem quebrar completamente a tensão da história, mantendo um clima constante de mistério e perigo, mas sem nunca se levar excessivamente a sério.
No centro da narrativa está Gloria Mundy, interpretada por (Goldie Hawn), que vai muito bem e está deveras gatíssima no papel. Sua personagem é carismática, ingênua em certos momentos, mas também corajosa quando a situação exige, funcionando bem como figura central do filme e conduzindo a trama com naturalidade. Ao seu lado está o detetive Tony Carlson, vivido por (Chevy Chase), mais novo, que também tá presença e competente no seu papel, bem diferente dos tipos humoristas que sempre faz. Aqui ele assume um personagem mais contido, charmoso e eficiente, equilibrando bem o humor sutil com o arquétipo do policial durão, sem exageros.
Outro grande destaque é Mr. Hennessy, interpretado por (Burgess Meredith). Ele também foi uma bela surpresa, pois no começo achei que ele seria apenas um coadjuvante excêntrico.
Porém, conforme a história avança, o personagem cresce, ganha espaço na trama e vai pra ação também pro final do filme, conseguindo ser muito mais que útil, participando ativamente dos conflitos e se mostrando fundamental para o desfecho.
Um ponto interessante do enredo é o plot do anão. Você fica esperando ele aparecer, já que o mistério em torno dele é construído desde cedo, e ele aparece depois dos 40 minutos de filme mais ou menos, mas não é o que você esperava. “Anão” era o apelido de Rupert Stiltskin, conhecido como “The Dwarf”, interpretado por (Marc Lawrence). Inclusive, você acha que ele vai ter uma importância grande na trama, mas depois nem tem tanto assim, já que ele sai de cena no primeiro confronto, o que pode soar frustrante diante da expectativa criada.
Falando dos vilões de forma geral, o filme apresenta uma conspiração que, se for ver bem, nem eram tão vilões assim.
Pelo que eles queriam, eles só queriam que as igrejas e essas instituições milionárias pagassem imposto também, já que eram protegidas pelo governo. Existe até um certo discurso ideológico por trás das ações, o que torna os antagonistas menos unidimensionais. Eles apenas buscaram isso da maneira errada e, como eles mesmos disseram, tentaram por bem, não quiseram, viram que a única maneira era a velha e boa violência.
Além de Rupert Stiltskin, interpretado por (Marc Lawrence), o grupo de antagonistas conta com Delia Darrow, interpretada por (Rachel Roberts), que assume papel central dentro da conspiração, e com o Padre Thorncrest/Charlie Thorncrest, vivido por (Eugene Roche),
que era o irmão gêmeo do verdadeiro padre já falecido.
que atua diretamente como executor dentro do plano,
Stanley Tibbets, interpretado por (Dudley Moore), funciona como a figura mais cômica do filme, servindo quase como um alívio constante dentro da narrativa.
Ele está sempre se envolvendo com Gloria em situações nas quais acaba se dando mal, reforçando o humor físico e a ironia presentes no roteiro. Seu arco se fecha de maneira particularmente irônica quando ele surge como maestro na apresentação em que o Papa está presente, momento que resume bem o tom de comédia absurda que o filme adota em meio ao suspense.
No conjunto, Golpe Sujo é um filme que mistura suspense, comédia e crítica social de forma eficiente. Apesar de seus problemas de ritmo e de um final um pouco esticado demais, ele se sustenta pelo carisma do elenco, pelo equilíbrio entre humor e investigação policial e por uma trama que, mesmo simples, consegue entreter e surpreender em vários momentos.
Assistido em 08/01/2026
A cena de abertura do fusquinha subindo as montanhas ao som de Ready to Take a Chance Again, do Barry Manlow, é um dos momentos mais comoventes e emocionantes da historia do cinema....para desidratar de tanto chorar.
Amo!
20.01.1990
30.04.1988