O filme acompanha dois casais na casa dos 30 anos, moradores de Frankfurt (Alemanha). Apesar de serem amigos, suas relações já esfriaram. Numa noite juntos, vendo slides de férias, fica evidente que tanto suas amizades quanto seus casamentos se tornaram rotineiros. Chris (Thorsten Merten), apresentador de um programa de rádio, e sua segunda mulher, Katrin (Gabriela Maria Schmeide), não têm muito que dizer um ao outro. Uwe (Axel Prahl), por sua vez, passa o dia inteiro em seu bar, o Grill Point, sem dar atenção à mulher Ellen (Steffi Kühnert) e aos filhos. Assim, Ellen e Chris tornam-se cada vez mais próximos e, em pouco tempo, começam um caso amoroso. Mas a relação é logo descoberta, o que faz com todos que sejam obrigados a enfrentar seus problemas.
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"Se vissemos uma pessoa só pelas fotos, pensaríamos que ela só teve momentos felizes". Entre Casais (2002) inicia com uma sessão de slides, mostrando a amizade entre 2 casais para falar de relacionamentos afetivos. Cristian, insatisfeito com o casamento indo mal e Katrin, infeliz que nada faz para mudar a sua vida. Uwe, um amargurado que passa o dia reclamando e apontando defeitos e Katrin, que busca a felicidade fora da rotina. Se o diretor Andreas Dresen usa a estética dos filmes "Dogma 95" com imagens granuladas, cortes abruptos e vários closes; também mostra um filme com muitos momentos cômicos, lembrando filmes italianos do gênero. Entre Casais é reflexivo sobre o quê fazer da nossa vida (tentar reformular a situação presente ou mudar drasticamente). O caso entre Cristian e Ellen é mostrado de uma forma não vulgar, como se fosse mais uma das tentativas que os personagens se dispoem a fazer para sair do marasmo, o resultado é um filme que ocupa a nossa mente muito depois do seu fim.
O que mais chama atenção em “Entre Casais” é a representação espontânea dos atores (cheia de improvisos) e a forma como Dresen brinca com a câmera, utilizando planos-sequência que deixam o fluxo seguir sem interrupções. A textura das imagens lembra muito os filmes do Dogma 95. A ironia e a autenticidade dos diálogos é outro ponto forte do filme. Dresen faz dois retratos: um bem particular do seu país pós-unificação; e um universal dos casamentos enfadonhos e das amizades rotineiras.