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Na costa da Irlanda uma erupção vulcânica submarina abre caminho para a vinda de Gorgo, um réptil anfíbio com 20 metros. Os empresários Joe e Sam capturam a fera e o levam para Londres, onde é exibido como a principal atração de uma feira. Logo será comprovado que isto foi um grande erro, pois Gorgo é apenas um filhote e sua mãe, que é muito maior, segue sua trilha até Londres, provocando uma enorme destruição na cidade enquanto tenta chegar até sua cria.
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Revisto em 6/2026, divertido e nostálgico, lembro que vi a primeira vez no SBT no final da década de 80, se vc tiver a mente aberta para os efeitos datados e for fã de filmes clássicos até que é um bom passatempo, apenas o elenco deixa um pouco a desejar
Todo país merece seu próprio colosso cinematográfico. O Japão tem Godzilla, os Estados Unidos, King Kong. E o Reino Unido? Bem, o Reino Unido tem Gorgo — um monstro marinho que saiu das águas frias da Irlanda para mergulhar Londres em puro caos. Ele é uma mistura declarada entre os dois ícones do gênero kaiju: carrega o DNA narrativo de King Kong (criatura capturada, exibida como espetáculo e libertada em retaliação pela natureza), com o hálito salgado de Godzilla (monstro marítimo ancestral que surge para lembrar os humanos de seu lugar no ecossistema). Mas ao contrário de seus antecessores, o britânico gigante não teve o benefício do pioneirismo nem a analogia simbólica que eternizou seus “primos” nos anais do cinema.
O que Gorgo tem, no entanto, é uma localização de peso. Ver o monstro passeando por Londres e destroçando ícones como a Tower Bridge ou o Big Ben tem um charme específico — uma espécie de “turismo de destruição” que funciona mais pelo prazer catártico de ver símbolos ruírem do que por um envolvimento emocional real. Visualmente, o filme é honesto. Os efeitos práticos — ainda que por vezes visivelmente maquetados — possuem um certo apelo artesanal, aquele charme retrô de borracha e miniaturas meticulosamente alinhadas. Em algumas cenas, o peso do monstro convence; em outras, balança perigosamente entre o convincente e o mecânico. Mas no cômputo geral, a destruição entrega. Gorgo pisa firme.
O que manca mesmo é a emoção. O trio principal — dois marinheiros e um garoto órfão — tem potencial de formar um núcleo familiar inusitado, até tocante. Mas a falta de desenvolvimento dramático deixa tudo à deriva. O menino, Sean, parece existir para simbolizar alguma ligação empática com a criatura (afinal, ambos abandonados, ambos deslocados), mas a execução emocional é rasa demais para nos levar junto. É como se o filme tivesse potencial de ser um drama entre homens e monstros, mas tivesse medo de molhar os pés. A trama se desdobra da seguinte forma: Gorgo, uma criatura jovem, é capturada com surpreendente facilidade por uma rede, embarcada e exibida como atração de circo em Londres. O que ninguém esperava era que a verdadeira ameaça ainda estava por vir: a mãe de Gorgo, uma titã colossal, emerge do mar para resgatar o filhote e devolver a cidade à condição de escombros. É aqui que o filme acerta: a virada de perspectiva dá um certo peso (e toneladas de destruição) ao clímax, com tanques, bombas e choques elétricos sendo desdenhosamente ignorados pela criatura como se fossem picadas de mosquito.
Mas mesmo esse acerto é uma repetição temática — quase um remake disfarçado da estrutura de King Kong. A diferença é que, onde Kong caiu por amor e metáfora, Gorgo simplesmente volta pra casa com a mãe. Fim. Faltou um diferencial que justificasse mais do que a troca de cenário. A criatura, embora visualmente interessante, não tem o carisma simiesco de Kong nem a carga simbólica radioativa de Godzilla. Fica, então, nesse meio-termo: funcional, mas esquecível. No fundo, Gorgo é um filme competente, com alma de homenagem e espírito de reaproveitamento. Sua maior força é a destruição coreografada contra o pano de fundo londrino, e seu maior pecado é a hesitação em mergulhar mais fundo — seja na emoção, seja na metáfora. Como produto de seu tempo, ele carrega o fascínio pelas forças da natureza e a arrogância dos homens que pensam poder domesticá-las. Mas como obra isolada, soa mais como um eco do que um rugido.
No fim das contas, Gorgo não entrou no Olimpo dos monstros — mas deixou suas pegadas no Rio Tamisa. E pra quem gosta de ver a civilização ruir sob os pés de um bicho pré-histórico com complexo de maternidade, o filme ainda vale a pena. Mesmo que seja só pela vista da ponte desabando.
Mistura de Godzilla e King Kong, o design do monstro é praticamente uma cópia de Godzilla mas o enredo inspira-se claramente em King Kong, quando resolvem trazer o bicho de seu habitat no fundo do mar para servir de atração na cidade.
A surpresa é
quando descobrimos que o bicho é apenas um filhote e sua mãe, muito maior que ele, e o instinto materno a traz até Londres para recuperar a cria.
As cenas de destruição de Londres são divertidas com seus efeitos rudimentares, que em 1961 eram bastante criativos. Fico imaginando o trabalho de fazer algo assim numa era pré digital, todas aquelas maquetes e os movimentos do monstro as destruindo.
Divertido e deliciosamente nostálgico.
Vi no STB No fim Da Decada de 80 acho ,As Cenas Da Destruição De Londres Ficaram Boas Lembram os Bombardeios Que A cidade recebeu na Segunda Guerra!.
Gorgo, de 1961, o "parente britânico" esquecido de Godzilla e King Kong! https://youtu.be/7HOVBVhZkW8?si=NGEmoHW-VBgurJh9