O enterro de um ativista político cristão em um cemitério muçulmano força um conflito imbuído de fervor religioso. Um retrato satírico da religião e da política.
A influência das religiões monoteístas - cristianismo e, principalmente, o islamismo - no Senegal é tema recorrente da obra do cineasta Ousmane Sembene. É notória a repulsa que o diretor sente por conta dessa cegueira religiosa que tomou seu povo de assalto e que deixou cicatrizes irreparáveis na cultura africana.
Guelwaar, filme de 1993, conta uma história inusitada. Por conta de um erro burocrático, o corpo de um cristão acaba sendo enterrado por engano no cemitério de um povoado muçulmano. Seu filho, um rapaz que vive em Paris, ao lado dos líderes do povoado cristão e de um policial, tentam resolver o problema, contudo, não será nada fácil convencer os islâmicos a cooperarem na correção do erro.
Em Guelwaar, Sembene vai ainda mais longe em sua crítica. Até mais do que em Ceddo, filme dos anos setenta, com temática semelhante, pois aqui ele escancara que além de sepultar uma cultura milenar, as religiões, ainda por cima, dividem o povo. Enquanto ficam preocupados com os dogmas de ambas as crenças, os habitantes do povoado não veem o que se passa a sua volta: são iludidos com doações de comida enquanto a corrupção do alto escalão impera. A única pessoa que enxergava a verdade era justamente o morto, Guelwaar. Em algumas cenas de flashback, a personalidade do falecido vem a tona, nos revelando uma persona atenta, combativa e desafiadora.
O estilo de Sembene continua o mesmo. Documental, prático e sem floreios. Seu cinema sempre traz um texto de teor político/social/religioso muito bem vindo e reflexivo. Atual e obrigatório, Sembene merece ser (re)conhecido por todos.
Dizer o que, diante de um filme desses? Só agradecer ao pai do cinema africano por mais essa obra.
A influência das religiões monoteístas - cristianismo e, principalmente, o islamismo - no Senegal é tema recorrente da obra do cineasta Ousmane Sembene. É notória a repulsa que o diretor sente por conta dessa cegueira religiosa que tomou seu povo de assalto e que deixou cicatrizes irreparáveis na cultura africana.
Guelwaar, filme de 1993, conta uma história inusitada. Por conta de um erro burocrático, o corpo de um cristão acaba sendo enterrado por engano no cemitério de um povoado muçulmano. Seu filho, um rapaz que vive em Paris, ao lado dos líderes do povoado cristão e de um policial, tentam resolver o problema, contudo, não será nada fácil convencer os islâmicos a cooperarem na correção do erro.
Em Guelwaar, Sembene vai ainda mais longe em sua crítica. Até mais do que em Ceddo, filme dos anos setenta, com temática semelhante, pois aqui ele escancara que além de sepultar uma cultura milenar, as religiões, ainda por cima, dividem o povo. Enquanto ficam preocupados com os dogmas de ambas as crenças, os habitantes do povoado não veem o que se passa a sua volta: são iludidos com doações de comida enquanto a corrupção do alto escalão impera. A única pessoa que enxergava a verdade era justamente o morto, Guelwaar. Em algumas cenas de flashback, a personalidade do falecido vem a tona, nos revelando uma persona atenta, combativa e desafiadora.
O estilo de Sembene continua o mesmo. Documental, prático e sem floreios. Seu cinema sempre traz um texto de teor político/social/religioso muito bem vindo e reflexivo. Atual e obrigatório, Sembene merece ser (re)conhecido por todos.