Data de lançamento
14 Junho 2025Duração
No final dos anos 1980, a primeira geração do punk brasileiro vivia um ciclo de violência e autodestruição. Já no início da década seguinte, uma nova geração surgia, ampliando as vertentes do gênero. Mais politizada, unida e socialmente consciente, a safra dos anos 1990 chegava para enterrar velhas brigas.
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Tive o privilégio não apenas de assistir ao Hardcore 90 pela segunda vez, mas também de participar da primeira exibição do documentário fora de São Paulo (em Santa Cruz do Sul/RS), seguida de conversa com os diretores George Ferreira e Marcelo Fonseca (de quem eu já admirava por conta de algumas de suas bandas, como O Cúmplice e xEscurox). E pra deixar mais especial, ainda toquei com minha banda de hardcore, Imundo, no mesmo evento, justamente no dia em que lançamos nosso segundo trabalho.
Documentário vívido e empolgante sobre a cena punk de São Paulo, onde o estilo passou por transformações dos anos 80 para os 90. Entre o fim da década de 70 e quase todo os 80, despontava ali a primeira geração do punk, influenciado pelo punk americano e britânico, e que culminaria em desgraça, gerando uma onda de violência que amedrontava a sociedade. Com a nova geração a partir da década seguinte, foco desse filme, houve uma revigorada e até mudança de estilo, mais politizado, unida e socialmente consciente. Para contar a trajetória do punk em São Paulo dos anos 90, o filme reúne gravações feitas entre 2008 e 2018 com cerca de 100 indivíduos que estvieram presentes nos momentos mais marcantes daquela geração, como músicos, público e diretores de centros culturais que abrigavam shows. Dão depoimentos membros de bandas como Agrotóxico, No Violence, Paura, Execradores, Hinfamy, Invasores de Cérebros, Ação Direta, Discarga, Muzzarelas, White Frogs e Restos de Nada – esta, pioneira do punk no Brasil, que surgiu nos anos 70. A maioria dos entrevistados são homens, no entanto três mulheres vocalistas são entrevistadas, integrantes de bandas como TPM e No Class. No filme lembram a trajetória do hardcore music de 30 anos atrás, e de festas celebrativas nascidas nesse período, que serviam para a conscientização social do estilo musical, como a Verdurada, feita ainda hoje em São Paulo pelo coletivo de mesmo nome – o coletivo promove shows e oficinas anuais de hardcore. Há menções sobre a Galeria do Rock, que era ponto de encontros dos punk e roqueiros e virou palco de brigas, cenas antigas de shows em clubes e bares e entrevistas atuais. A rebeldia, a contestação, o ‘Faça você mesmo’ (lema inspirado no movimento anarquista) e a tentativa de chacoalhar o sistema são temas vivos do punk e que são discutidos no filme pelo ponto de vista dos músicos integrantes das diversas das bandas mencionadas acima. De Marcelo Fonseca e George Ferreira.
POR FELIPE BRIDA - BLOG Cinema-naweb blogspot