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Em meio ao caos político no Brasil de 2016, os estudantes secundaristas se unem aos movimentos sociais, tomam as ruas em passeatas, protestos e reivindicações. Cobram o fim da desigualdade e denunciam manobras políticas. Diante de um iminente golpe de estado, o Jovem Hamlet tem de enfrentar seus maiores fantasmas, sua transformação em adulto e seu lugar na sociedade. Agir ou não agir? Ser ou não ser? Enquanto as bombas explodem, o coração entra em chamas, o mundo exterior, em ruínas, e por dentro, a construção da cidadania e a chegada da maturidade.
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O Canal Brasil exibe hoje, dia 06/06, às 20h, esse ótimo documentário sobre a crise no mundo da política brasileira a partir de 2016, após o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff. O diretor gaúcho Zeca Brito, de “O guri” e Legalidade”, foca seu filme nas manifestações dos estudantes secundaristas que se juntaram aos movimentos sociais para tomar as ruas quando do impeachment/golpe em 2016, que se desdobrou na eleição de Bolsonaro dois anos depois. Ao mesmo tempo, num teatro, Hamlet, o notório personagem de William Shakespeare, procura espaço na sociedade – ele está atormentado pela pergunta “ser ou não ser?”. Rodado em preto-e-branco, é um filme que deve ser visto e discutido. Venceu cinco Kikitos no Festival de Gramado, foi exibido na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo me 2022, onde assisti, passou nos cinemas brasileiros esse ano, e pode ser alugado nas plataformas Claro TV+ (Now) e Vivo Play. Produção e distribuição: Galo de Briga Filmes e Anti-filmes.
POR FELIPE BRIDA - BLOG 'CINEMA NA WEB'
Vendo o filme, a comparação com o personagem shakespeareano soou muito forçada. Não desprovida de sentido, claro (o que não se encaixaria na lógica do "ser ou não ser?"), mas indecisa/indefinida em seus propósitos. Afinal, dentro da semi-narrativa que insurge-se em meio aos meandros documentais, Fredericco não é chamado de Hamlet. E nem são nomeados os coadjuvantes, conforme o pai comemora reflexivamente, em relação à peça. Surge um primeiro paradoxo problemático: por mais que o personagem-aluno refute o protagonismo (defendendo insistentemente a horizontalidade dos debates e reinvindicações militantes), o filme insiste em colocá-lo no centro da trama, por ser filho de ator. Ocorre que seu carisma pessoal é insuficiente para sustentar mais essa responsabilidade. Para piorar, o filme foi concluído seis anos após os eventos mostrados, de maneira que os gritos de "fora, Temer!" parecem infinitamente menos urgentes que as agruras hodiernas do bolsonarismo. E, para piorar ainda mais, a conclamação à ação da metalinguagem converte-se numa entrega de pautas a uma ex-presidenta desprovida do cargo. Muito problemático tudo isso. Mas... Palmas para os alunos. É sempre positivo acompanhar protestos como aqueles! (WPC>)